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Esqueceu a Senha?

Capítulos (2 de 19) 23 Jul, 2019

Esqueletos, Carniçais e Goblins - parte 2

Nós descansamos um pouco na sala do tesouro, depois de recuperar as forças seguimos pela passagem secreta que fica atrás do trono do rei, essa passagem leva para o segundo andar. O lugar é muito convidativo, repleto de carcaças de animais e ossos humanos, além de um cheiro de podridão no ar, um lugar perfeito para os carniçais. Andamos por cada corredor com extrema cautela pois os carniçais costumam atacar em bando e com força total como uma alcateia de lobos, mas o problema de verdade está nas garras e não nos números.

Segundo o bestiário, as garras de carniçais são iguais a lâminas de aço, devido a imundice em que vivem eles são imunes a veneno, mas isso não os impedem de envenenar e passar doenças com suas garras, o veneno começa a ter efeito cinco segundos após o ferimento, e infelizmente porções de cura normais não são capazes de retirar o veneno.

Esse segundo andar vai dar muito mais trabalho do que o primeiro, pelo menos eu não preciso me preocupar no caso de Leopoldo ficar envenenado. Tudo corria bem, até o momento em que escutamos um uivo vindo das nossas costas, era um carniçal, logo em seguida surgiram mais dois na nossa frente.

- Droga fomos encontrados – Disse Synth, sacando a Darkwave de frente para os dois carniçais.

Leopoldo fica de costas para Synth e retirar a adaga da cabeça – Pô, Logo agora que eu tava começando a curtir o modo stealth.

- Prepare-se! Eles vão atacar juntos.

O carniçal arremessa um crânio na direção de Leopoldo, porém ele consegue cortá-lo facilmente com a sua adaga, os outros dois carniçais lançam um rugido ensurdecedor e partem para cima de Synth, ele então voa utilizando a coroa e crava a espada na cabeça do primeiro carniçal, pousa atrás do outro e tenta cortá-lo ao meio. Entretanto, a fera consegue bloquear o ataque com as garras. Leopoldo inicia uma sequência de golpes tão rápidos que quebram as garras do carniçal, a fera grita de dor e nesse momento Leopoldo chuta a boca do monstro, com tamanha força que desloca o maxilar da besta, logo em seguida ele esfaqueia o peito do monstro o matando.

Leopoldo levanta-se com um ar de vitorioso, mas ao olhar para trás ele treme de medo, o Carniçal havia arrancado um pedaço do braço de Synth.

- Synth!!! – Gritou, correndo em direção ao amigo.

- SE AFASTE – Retrocou, com ódio. – EU VOU PEGAR MEU OMBRO DE VOLTA.

Synth troca a espada de mão rapidamente, logo em seguida ele joga o sangue do seu braço nos olhos do carniçal, a criatura perde a visão e começa a andar para frente em direção de Synth, atacando as cegas. Synth costuma utilizar as duas mãos para brandear a espada, mas dessa vez ele só pode contar com a sua mão esquerda. Foi então que em um golpe ele cortou as mãos da criatura, seguido da sua barriga e por fim, a sua cabeça.

Synth derruba sua espada e cai de joelhos no chão logo em seguida.

- Argh! Rápido Leopoldo, abra a minha mochila e pegue um livro negro.

Desesperado por causa da situação, Leopoldo não hesita em pegar o livro o mais rápido que pode. Ele encontra o livro do lado da garrafa de leite vazia, um livro grosso de capa dura e preto como carvão.

- Aqui toma.

Synth abre o livro e pega uma página em branco, logo em seguida ele fecha os olhos, se acalma, controla a respiração e diz – Primeira benção: Cura. – Ao dizer essas palavras, um símbolo dourado aparece no papel, ele então coloca-o sobre o ferimento, uma luz intensa toma conta do corredor, Leopoldo até coloca as mãos nos olhos. A luz fenece trazendo o ombro de Synth de volta.

- Que bruxaria é essa, mano?

- Arff! Arff! Haha! – Synth pega outra página em branco. – Isso é uma ‘’ Pena de anjo’’ um item de cura raro.

- Você tem uns brinquedos estranhos, como conseguiu isso? Teve que depenar algum anjo?

- Não, o vendedor da minha guilda fornece esse item por cem moedas de ouro e uma de prata.

- Caro.

- Pra caralho, mas esse preço é compreensível pois para fazer uma ‘’ pena de anjo’’ dá trabalho. O processo é semelhante ao do vinho, um sacerdote pega páginas de uma bíblia sagrada e joga na água benta, daí, é só esperar as páginas ficarem brancas e pronto, você tem uma ‘’ pena de anjo’’ Novinha, pronta para curar ou para infligir um dano massivo em vampiros e mortos – vivos, uma arma mais eficiente do que alho e estacas de madeira.

- Ótimo, quem sabe no futuro a gente tenha que enfrentar o Drácula. Você tem quantas penas?

Synth folheia o livro a procura de mais penas, mas infelizmente não caiu nenhuma.

- A um minuto atrás eu tinha duas, agora só restou essa.

Leopoldo coloca as mãos na cabeça – Isso é mal, uma única pena para nós dois.

Synth olha para Leopoldo, com um olhar cético.

O esqueleto se levanta - Tudo bem, não precisa se preocupar, eu abro mão da pena.

- Obrigado pela sua benevolência.

Synth pega a Darkwave do chão e guarda na bainha – Para onde onde vamos agora?

- Bom, segundo o mapa, se a gente entrar no corredor da direita, depois ir para o da esquerda e seguir em frente até o corredor da direita, nós vamos dar de cara com uma sala igual àquela do rio.

- Presumo que a sala do chefe fica perto dessa, estou certo?

- Exato. Em breve vamos enfrentar o líder do andar, tá pronto?

-Depois de uma ótima noite de sono eu vou estar.

Seguimos até a sala de descanso sem interrompimentos, o local parece uma réplica do anterior, achei alguns gravetos perto do rio, felizmente eles não estavam molhados. Fiz uma fogueira para afastar a escuridão tenebrosa, peguei um pedaço de queijo e uns biscoitos de sal da mochila. Leopoldo sentou-se de frente para mim, o olhar vazio do seu rosto queria me dizer algo, algo que capitei um pouco atrasado.

Synth fez um pequeno sanduiche com o biscoito e queijo - Quer um pouco?

Leopoldo retira o queijo e pega os biscoitos – Odeio queijo, ele fede e é amargo.

- Mas ele é feito de leite.

- Não, não, Leite é doce, isso aqui é amargo e fedorento.

- Tudo bem, sobra mais para mim.

- ... Mas e ae, você tem algum sonho, Synth? Perguntou, se deitando de lado no chão.

- Sonho? Não, esse papo de ‘’ Eu quero ser o melhor espadachim do mundo’’ ou ‘’ Quero me torna rei’’, é coisa de jovem e eu odeio jovens. Desde criança eu desejava apenas ter uma família, e consegui.

- Hum! Meu amigo, existe algo pior que os jovens, velhos que se acham jovens. No prédio onde eu moro tem um exemplar perfeito, um velho de quarenta anos chamado Otacu, metido a mago, mas não consegue nem tirar um coelho da cartola.

- Eu também não tenho sonhos, falei isso só para puxar assunto mesmo ... Nesse mundo não tem espaço para sonhos... Mas, mudando de assunto, como você conheceu a sua esposa?

Synth ajeita o fogo com um galho.

- Ah! meu amigo, essa é uma história longa e complicada, mas muito bonita também. Por isso deixarei para contá-la na presença do meu grande amor.

- Você ... Pretende me apresentar a sua família? Mesmo eu sendo metade monstro, você ainda me vê como um humano, obrigado Synth.

- Hahaha você é só ‘’meio monstro’’, já a minha esposa é completamente.

- ... Ela é tão feia assim?

- Não, não, eu quis dizer que ela é um monstro.

- Ahn?! Então além de matar você transa com monstros.

- ... É verdade ... Nunca parei pra pensar dessa forma.

- Você vai ficar maluco quando souber quem ela é, mas para isso acontecer nós temos de sair vivos daqui e com os bolsos cheios de ouro.

- Hahaha! você nunca se esquece do ouro.

- Claro que não, é justamente isso que me torna um excelente aventureiro.

Leopoldo começa a bocejar.

- Eu também estou com sono, acho melhor irmos dormir logo. Boa noite.

- Boa.

No outro dia, Synth acordava novamente com o barulho de patos passando pelo rio, mas dessa vez tinha algo diferente com a família de patos, porém Synth não sabe exatamente o que é.

- Finalmente acordou, dormiu bem? - Perguntou Leopoldo, fazendo agachamentos.

- Como uma pedra ... Cara, da última vez passaram sete patinhos pelo rio, não foi?

- Sei lá, eu não presto atenção no mundo a minha volta quando estou fazendo exercícios. Deve ter sido sete mesmo, como na música.

- ... Eu tenho certeza que eram sete, mas agora só tem cinco, o que será que aconteceu com os outros?

- Provavelmente foram devorados, como na música.

- Espero que não, eu gosto de patos.

- Tem algum motivo especial para a gente estar falando de patos?

- Não, só fiquei um pouco preocupado com a mamãe pato e os seus filhotes, mas já passou. Agora vamos nos preparar para o chefão.

Assim como no primeiro andar, a porta da sala é gigantesca e feita de madeira, ao abri-la, nos deparamos com uma montanha de ouro misturado com cadáveres, provavelmente dos aventureiros que vieram antes. Da montanha escorre um líquido verde que cai dentro de um quadrado no meio da sala.

- Ué, cadê o monstro? - Perguntou Leopoldo, sacando sua adaga.

- Haha! deve ter fugido de med-

Antes que Synth pudesse termina de falar, gigantescas lanças saem de dentro da montanha em direção a eles, Synth voa para esquivar e rapidamente saca sua espada para repelir as barras de ouro que voam em sua direção. Passado o susto inicial, o aventureiro volta sua atenção para Leopoldo, o esqueleto havia se agachado para escapar do ataque. O que os quase atingiu não foram lanças, mas sim garras sujas de sangues. Aquilo era um braço gigantesco que se estendia até a montanha, e como uma serpente se esgueirando à noite, o braço volta para dentro da montanha de ouro.

- Tudo bem, Leopoldo?

- Sim, eu me abaixei na hora certa.

De repente a montanha começa tremer e crescer, o ouro caia enquanto uma presença tenebrosa tomava forma, um carniçal gigantesco surge diante dos aventureiros. Synth e Leopoldo não se intimidam e partem para cima do monstro. Leopoldo ataca as pernas da criatura enquanto Synth voa em direção aos olhos. A criatura é colossal, porém lenta. Synth aproveita essa desvantagem e consegue desviar das garras do monstro. Em seguida, ele corta o olho esquerdo do carniçal, o monstro grita de dor enquanto inclina sua cabeça para trás. Sem perceber Synth estava em cima da boca da criatura, que começa a sugar o ar com a intenção de engolir o aventureiro. Synth firma os seus pés em cima dos dentes pontudos do monstro e resiste bravamente, entretanto, a criatura move a sua mão em direção ao rosto.

Synth não tinha escapatória, ele morreria devorado ou esmagado, era apenas uma questão de tempo. Porém, o aventureiro não se desesperou, no calor da batalha ele viu uma saída improvável, com sua espada em mãos ele cortou o queixo do monstro fora e escapou pelo corte, além disso, Synth cortou pela metade o pulso da criatura, porém esse foi o seu maior erro, do ferimento jorrou sangue em seu rosto cobrindo-lhe os olhos e o impedindo de ver a outra mão vindo em sua direção. Synth foi arremessado contra uma pilastra e no impacto deslocou o ombro.

O carniçal, mesmo cego de um olho e com a mão quase caindo, vira-se em direção a Synth, mas o aventureiro ainda não desiste, ele pega a mochila e retira uma esfera de cristal. A fera colossal ruge e se prepara para matar Synth, mas no meio do caminho, a criatura solta um grunhido que vai ficando cada vez mais baixo, até ele parar de se mover e cair no chão. De baixo do pescoço da criatura, sai Leopoldo sujo de sangue. Durante a luta de Synth, Leopoldo escalou a criatura e cortou o seu pescoço de orelha a orelha, ceifando a sua vida.

O esqueleto gira a adaga para retirar o sangue e à coloca na cabeça em seguida.

- Tudo bem aí, meu consagrado?

- Argh! Sem tempo para brincadeiras, rápido me ajuda a colocar o ombro no lugar certo.

- Qual é o seu problema com ombros?

Synth deita-se de costas no chão, Leopoldo segura sua mão e puxa com firmeza o braço colocando-o no lugar. O aventureiro rapidamente toma uma poção vermelha para amenizar a dor. A esfera de cristal que Synth estava segurando caiu no chão e quebrou, dela surgiu um sinalizador bem embaixo dos pés de Leopoldo.

- Mas que merda é essa?

- Isso era a minha rota de fuga se você não tivesse matado o monstro a tempo. Te devo uma, Leopoldo.

- Pode ter certeza que vou cobrar. Mas como você pretendia usar isso?

- Bem, eu só ia atirar mesmo.

- Só isso?

- Eu sou um homem simples cara, não consigo pensar em planos mirabolantes a beira da morte. Se o básico tá funcionando porque inventar?!

- Entendo. Cara depois dessa eu preciso de um banho, meu corpo todo está sujo de sangue de monstro. Arrgh! Me sinto nojento.

- Concordo, mas antes –

O cadáver do carniçal se desfaz em poeira. Ao se aproximarem, Leopoldo e Synth encontram duas manoplas de prata e um mapa contendo as informações dessa nova relíquia. As manoplas de Kozure Itto, elas concedem força sobre-humana ao portador, e, quando sujas de sangue seu poder é amplificado, uma arma perfeita para monges e lutadores. Além disso, as manoplas são indestrutíveis o que torna elas um excelente escudo contra espada, machados, lanças e armas brancas em geral.

- Bom, mesmo eu tendo feito grande parte do trabalho, foi você quem finalizou o chefe. Portanto, é mais do que justo que você fique com as manoplas, Leopoldo.

- Obrigado, por ter reconhecido todo o meu esforço.

Leopoldo coloca a manopla, porém ela fica gigante na suas mão, o que pode dificultar sua habilidade com adagas, pois ele mal consegue fechar a mão.

O esqueleto retira a manopla e dá para Synth – Pode ficar. Acabei de lembrar porque eu não gosto de armaduras.

- Quanta gentileza da sua parte. Mas e aí, esse mapa tem algo de diferente?

- Não, são as mesmas coordenadas do anterior, talvez só exista três dungeons dessa.

- Ou um mapa para cada, pense. Entregar a localização de todas em um único lugar não seria divertido, mas ir avançando de dungeon em dungeon procurando por relíquias e mapas me parece muito mais interessante.

- Você tá mesmo animado, se a sua teoria estiver correta pode apostar que haverá outros em busca das relíquias, aventureiros muito bem equipados e prontos para o combate.

- Eu estava pensando sobre isso. Particularmente, eu não gosto de lutar contra outros aventureiros, isso me deixa mal e passa a impressão de que somos bandidos lutando pelo o que acabamos de roubar, mas, a minha Darkwave não escolhe suas vítimas, ela apenas mata.

- Hum! Ótima resposta, sniff! Sniff! Argh! Cara, a gente precisa de um banho, esse cheiro horrível vai atrair mais monstros.

Os dois decidem voltar para a sala de descanso. Chegando lá, Leopoldo pula dentro do rio e molha os sapatos de Synth, o esqueleto passa a mão no crânio como se estivesse lavando o cabelo, ao olhar para trás ele vê Synth retirando peça por peça da sua roupa exceto a coroa e as manoplas, o aventureiro põe a pontinha do pé no rio e sente calafrios.

- Eh, não vai da não, a água tá muito fria para mim.

- Sério? Eu não tô sentindo nada. Deixa de frescura cara e pula no rio, você precisa tirar esse cheiro de sangue do seu corpo – Leopoldo joga água em Synth.

Synth continua relutante, aos olhos de Leopoldo parecia que Synth temia mais o pequeno rio do que o Carniçal gigante que acabara de derrotar – Você ... tá com medo?

- Não!!! – Respondeu de automático, Synth respirou fundo e pulou no rio com os olhos fechados, ao abri-los novamente a frustração tomou conta do seu rosto seguido de alivio e raiva, o rio é bem raso que mal dá para cobrir as pernas de Synth por inteira.

- Hahaha! O rio raso te deixo em pânico?

- Vai se foder.

- Calma meu amigo, vamos relaxar, pois em breve enfrentaremos o último chefe.

- Goblins!

- Exatamente, acha que vamos ter grandes problemas com essas criaturinhas verdes?

- Pra começar que goblin não pode ser considerado chefe, o próprio abismo rejeitou eles por serem feios demais.

- Hahaha eu conheço essa história, quando Virdofiss terminou o molde de lama dos goblins ele ficou emocionado com tanta beleza, dizem até que os goblins seriam as criaturas mais belas se Virdofiss não tivesse espirrado no molde antes de lhe soprar vida.

- Bonitos ou não, os goblins são ardilosos atacam em bando e fazem armadilhas, há um tempo atrás eu conheci um aventureiro que caçava apenas goblins, o nome dele é Kleiton: O mata-goblin. Ele me disse que os goblins conseguem enxergar ouro no escuro e sentir o cheiro de joias preciosas.

- Isso é bem interessante, vou tomar um deles como escravo.

Synth se levanta – Não vai funcionar, o próprio Kleiton tentou usar essa estratégia, os goblins se recusam a trabalhar para os outros eles preferem se matar do que ajudar alguém. Agora vamos embora, já passamos tempo demais aqui.

- Que saco, estava tão esperançoso de que iria fazer uma grana fácil.

- haha ... – Synth exercitas os seus músculos, ele se sente revitalizado e pronto para mais combates, a água do rio curou totalmente a sua fadiga.

Leopoldo olha tudo aquilo com estranheza, Synth percebe e para.

- ... Vamos lá Leopoldo, tem muito mais tesouros nos aguardando lá embaixo. 

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