Bem-vindo

Venha e junte-se a nós

  • Simples para publicar
  • Rápido feedback
  • Compartilhe com o mundo
/

Ou logue usando:

Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 19) 03 Sep, 2019

Capítulo 2: EU SOU A CRIATURA DA NOITE!!!

Acordei de manhã e notei que Ayla não estava na cama, fui até o banheiro e ela também não estava, depois a cozinha, mas nada dela. Voltei para o quarto e, só então notei a presença das ‘’ Asas sonoras’’ sobe o criado mudo.

Asas Sonoras é um feitiço Arcano de comunicação, o portador invoca um corvo azul-escuro para levar uma mensagem de áudio à alguém, basta dizer o nome da pessoa que a ave vai atrás dela.

Synth toca no bico da ave para dar início a mensagem:

- Meu amor, ontem à noite foi maravilhoso. Queria estar ai com você, mas ... Algo muito sério aconteceu durante à noite, alguém invadiu a biblioteca dos Antaris, matou os guardas e roubou os nosso feitiços. Ainda não sabemos quem foi o ladrão e muito menos os seus motivos, mas vamos descobrir.

- O nosso filho está maluco com toda essa confusão e não é para menos, afinal os ladrões levaram feitiços de invocação, sua especialidade. Meu pai acredita que os responsáveis por isso são os reis do abismo, porém eu discordo, nenhuma criatura abissal entraria no reino Antaris sem ser percebida, o que me leva a crer, que talvez, o inimigo venha do mundo humano, mas o que um humano ganharia se arriscando a vir aqui?

- Enfim, não precisa se preocupar com isso, pode deixar comigo e Thanatos. Antes de sair eu fiz o café da manhã, como Leopoldo está numa dieta onde só pode tomar leite, eu comprei duas garrafas de leite para a próxima masmorra, mas avise ele que só tomando Leite vai acabar ficando muito magro, como um esqueleto.

- Há! Faça mais amigos nessa nova masmorra e volte correndo para os meus braços assim que pegar a relíquia. Agora eu tenho que me despedir, já vou indo meu amor.

- Coff! Coff! Deseja enviar uma mensagem, senhor? Perguntou o corvo, com uma voz gralha.

- Sim! – Synh toca no bico da ave. - Diga para Thanatos não se esforça de mais, é importante agir com calma nesse tipo de situação. Caso vocês encontrem o ladrão peço que não o interroguem – Synth coloca o ‘’ Porrete da verdade’’ Nas garras do corvo. - Desce o Porrete nele.

- Eu te amo Ayla, sei que você irá resolver isso sem problemas.

Synth toca novamente o bico do corvo, para enviar a mensagem.

Fui até o quarto de hospedes, antes mesmo de abrir a porta eu já conseguia ouvir Leopoldo roncando, abraçado com o travesseiro. Tentei acorda-lo chamando-o pelo nome e fui respondi com um chute na barriga, porém não foi proposita pois ele continuava a dormir como uma pedra. Chamei ele mais uma vez e mais uma vez fui ignorado, sem outras opções disponíveis, dei-lhe um tapa na cara para acorda e veja só, funcionou perfeitamente.

Descemos as escadas e fomos tomar o café da manhã.

Leopoldo pegou uma pequena xicara e encheu de leite - Onde está Ayla?

- Aconteceu um probleminha no castelo dos Antaris e ela teve de ir para lá urgentemente. Não se preocupe, não é nada grave.

- Antaris!? Isso me lembra o Otacu, você acredita que uma vez, para impressionar a namorada, ele tentou invocar um unicórnio, mas no lugar do cavalo corno apareceu um demônio vermelho.

- Por que você não gosta dele?

- O Otacu acha que é melhor do que eu só por saber usar magia, ele fica se vangloriando pra todo mundo, de como é poderoso, isso não me incomoda. Porém, ele fica enchendo a cabeça da irmã com mentiras sobre mim, pobre Dora.

- Ahhhhh! Então você tá afim da irmã dele?

- Nossa! Como descobriu tão rápido?

- Seus olhos brilharam ao falar o nome dela.

- Sério?

- Não.

- Conte-me mais sobre a sua amada.

- Bem, como posso descreve-la?

- Ela é a mulher mais linda do mundo inteiro; cabelo longo e preto, olhos vermelhos como um rubi ensanguentado, branca como a neve, com um corpo cheio de curvas. Eu amo o jeito como ela trata bem as pessoas sempre motivando os seus companheiros a continuarem a lutar, se eu tivesse que reclamar de algo, eu diria que o seu senso de humor é pouco mórbido ... Talvez mórbido demais.

- É por isso que você a-dora ela?

- A-dora, isso foi uma piada?

- S-sim – Respondeu, envergonhado.

- GENIAL! Irei usar essa para iniciar uma conversa com ela, obrigado Synth.

- O que? Você nunca falou com ela?

- Bom ... Dora tem um gosto peculiar, ela não gosto de homens, ela prefere os monstros, principalmente esqueletos. Como eu sou um humano, temo receber um Não antes mesmo de falar algo.

- Leopoldo – Synth coloca a mão no ombro do amigo. – Você não pode esconder seus sentimentos para sempre, se você realmente gosta dessa garota vai até ela e diga tudo que sente, se ela dizer não, eu vou estar aqui para te consolar, meu amigo.

- Sniff! Sniff! Obrigado Synth, você é muito legal cara.

- Ah! Não é para tanto, mas eai ela também é uma maga?

- Felizmente não, Dora seguiu um caminho totalmente diferente do Otacu, ela é uma necromante.

- NECROMANTE?

- Sim ... Algum problema?

- Não, nada.

‘’ - Isso explica muita coisa ... Ou talvez não.’’’

Após o café da manhã, arrumei a minha mochila e preparei a de Leopoldo, depois partimos para Kali de Rux. A minha guilda fica no meio da floresta, ela foi construída pelo próprio deus Tanokhan, Kali de Rux aceita aventureiros humanos e seres mágicos, aqui as duas raças convivem em harmonia. Quando finalmente chegamos na entrada da guilda, Leopoldo se assustou pois não esperava que a guilda fosse uma árvore gigantesca, de folhas cor de rosas.

- É linda!

- Sei o que você tá sentido, eu também fiquei boquiaberto na primeira vez.

As portas de madeira maciça se abriram na frente do aventureiros, de dentro da árvore saiu uma mulher com orelhas de coelho, vestindo uma armadura samurai vermelha. Ela estava com uma expressão de tédio no rosto, que mudou rapidamente para um sorriso ao ver Synth.

- Synthinho! Gritou, acenando com a mão.

- Você a conhece?

- Sim, é uma velha amiga.

Em um piscar de olhos a samurai saiu da porta da guilda e agora está colada em Leopoldo, o encarando. - Synthinho quem é esse?

- Esse é o meu novo companheiro de aventura, Leopoldo. Leopoldo essa é a Samurai-chan.

- Prazer em ti conhecer Leopoldinho, você tem uma bela adaga.

- Hehe! Obrigado, ela realça a minha beleza juvenil.

- Cade o Marco? Você nunca sai do lado dele.

De repente, o sorriso inocente da garota sumiu, dando lugar novamente a cara de tédio.

- Arf! O Marco ... Ele está conversando com o Kleiton, aqueles dois foram feitos um para o outro, eu não tenho nada contra o Kleiton, mas ouvir pela décima segunda vez a história de como ele salvou uma sacerdotisa de um ninho de goblins é chato pra cacete, por isso resolvi sair.

- Você quer falar com ele?

- Não, deixa ele lá, só perguntei por curiosidade mesmo.

- Bom, sendo assim eu já vou indo embora, quero comprar alguns pãezinhos doces, até mais.

Lá dentro tudo estava normal, aventureiros reunidos em volta de mesas de madeira planejando a próxima aventura, outros comemorando a missão bem sucedida, bardos cantando canções de heróis que a muito tempo se foram, tem até alguns aventureiros tentando conseguir algo a mais com as garçonetes, mas infelizmente eles são péssimos na arte do amor. Como eu amo esse lugar, é a minha segunda casa.

No canto mais escuro da sala, estão sentados Marco: O cavaleiro Sério e o Kleiton, como a Samurai-chan a via dito. Droga! Queria contar pro Kleiton que mandei alguns goblins para debaixo do chão, tenho certeza que ele ficará feliz em saber, mas eu prefiro deixar pra lá, nem ferrando eu vou estragar a conversa daqueles dois.

- As vezes eu penso em sorrir um pouco, dar bom dia para as pessoas, salvar um gato em cima de uma árvore, mas ai o meu lado DARK traz as memorias do passado de volta q minha mente. Ele sempre me faz lembrar do que aconteceu no passado e quão importante é o caminho que estou trilhando – Disse Marco, bebendo um copo de cerveja.

- Você não pode fingir ser quem não é para sempre, desisti desse manto de durão Marco, o que aconteceu no passado já passou e nada mudará aquilo. Ficar remoendo o passado não vai te ajudar em nada, por tanto desligue o modo DARK e vai da uns pega na Samurai-chan – Respondeu Kleiton, tomando cerveja num crânio de goblin.

- Ei não me venha dar sermão, você é igual a mim.

- Eu nunca fingir ser um cara durão, eu sou durão!!! Porque pra goblin precisa ser muito macho.

- Não, não estou falando disso, você quer me dar conselhos amorosos, mas nunca se confessou para Elisa, aquela garota é apaixonado por você e tu sabe disso.

- Eu não posso convidar Elisa pra sair.

- E por que? Você está livre para viver a vida do jeito que bem entender, mas prefere ficar preso a essa vingança sem sentido aos goblins, qual é Kleinton esquece isso e vai tomar sorvete com ela.

- As pessoas me chama de ‘’ O carinha que só mata goblins’’ Se Elisa fosse vista andando comigo, as pessoas iram começar a chamar ela de ‘’ A garota que namora o carinha que só mata goblins’’ E eu não quero isso pra ela.

- Olha, se ela realmente gosta de você, e ela gosta, ela não vai se importar com um título besta desses. Se você está tão preocupado com esse rotulo, venha trabalhar comigo e a Samurai-chan, nós vamos investigar uma cidade do reino anão que pode estar sendo atacada por alguma criatura abissal de alta batente. O lendário guerreiro, Seward Coração Flamejante, vai nos ajudar na investigação, o que me diz?

- Eu não sei – Kleiton olha para o balcão onde está Elisa, ele a encara por um bom tempo até que ela olha em sua direção e ele vira o rosto.

- Tudo bem, eu topo trabalhar com vocês, mas com uma condição, você não pode ligar o modo DARK.

- Ok, eu consigo segurar o meu lado frio e calculista.

Seguimos em direção ao balcão de missões, Elisa está atendo um grupo de novatos, com um belo sorriso no rosto.

- Aqui está uma missão perfeita para vocês – Disse Elisa, ao grupo de aventureiros.

- O QUE! Caça goblins? SÉRIO? Retrucou o cavaleiro, indignado.

Querida – Disse a arqueira, passando os dedos na longa trança azul de Elisa. – Nós acabamos de subir para a classe prata, caçar goblins é tarefa pra bronze lixo. Por favor nós de algo correspondente ao nosso atual nível, tipo matar um dragão.

- Sim, deixe esse tipo de missão inútil para o carinha que só mata goblins – Disse a maga, olhando o seu Grimório.

Aos poucos o sorriso gentil de Elisa foi sumindo, não aguentando mais ouvir aquelas reclamações, ela gritou, chamando assim à atenção de todos e logo em seguida disse.

- Primeiro, vocês mal saíram do bronze e já querem matar um dragão? Missões como essas são dadas a classe diamante para cima, quadro classe prata como vocês só iram encher a barriga do dragão.

- Segundo, esses goblins vem infernizando a vida dos moradores de uma vilarejo ao norte, eles vem a noite e sequestram os animais, comida, e até algumas crianças já foram levadas por eles.

- Toda missão é importante, lembrem-se não matamos monstros por diversão ou esporte, matamos apenas para nós defender. Há! Vocês sabiam que o carinha que só mata goblins é um aventureiro classe ouro?

Os aventureiros ficaram chocados com a descoberta, a maga até deixou o grimório cair.

- Agora parem de me aborrecer e vão logo ajudar o vilarejo.

- Hahahaha! Sinto pena de você Elisa, ter de aguentar esses aventureiros desesperados por fama e dinheiro, não sou muito diferente deles, mas pelo menos eu sou capaz de derrotar um dragão – Synth mostra o anel de Tanokhan.

- Incrível!!! Você conseguiu vencer os desafios da dungeon nível deus, sabe o que isso significa? Synth Vaporwave, você é oficialmente um Aventureiro classe Lenda, parabéns!

- Espera ai meu amor, ele não foi o único a realizar esse feito, dá uma olhada – Leopoldo estende a mão, como uma dama esperando o beijo de um cavaleiro. – Acho que isso faz de mim um classe Lenda também?

- Isso é verdade? Perguntou Elisa, duvidando da capacidade do pobre esqueleto, Leopoldo.

- Sim! Elisa, este é o meu novo companheiro de aventuras, Leopoldo Calisto Wice Khan Meritus Vazeluz Nordius Romanoff Argos Saco de ossos.

- Companheiro?! – Disse ela, surpresa. – Então você finalmente resolveu criar um novo grupo? Que noticia maravilhosa, fico feliz em saber que você conseguiu superar tudo.

- Não é bem assim, eu não disse nada sobre grupo, Leopoldo é um caso especial, esse esque- digo, esse rapaz é excelente com adagas, ele conseguiu até mesmo me vencer em um duelo.

- Incrível!

- É eu sou incrível mesmo e não foi tão difícil assim te derrotar Synth, posso fazer de novo a qualquer hora.

- Cala a boca, você só deu sorte.

- Desculpa de perdedor hahaha!

-Bem, sendo assim, parabéns Leopoldo você agora também é um aventureiro classe Lenda. Tudo que eu preciso agora é atualizar o seu cartão da guilda, você pode entrega-lo para mim?

- Quanto a isso, o Leopoldo não é um aventureiro de Kali de Rux.

- Não! Então de onde você é?

- Eu venho da Terra Encantada, mais precisamente da rua do ‘’ Magico do Bar’’ Quando não estava forjando espadas para ganhar dinheiro, eu e a explorar labirintos e masmorras, nunca tive interesse em me associei a uma guilda. Mas se possível, eu gostaria de fazer parte de Kali de Rux.

- Tá falando sério cara? Perguntou Synth, com um sorriso de canto de boca. – Olha, eu posso te levar nas dungeons comigo por isso caso você não queira, não precisa fazer isso.

- Está tudo bem, Synth, até agora eu era apenas um ferreiro normal que se aventurava de vez em quando, mas assim como você, eu acabei me apaixonando por isso. Elisa, eu quero me torna um aventureiro!

Elisa não disse nada, apenas olhou para Synth e pela cara feliz dele, ela pegou um cristal rosa preso a uma estrutura de ouro, com detalhes em prata e disse.

- Ponha a mão no cristal, ossudo.

Algum tempo depois.

- Pronto! Leopoldo, você é oficialmente um aventureiro de Kali de Rux.

- Meus parabéns, Leopoldo.

- Perai, aqui diz que eu sou um aventureiro classe bronze, eu não deveria ser uma Lenda?

- Hahaha! Não é tão fácil assim subir de nível meu amigo, acontece que independentemente das suas habilidades, todos os aventureiros começam na classe bronze e aos poucos vão subindo de rank; Bronze, Prata, Ouro, Diamante, Obsidia e por último Lenda.

- Me desculpe Leopoldo, se você tivesse registrado antes de completar a dungeon nível Deus, estaria agora na classe Ouro.

- Que droga!

- Não esquenta não, você vai subir de classe rapidinho comigo. Agora que você está registrado, vamos para a próxima masmorra.

- A proposito para onde vocês estão indo agora?

- Para um lugar que me traz boas lembranças de um passado a muito esquecido.

- O Inferno? Arriscou ela.

- Não, eu só estive lá uma vez e foi para pedir Ayala em casamento. Lugar bacana, mas tem muita gente ruim morando lá.

- Nós estamos indo para -

O reino de K’dali, governado por Hendriam II, também conhecido como ‘’ O rei de dez centímetros’’ Um apelido carinhoso dado pelas belas damas da casa de Baba Yaga. A casa de Baba Yaga é um lugar bastante conhecido por humanos e seres mágicos, é o ponto de encontro entre as duas raças. Os aventureiros cansados de tantas batalhas, entram na casa de Baba Yaga em busca de uma companhia agradável para passar a noite, eu já fui um desses. Lembro-me da primeira vez que entrei naquela enorme casa flutuante, não demorou muito para uma dama, de beleza angelical viesse ao meu encontro, se Ayla conseguisse ler meus pensamentos eu estaria morto agora.

Mas a história desse reino vai muito além dessa casa maravilhosa, a história de K’dali começa com o rei Hendriam I, era ele quem governava durante a guerra. Hendriam I tinha uma boa relação com as criaturas do mar, elas ajudavam o reino impedido desastres marítimos, e piratas de atacarem o reino, além de presenteando o rei com tesouros das embarcações naufragadas. Por conta disso ele se recusou a entrar na guerra, mas depois de se pressionada pelos reinos vizinhos ele não teve escolha a não se entrar, mas não da maneira como eles queriam. O rei compartilhava informações com os seres mágicos e dava informações falsas para os aliados, a traição de Hendriam I pesou para o lado dos humanos, que sofreram várias baixas durante esse período.

Hendriam I conseguiu manter o laço de amizade com as criaturas marinhas, mas pagou com a vida a traição que cometeu.

Hendriam II seguiu os passos do pai, ele mantem uma forte amizade com as criaturas marinhas até hoje. Mesmo a grande parte da população de K’dali ser composta por humanos, ele reconhecido como um reino de seres mágicos e como tal é inimigo dos reis humanos, que ainda guardam rancor da guerra.

A entrada da dungeon é bem distante do reino, tivemos que viajar por um dia inteiro. No outro dia, chegamos até uma gruta de água azul, a primeira parte da entrada. Andamos por mais um pouco até escutarmos o som de água caindo, mas para cima, a água subia do abismo sem fundo entre nós e a entrada da dungeon. Eu espero do fundo do meu coração que isso não seja uma dungeon aquática ou eu irei encerrar a minha carreira como aventureiro aqui.

Nós aproximamos da ponta do abismo, nesse momento o mapa brilhou, Leopoldo abriu o mapa e notou que nele tinha um novo texto.

‘’ - Não tema o abismo ou ele irá devora-lo, mantenha o coração sempre firme para não ser dominado pelo medo.’’

Era o que dizia o novo texto, seria isso uma mensagem destinada a mim? Em todo caso, Leopoldo deu um passo em direção ao abismo, as duas cascatas de água que subia pelas laterais tombaram na mesma direção formando uma ponte até a entrada da dungeon.

Leopoldo pulou em cima da ponte e não afundou nem um centímetro nela, era como se a água tivesse congelado, mas isso não fazia sentido pois eu conseguia ver nitidamente o fluxo da água, além de pequenos peixes passando por ela.

- Vem Synth, é seguro pode confiar em mim – Disse Leopoldo estendendo a mão para Synth.

Com uma expressão de medo em seu rosto, Synth excita.

- Não precisa ter medo, olhe para mim eu estou bem, nada vai acontecer. Confie em mim.

‘’- Ouvir isso de um esqueleto soa a mal pressagio’’

- Arf! Se está com tanto medo, porque não usa a coroa e vem voando.

- Bem lembrando, meu caro amigo hahaha! Eu estava lembrando ...

Eu tentei usar a coroa, mas ela não funciono. Não me resta duvidas, isso aqui é um teste de determinação, eu terei de superar o medo da água para continuar à aventura. Entretanto isso não é tão fácil, só de pensar em pisar nessa ponte minhas pernas tremem.

-E-e-eu não posso Leopoldo ... Me desculpe ... Esse é o fim da minha aventura.

- Você me ajudou na luta contra o Lich, depois matamos um carniçal gigantesco, enfrentamos goblins e trolls e vencemos todos, mas está com tanto de medo de uma ponte?

- Você disse que nós iriamos recolher todas as relíquias de Tanokhan. Vai desistir agora?

- Eu não consigo Leopoldo, a água é o meu ponto fraco. Vá adiante, eu irei espera-lo aqui.

- Não! Você é meu amigo, eu nunca irei te deixar para trás, afinal que graça teria explorar tudo sem você.

Leopoldo vai até Synth e após muita luta da parte do aventureiro, Leopoldo pega ele nos braços como se fosse uma noiva.

- NÓS VAMOS MORRER!!! Gritava Synth, com as mãos tampando os olhos. Enquanto Leopoldo corria em direção a ponte.

De repente Leopoldo para – Estamos vivos?

- Abra os olhos e descubra.

Bem devagar, eu tirei as mãos do rosto e vi, Leopoldo teve exceto em seus plano maluco, nós estávamos do outro lado.

Leopoldo coloca Synth no chão - Qual é o problema meu amigo, por que você tem tanto medo da água?

Synth nada disse, ele continuo a olhar para o chão, com uma expressão de desanimo.

- Pode contar, eu prometo guardar segredo.

- Eu ... Eu não sei nadar.

- Hum! Eu já desconfiava, mas isso é muito estranho, pensei que aventureiros como você estão preparados para qualquer situação. No entanto, você é fraco contra a água.

- Nem todo aventureiro precisa saber nadar ok, a maioria das dungeons ficam em terra firme.

- Tudo bem, tudo bem. É normal ter medo da água, eu mesmo conheço um Ouriço que morre de medo da água. Agora vamos continuar, temos uma dungeon inteira para explorar.

- Você não entendeu Leopoldo, isso foi um teste diretamente para mim, Tanokhan quer que eu supere o meu medo para assim prosseguir. Entretanto, de certa forma, eu trapaceie nesse teste e por isso temo que aja outros lá em baixo.

- Não se preocupe, meu amigo, eu cuidarei das fases em baixo da água. Além do mais, a ponte já sumiu, ou seja, você só pode ir para frente meu amigo.

Leopoldo estava certo, gostando ou não só há um caminho para seguir.

Abrimos a porta com o desenho de polvo e adentramos a dungeon, o primeiro corredor é longo, estreito e fede a peixe morto, pelas paredes escorre um pouco de sal marinho, durante o percurso não nos deparamos com nenhuma armadilha ou ameaça. No entanto, a sempre uma calmaria que antecede as tempestades.

No fim do corredor tem uma porta de ouro com o símbolo de caveira, bem parecido com Leopoldo por sinal, abrimos a porta sem cerimônia e nos deparamos com uma cena curiosa, um homem vestido de preto, usando cartola e segurando uma pá, em forma de morcego, na mão esquerda. O homem anda em direção a uma cova aberta, onde logo em seguida, joga o corpo do mineiro em seu ombro.

- Que porra é essa? Disse Synth.

O homem de preto escuta a voz de Synth e vira rapidamente para frente, em um movimento circula perfeito, com um sorriso no rosto ele diz.

- Seja bem vindos! Eu me chamo Lyde: O coveiro Ligeiro. E vocês estão no meu cemitério Muhahahaha!

- Será que esse cara é um aventureiro? Disse Leopoldo.

- Eu não sei, ele parece um cara normal pra mim, talvez deve ter entrado aqui por engano.

- Hum! E o que fazemos agora, batemos nele ou só ignoramos?

Antes que Synth pode-se responder, uma lapide voa em direção a sua cabeça, Leopoldo corta ela duas com a sua adaga. Nesse momento, a sala onde eles estão é alterada transformando-se assim em um verdadeiro cemitério cheio de túmulos.

- Isto aqui não é uma dungeon normal, Synth, eu sou capaz de pensar e agir sobre minhas próprias vontades. Esqueça os chefes da masmorra anterior, aquilo foi apenas a fase inicial onde costuma ter aqueles inimigos que tu mata com um hit, mas nós somos diferentes.

- Se é tão inteligente, então por que não foi embora dessa masmorra? Perguntou Leopoldo.

- Tanokhan me criou para proteger os seus tesouros, porém ficar aqui esperando os aventureiros é chato pra caralho, como um verdadeiro pai, ele sentiu o nosso descontentamento e fez um trato com a gente, caso conseguíssemos derrotar os aventureiros estaremos livres para ir embora da dungeon.

- Eu nunca vi algo desse tipo antes – Disse Synth.

- Provavelmente viu sim, sabe as lendas do mundo lá de fora? O cavaleiro do cavalo sem cabeça, o monstro de um olho só, o pássaro da meia noite, a árvore tagarela entre outras lendas, são todos chefes e mini chefes dessas masmorras.

- Então essa é a sua motivação para nós matar? Perguntou Synth, sacando a Darkwave.

- Não, não, não, eu não quero ir embora. Esse lugar é a minha casa e por isso ficarei aqui para protege-la, o que significa – Lyde bate com a ponta da pá no chão, ao seu redor surge várias lápides com rostos esculpidos na pedra, uma delas tem o rosto de um velho mineiro.

– Vocês morreram aqui!!!

Lyde começou atacando, com a pá ele arremessava as lápides em Synth e Leopoldo, destruir as lápides não é um grande desafio para os heróis, porém jogar pedras não é o único truco que Lyde tem na manga. O coveiro bate o pé no chão fazendo com que braços surgissem do chão para agarrar as pernas de dos aventureiros, Synth rapidamente corta as mãos, sinaliza para Leopoldo seguir pela esquerda e, parte em disparada pela direita.

Por onde Synth passava, mãos desabrochavam do chão, como rosas, mas nenhuma era capaz de pegar ele no ar, Lyde parou de jogar lápides a esmo e focou seu ataque em Synth, e era exatamente isso que ele queria, chamar atenção do chefão para que Leopoldo possa se aproximar em segurança, no entanto, as coisas não saíram como ele planejava. Lyde fingiu avançar para cima do aventureiro, com a pá, porém o coveiro deu um Dash para trás, pegou a lápide do mineiro e quebrou ela no peito de Leopoldo, Synth aproveita a brecha e consegue ferir Lyde no rosto, da ferida profunda em sua bochecha sai vários morcegos vermelhos, o coveiro colocou a mão no ferimento e deu alguns Dash para trás.

Synth correu em direção ao amigo, caído no chão.

- Leopoldo, vocês está bem?

- Argh! A notícia boa é que não estou sangrando, a ruim é que ele quebrou as minhas costelas favoritas, vou precisar descansar um pouco para me recuperar totalmente.

- Não temos tempo agora, o cara da pá entrou no modo 100% puto, acho que vai se transforma agora, dá só uma olhada.

A fúria de mil demônios reside nos olhos do coveiro, ele tira mão do ferimento com isso alguns morcegos saem, mas logo o ferimento é some.

- Como vocês ousam?! Eu tentei pegar leve com vocês, mas agora, AGORA EU QUERO AS SUAS ALMAS!!! TESTEMUNHEM O MEU PODER!!!

- RINGARADUM!!!

Com este grito ecoante todas as mão somem, de repente, a sala começa a tremer, o barulho ensurdecedor de asas batendo toma conta do lugar. Passado um curto período de tempo, os morcegos se acalma e a sala para de tremer, as mãos surgem novamente só que dessa vez segurando um cálice de ouro, com um líquido rosa brilhante dentro.

Lyde bebe o líquido rosa e começa se contorcer e gemer, aos poucos uma aura rosa começa a sair do seu corpo, pedaços da aura se desprendem do corpo do coveiro, criando pequenas bolhas que flutuam no ar.

Agora, blindado por essa poderosa aura, ele recolhe a pá do chão e diz, sorrindo.

- EU SOU A CRIATURA DA NOITE!!!

Lyde invoca fantasmas por toda a sala, dois fantasmas voam em direção a Synth, o primeiro consegue esquivar da Darkwave e passa direto, já outro é rasgado no meio.

- Vem afobado assim não.

- É hora de morrer, Synth!

Disse Lyde, saindo de dentro do fantasma rasgado, Synth tenta acerta-lo, porém Lyde consegue defender o golpe a tempo. O coveiro chuta a cabeça de Synth, o deixando completamente atordoado, em seguida, Lyde dá um Dash para baixo e empurrar a pá no peito de Synth, a lâmina em forma de morcego consegue atravessar o peitoral de titânio, mas não totalmente por isso Lyde joga Synth para cima e inicia uma sequência de golpes rápidos em seu corpo, como se estivesse usando uma Rapier, mas com um imenso poder destrutivo.

Enquanto Lyde destroça Synth, Leopoldo luta contra o fantasma que conseguiu esquivar do golpe de seu amigo, vendo aquela situação ele decide largar o seu oponente e parte ao socorro de Synth, Leopoldo possui uma velocidade anormal e logo chega até o coveiro, ele se prepara para cortar a cabeça de Lyde em um único golpe, porém o coveiro já esperava por isso e, antes de ser atingindo pela adaga de ouro ele avançou com a pá para cima do esqueleto.

Ambos atacaram ao mesmo tempo, à adaga de Leopoldo tirou uma casquinha de madeira da pá antes de atingir a lamparina na ponta do cabo, Lyde consegue fazer um corte superficial no Esternón de Leopoldo. Eles se preparam para mais um round, Lyde retrai o braço que segura a pá, pensa por um breve momento, segura a pá com a duas e tenta quebrar mais uma vez a caixa torácica de Leopoldo, porém o esqueleto consegue mudar a trajetória da pá com a palma da mão, logo depois ele faz vários cortes nos braços de Lyde, o forçando a soltar a pá.

- Game over, cara da pá.

Leopoldo gira à adaga na mão e lança o seu golpe, sem a pá em suas mãos é impossível Lyde usar um Dash para escapar, porém, Leopoldo havia se esquecido de algo. A adaga faz um corte na diagonal, cegando o olho esquerdo de Lyde, após receber o golpe o coveiro inclina a cabeça para trás, nesse momento Leopoldo aberta o cabo da adaga, preparando-se para abrir a garganta de Lyde, porém ele é impedido pelo mesmo fantasmas de antes, a criatura enrola-se em seu braço congelando-o.

Lyde pega a pá, dá para ver em seus rosto o desejo maligno de matar Leopoldo, porém ele resolve entrar dentro de um dos fantasmas e ir para longe, pois Synth, sem à armadura peitoral, com vários cortes no peito estava se aproximando.

Synth corta os olhos do fantasma que prendia o braço de Leopoldo, a criatura desaparece completamente.

- Leopoldo, você está bem?

- Brff! Sim, só estou com frio aqui.

- Ah! Perdão – Synth usa o poder da manopla para quebrar o gelo. – Agora está melhor?

- Sim, e você está bem? Lyde quase te transformou num queijo Suíço.

- Nha! Não se preocupe com isso, eu já tomei uma poção de cura, agora temos que nos preocupar em como vamos matar esse chefe, você deixou ele na merda, mas ainda não sabemos se ele tem uma terceira forma por isso é melhor não vacilar agora.

- Precisamos fazer algo em relação a esses fantasmas, Lyde consegue se teleportar dentro deles, mas esse não é o único problema, se esses fantasmas tocarem na gente ficaremos congelados. Eu cortei o olho esquerdo dele, destrocei seus braços e você o forcou a fugir antes que tivesse a oportunidade de acabar comigo, agora sua mente está tomada pelo desejo de nós matar.

Synth retira um frasco redondo de vidro do saco infinito. – Aqui, beba a água revigorante para podermos continuar. Podemos usar toda essa raiva ao nosso favor, mas temos que tomar cuidado com os seus golpes, a partir de agora ele vai vim com tudo para nós matar. Ele é muito rápido e forte, mas tem pouca resistência, um golpe bem dado e vencemos. Deixe os fantasmas comigo, eu já pensei em um plano, tudo que você precisava fazer é continuar lutando e provocando ele, isso é muito importante para a nossa vitória.

- Vamos mata-lo de raiva?

- Hahaha! Não, meu plano é um pouco mais complexo por isso quero que você escute com atenção.

Lyde cobre o olho com uma das mãos, seus braços estão encharcados de sangue devido aos ferimentos causados por Leopoldo, enquanto os aventureiros conversam, o coveiro aproveita para se curar. As bolhas rosas, criadas pelos pedaços de aura que se soltam do corpo de Lyde, se acumulam nos ferimentos em seus braços aos poucos elas regeneram o coveiro.

Braços curados, agora Lyde foca o seu poder de cura no olho esquerdo, porém, ao olhar para os aventureiros novamente, eles aviam destruído todos os fantasmas ao redor, além disso Synth havia sumido restava apenas Leopoldo.

Um pouco preocupado, mas ainda assim com o olhar de ódio, ele pergunta - Onde está Synth?

- Ele seguiu em frente, eu sou mais que o suficiente para te derrotar.

- IMPOSSÍVEL! As salas são trancadas durante as lutas e só abrem quando eu morro.

- Se esqueceu que essa não é a nossa primeira dungeon, Synth ganhou uma relíquia que lhe permite pular chefes insignificantes como você, eu poderia ter ido com ele, porém eu não posso deixar alguém fraco como você vivo.

- CALA-SE!!! Esqueleto maldito, eu darei conta de você assim que encontrar o seu amigo – Lyde olha em volta e não encontra Synth.

- Desista, ele já se foi só tem eu e você nessa sala, anda logo eu quero acabar com você rápido.

- NÃO PERTUBE OS MEUS PENSAMENTOS ESQUELETO DESGRAÇADO, tem algo de errado aqui, Tanokhan nunca criaria esse tipo de relíquia, você está mentindo!

- Se eu estou realmente mentido, então onde está Synth?

Lyde se contorce de ódio, seu peito arde em uma fúria incontrolável para dar fim a vida de Leopoldo, porém ele teme que isso tudo faça parte de uma armadilha e por isso não avança ferozmente pra cima do esqueleto. Os dois ficaram em um profundo silêncio, se encarando, até que Lyde escuta o som de morcegos se mexendo no teto, ele rapidamente olha pra cima certo de que encontrar Synth, porém tudo não passava de dois morcegos brigando.

- Achou que ele estava no teto HAHAHAHA! Por favor, se está tão desesperado para encontrar Synth, venha me enfrentar! Mate-me e estará livre para persegui-lo, mas devo avisar que isso nunca irá acontecer pois você é fraco.

Ouvir aquilo deixou Lyde ainda mais irritado, ele apertou sua mão esquerda com tanta força, que acabou cortando a palma da mão com as unhas, agora com a mão escorrendo sangue ele chama os fantasmas. Lyde destranca a porta que leva para o próximo estágio e manda todos os fantasmas atrás de Synth.

- Hum! Que ideia idiota, Synth deu conta desses fantasmas antes o que te faz pensar que agora vai ser diferente?

- Hahaha! Patético.

Isso foi o estopim para Lyde ficar cego de ódio, mesmo com o olho esquerdo ferido ele segurou a pá em suas mãos e avançou em linha reta até Leopoldo. O aventureiro não se intimidou e assumiu uma pose de batalha.

- MORRA! ESQUELETO!!!

O choque das duas armas se chocando criou uma pequena onde vento, Lyde começou a atacar descoordenadamente Leopoldo, que conseguia bloquear facilmente os golpes do coveiro. Lyde usa a pá como se você uma lança, ele está tentando jogar Leopoldo pra cima assim como fez com Synth, porém o esqueleto mostra a sua técnica fenomenal de esquiva, entre um golpe e outro o aventureiro consegue fazer pequenos cortes no rosto e braços de Lyde, o que deixa o coveiro ainda mais irritado. Em um momento de descuido, Leopoldo é atingido pela pá e acaba perdendo mais duas costelas, mas isso nem de longe é o suficiente para saciar a sede de sangue do coveiro.

A batalha perdura sem previsão de quando irá acabar, Lyde continuar a atacar com uma força implacável, enquanto Leopoldo começa a ficar cansado, ele já não esquivar com tanta facilidade dos golpes. Aproveitando uma brecha no ataque de Lyde, Leopoldo tenta corta o outro olho do coveiro, porém ele é surpreendido por um ataque surpresa, Lyde gira a pá como se fosse um bastão e joga a adaga para longe de Leopoldo, em seguida o coveiro joga Leopoldo no ar.

- Está luta acaba agora!

Antes que Lyde pode-se dar o último golpe, um saco de moedas cai do olho de Leopoldo e escorrega pela lâmina em forma de morcego.

- AGORA SYNTH!!!

De repente, um braço, segurando uma espada sai do saco de moedas e decapita Lyde, ao cair no chão o resto do corpo sai do saco de moedas revelando ser Synth.

Synth embainha a Darkwave - Você estava certo, a luta acabou e nós vencemos. 

Compartilhar: