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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 19) 23 Jul, 2019

Esqueletos, Carniçais e Goblins - parte 1

O aventureiro sente algo pontudo cutucando o seu peito, ao abrir os olhos e retirar a coberta ele vê o objeto pontudo, trata-se dos chifres espirais da sua esposa. O aventureiro faz um cafuné na esposa e sai da cama, lava o rosto na pia do banheiro, depois abre o guarda-roupa e arruma-se para partir. Mas, antes que pudesse segurar a maçaneta da porta, uma argola de luz dourada surge em seu pescoço e o arrasta de volta para a cama.

- Vamos brincar mais um pouco, ainda é cedo para partir, meu amor – Disse ela, um pouco sonolenta.

O aventureiro consegue retirar a argola com as próprias mãos – Argh! Desculpe querida, a aventura clama meu nome. Por que não vem comigo dessa vez? Vai ser legal, eu prometo.

- Hmmm! Enfrentar um bando de monstros xexelentos dentro de uma masmorra escura e fedida?! Não, valeu, eu prefiro ficar deitada bem aqui.

- Os seus pais disseram a mesma coisa sobre mim – O aventureiro se aproxima da sua esposa, com um sorriso pretensioso no rosto.

– Mas mesmo assim você insistiu em casar com este monstro xexelento.

A esposa agarra o pescoço dele – Eu nunca largaria o monstro que roubou meu coração – Logo em seguida, ela o beija.

- Desse jeito eu vou acabar desistindo.

- É esse o meu objetivo.

O aventureiro se levanta da cama.

- Prometo voltar o mais rápido possível, meu amor. É uma masmorra curta que ainda não foi explorada, deve levar no máximo uns nove dias.

- Tempo demais! – A esposa cria outra argola, porém dessa vez o aventureiro consegue desviar e sai correndo do quarto.

Após um logo dia de viagem, o aventureiro chega ao seu destino.

Ainda não sei porque Elisa insistiu em me dar essa missão de ranque D, essa masmorra não aparenta ter nenhum grande desafio. No entanto, essa região, a floresta de carvalhos negros que esconde a masmorra, ela tem uma bela história de trapaça. Tudo começou com o príncipe Otavio, o arrogante, mimado e inútil príncipe de Zerdorm, também conhecido como o príncipe grilo, essa alcunha lhe foi dada por causa do seu porte físico, o príncipe adorava sair à noite para gastar o dinheiro da coroa em bebidas e prostitutas. Certo dia, ele resolveu ir em uma taverna de renome que ficava no reino vizinho, a bebida era de primeira e as mulheres pareciam verdadeiras deusas gregas, depois do oitavo copo de vinho.

Mas o que chamou atenção do príncipe não foram as mulheres ou o vinho, mas sim um homem que estava jogando cartas, o homem não conseguia ganhar nenhuma partida, vendo aquilo o príncipe pensou em tirar vantagem do pobre homem. Otavio puxou uma cadeira e começou a jogar. Mesmo não sabendo jogar direito ganhou toda. O homem desesperado lançou sua última carta: tudo ou nada, se o príncipe ganhasse a próxima partida a vida do pobre homem seria dele para fazer o que bem entendesse. Entretanto, se ele perdesse, o homem ficaria com tudo.

O príncipe aceita o desafio e perde, todos riem do pequeno grilo ganancioso. Humilhado e com raiva, Otavio desafia o homem para o tudo ou nada, ele aceita o desafio e vence novamente o príncipe. Otavio fica sem chão, a sua vida agora pertence a um homem desconhecido, porém, muito importante para essa história. O tal homem é ninguém menos que Niska o príncipe de Far’kust.

Otavio revela quem é de verdade e faz uma nova oferta, ele dará duas vezes o peso de Niska em ouro caso ele desista da aposta, mas Niska recusa.

-‘’ O que você quer? Eu posso te dar qualquer coisa.’’

Foi nesse momento que Otavio caiu nas garras de Niska. O príncipe de Far’kust armou tudo para que Otavio ficasse sem saída, o que Niska tanto desejava era a floresta de carvalhos. Após contar toda a história para o seu pai, o rei de Zerdorm tinha três escolhas. Não pagar a aposta e ficar mal falado, ceder a floresta de carvalhos pacificamente para Niska ou deixar seu filho ser levado como escravo. Por mais que Otavio merecesse uma punição, ele deu a floresta para Niska.

Esse evento parece irrelevante e sem graça, assim como essa dungeon. Entretanto, foi graças a essa floresta que os soldados de Far’kust conseguiram invadir o reino de Manzir durante a guerra pelos cristais de Oblivia.

- Eh! Pelo que parece esse lugar só tem de legal a história mesmo – Disse o aventureiro, desanimado.

Ao virar o corredor, ele se depara com uma cena que o deixa intrigado. Um esqueleto com uma adaga de ouro enfincada no crânio, lutando contra três esqueletos de armadura.

- Qual foi galera – Disse o esqueleto. – Eu considero todos vocês meus irmãos, larguem suas armas e vamos tomar um bom copo de leite para esquecer tudo isso, o que me dizem?

Os esqueletos com armaduras se encaram e partem pra cima logo em seguida.

- *Tsk* tudo bem.

O esqueleto do meio desfere um golpe direto com sua espada, que é repelido facilmente, logo em seguida o esqueleto da adaga arranca o crânio do inimigo com um único golpe de espada, ele pega o crânio e joga no esqueleto da esquerda, o inimigo cai com o impacto. O esqueleto da direita se antecipa e dá uma escudada, o esqueleto da adaga é arremessado na parede, porém ele não se deixa abalar, segurando a espada com as duas mãos, ele esquiva da poderosa maça inimiga e crava a ponta da lâmina onde um dia foi um olho. Logo em seguida, com a espada ele faz um corte vertical para cima e finaliza cortando o crânio fora. O esqueleto vira-se rapidamente, pois ainda restava um inimigo, mas ao olhar para a esquerda ele ri, o esqueleto jogou o crânio tão forte que arrancou a cabeça do inimigo.

- Hahaha! Dessa vez vocês perderam a cabeça, hein!

O esqueleto sente a presença de alguém se aproximando, porém já era tarde, ele agora está no alcance da lâmina negra do aventureiro.

- Um esqueleto que fala e mata seus semelhantes ... Interessante, vir para essa dungeon não foi uma total perda de tempo.

- Quem você tá chamando de esqueleto? Ah! Deve ser aqueles ali, eu estava andando tranquilamente por aqui quando esses caras tentaram me matar, provavelmente a mando de alguém ... Bom, é isso aí, eu já vou indo. Até mais, aventureiro.

- Não tão rápido, meu amigo – O aventureiro passa à frente, com a espada em mãos.

- Posso dá uma olhada nessa adaga?

- Que adaga?

- Está enfincada em seu crânio – O aventureiro aponta com a espada.

O esqueleto apalpa a cabeça até encontrar o objeto.

- Foi mal, mas não vai rolar, essa adaga me pertence assim como tudo em meu corpo.

- Então vou ter que pegá-la à força!

O esqueleto segura a espada para baixo, mantendo o braço um pouco afastado - Está me convidando para um duelo?

- Vamos dizer que sim hahaha, aceita?

- Mas é claro, eu, Leopoldo Calisto Wice Khan Meritus Vazeluz Nordius Romanoff Argos Saco de ossos, aceito o duelo.

- Se eu perder lhe darei a adaga sem hesitar, mas se eu ganhar, você .... Qual é o seu nome mesmo?

- Hahaha acabei esquecendo de me apresentar, prazer, Synth Vaporwave ao seu dispor.

- Hm! Que nome sonoro.

- Obrigado.

- Pois bem, Synth Vaporwave, caso você perca o duelo, não não não, quando você perder o duelo, você vai me ajudar a derrotar o rei esqueleto. Alguma objeção?

- Nenhuma, você é um esqueleto, um homem bem confiante, mantenha esse espirito mesmo depois da derrota eminente, ok?

Synth guarda a sua lâmina na bainha e pega a espada que o esqueleto de armadura estava usando.

- Usarei essa daqui para te dar alguma chance de vitória.

- Hahaha não me subestime, Synth.

Os dois se encaram por um breve momento, logo em seguida Synth inicia o combate com um sequência de golpes rápidos de cima para baixo, Leopoldo espera o momento perfeito e faz com que a espada de Synth escorregue pelas costas da sua mão esquerda, em seguida, Leopoldo lançou um golpe de espada na horizontal, fazendo um pequeno rasgo nas roupas de Synth. O aventureiro chuta as costelas de Leopoldo, o impacto arremessa o esqueleto na parede, mas ele continua inteiro. Synth fica impressionado com a tenacidade do esqueleto, o aventureiro continua a série de ataques pressionando o esqueleto na parede e foi nesse momento que algo inesperado aconteceu, Leopoldo chuta a barriga de Synth, ele sente o ataque e se retrai, após isso ele esquiva pela direita e lança outro golpe na horizontal, porém dessa vez Synth deflete o ataque.

Em seguida, ele enfia a espada na mão que Leopoldo segura a dele e força ele a abrir, Leopoldo derruba a espada e avança para cima de Synth segurando algo na outra mão, o objeto faz um pequeno corte no pescoço do aventureiro, ele então toma conhecimento de que aquele objeto nada mais é do que a adaga de ouro. Leopoldo havia retirado ela da cabeça no momento em que chutou a barriga de Synth.

- Hehe você lutou bem Synth, mas eu tinha certeza que ganharia no final.

- Eu perdi?! ... Hahaha tudo bem, obrigado pela ótima luta Saco de ossos.

- Disponha, sempre que quiser apanhar é só falar, agora vamos matar o rei esqueleto.

- Por qual motivo você deseja matá-lo? Pensei que ele era, tipo, o seu pai.

- Independentemente da sua resposta, eu prometo cumprir minha promessa.

O esqueleto olha sobre os ombros para Synth e diz.

- Para roubar o tesouro dele, é óbvio.

Synth sorri – Hahaha parece que vamos nos dar muito bem.

- Eu tenho a mesma impressão.

Os corredores dessa dungeon estão repletos de esqueletos com armadura, ver Leopoldo lutando contra eles é muito engraçado pois esqueletos não possuem pontos vitais, fazendo com que a luta dure uma eternidade. O meio mais rápido para matar um esqueleto é acertando sua cabeça, é lá que está concentrada a magia que os mantém ‘’vivos’’ Maças, machados, martelos e marretas são armas perfeitas para essa dungeon. No entanto, eu não sei se isso vai funcionar com o Rei Esqueleto, nunca me deparei com tal criatura, mas levando em conta o fato de ele ser o rei dessas criaturas, provavelmente, deve ser um Lich e se o meu palpite estiver certo. Synth segura o cabo da sua espada. A minha querida Darkwaves dará conta do recado.

Após uma sequência quase interminável de combates, nós conseguimos chegar na sala do rei esqueleto. Uma gigantesca porta de madeira é o que nos separa do rei esqueleto, mas no momento algo me chamava a atenção, Leopoldo, um esqueleto, estava cansando e pediu para descansar, isso me deixou ainda mais curioso. Leopoldo me levou para uma sala onde passava um rio no meio dela, ele me disse que essa é uma sala secreta, ninguém além dele sabia a existência dela, o rio leva para fora da masmorra e desagua num lago não muito longe dali.

Eu acendi uma fogueira, abri minha mochila em busca dos mantimentos e me deparei com uma pequena surpresa, a minha querida esposa colocou uma garrafa de leite e pãezinhos doces no meio das minhas coisas, eu dei a garrafa para Leopoldo, que ficou imensamente feliz.

Desde o momento em que Leopoldo me derrotou, eu venho pensando sobre quem é ele, um esqueleto que acredita ser um humano, essa é a primeira vez que vejo algo do tipo, seria resultado de uma maldição? Ou ritual de ressurreição que deu errado? E a adaga, será que ela tem alguma coisa a ver com isso tudo?

- Leopoldo, eu posso dar uma olhada nessa adaga? Prometo devolver hahaha.

- Hmm tudo bem.

O esqueleto puxa a adaga do seu crânio e entrega para Synth, ao segurar o objeto Synth fica impressionado com o peso da adaga tendo dificuldade para segurá-la com apenas uma mão, o cabo e a lâmina são feitos de ouro maciço, a guarda da adaga é feita de obsidia dando um belo contraste visual. O cabo da adaga tem o formato de um leão com olhos de rubi, um objeto dessa magnitude, nas mãos certas, vale montanhas de ouro.

‘’- Parece uma adaga luxuosa normal para mim, minha Darkwave não sente magia alguma emanando dela. Bom, já que a adaga não tem relação alguma com a maldição de Leopoldo, só me resta tomá-la para mim.’’

- Aonde você a encontrou? Perguntou, devolvendo a adaga para Leopoldo.

- Eu acordei com ela na minha cabeça, não faço a menor ideia de quem poderia ter feito isso, sempre me dei bem com os esqueletos dessa dungeon, galera gente fina, porém tive que matá-los.

- Entendo, desde quando você está nessa dungeon?

- Ei, você tá fazendo muitas perguntas, tá afim de mim ou o que?

- Não, você não faz o meu tipo, eu prefiro as mais cheinhas.

- ... Uma semana ou quase isso, eu entrei nessa dungeon com o objetivo de derrotar o rei esqueleto e roubar o seu tesouro.

- Hehe como um verdadeiro aventureiro, eu não pretendia vir para cá, mas a recepcionista da minha guilda insistiu tanto que eu acabei cedendo.

- Ohhh e como ela te convenceu?

- Hahahaha não é nada disso, eu sou fiel a minha esposa, nunca a trairia.

-O esqueleto se levanta da beira da fogueira e vai em direção a parede da sala, lá ele se deita com as costas coladas na parede.

- Eu ainda não confio totalmente em você Synth, por isso vou dormir aqui. Boa noite.

- ... Ok – Respondeu Synth, com um olhar de reprovação.

Synth acorda de manhã com o barulho de patos passando pelo rio, ao olhar para a parede ele vê Leopoldo fazendo alguns exercícios matinais.

- Dormiu bem gracinha? Disse Synth.

- Como um bebê, está pronto para enfrentar o rei esqueleto?

- Não! Antes eu preciso tomar o café da manhã.

Synth come o resto dos pães, em seguida os dois partem para enfrentar o rei esqueleto. No momento em que Leopoldo abre a porta de madeira, um som agudo ecoa da Darkwave, confirmando as dúvidas de Synth, o inimigo que estão prestes a enfrentar é de fato um legitimo Lich.

A Darkwave é uma espada feita com o Metal Negro, um material encontrando somente em montanhas habitadas por dragões, o que torna o Metal Negro tão raro e caro. Esse metal consegue sentir a presença de magia em objetos inanimados, ele também consegue detectar criaturas mágicas num raio de cem metros, mas dentre todas as suas características, a melhor, é a capacidade de cortar magias. O Metal Negro foi a chave para a vitória dos humanos na guerra contra os seres mágicos, hoje em dia são poucos os aventureiros que usam equipamentos feitos com o metal negro, não só pelo fato da sua raridade, mas também pelas consequências que ele traz, aventureiros como Synth costumam ser caçados por seres mágicos que buscam vingança pela derrota de anos atrás.

Um esqueleto sem pernas, flutuando, segurando um cajado em forma de serpente com o crânio de diabrete na ponta, esse é o Lich. Uma mortalha vermelha e gasta cobria o seu corpo sem vida, ele também usa uma coroa dourados incrustrada de diamantes negros.

- Minha pequena criatura – Disse o Lich, soltando um bafo venenoso da boca.

- Você aliou-se a um mortal para me derrotar. Puff! Como você é patético Leopoldo, por ter me traído sua punição será a morte.

- Punir um esqueleto com a morte me parece ser algo ... Um tanto ineficaz – Disse Synth, com um sorriso de deboche.

- Quem você tá chamando de esqueleto seu idiota? E não me trate como uma de suas criações, rei esqueleto, eu vim aqui para tomar o seu tesouro.

O Lich olha para Synth – Por que você está ajudando um monstro? Achei que os humanos tinham cortado laços com os seres mágicos.

Synth desembainha sua espada e coloca a mão no ombro de Leopoldo.

– Monstro?! Ao meu lado está um autêntico aventureiro, um companheiro de aventuras, e eu assim como ele vim roubar seu tesouro, Lich.

Leopoldo se emociona com a fala de Synth e passa a mão nos olhos, como se ele pudesse chorar. O Lich bate o cajado no chão e as portas da sala se fecham no exato momento, em seguida ele cria uma orbe de energia negra.

- Pois bem, venham, tentem a sorte aventureiros, eu sou Margeliarius: O sem-vida.

- ‘’Sem-vida’’ não seria melhor, Margeliarius: O Imortal? Perguntou Leopoldo.

- Também acho – Respondeu Synth. – Daria um ar mais épico a essa cena.

- De fato, meu caro amigo.

Durante a conversa dos dois, o Lich lança rajadas de magia negra da orbe em direção aos aventureiros, Leopoldo se joga para longe enquanto Synth destrói as rajadas com um leve brandear de espada.

- Metal Negro!!! Disse o Lich.

- Hahaha, com vida ou sem vida seu destino já foi traçado Margeliarius, tudo que lhe resta é dizer adeus.

- MIZERAVEL, MORRA MORTAL!!!

O Lich lança ainda mais rajadas de magia, porém Synth destrói todas facilmente e avança para cima do Lich, nesse meio tempo Leopoldo foi se esgueirando pelo canto da sala até Margeliarius, ele então puxa a adaga e se prepara para dar um golpe. Entretanto, o inimigo percebe a tempo e tenta acabar com Leopoldo usando seu cajado. Porém, o esqueleto consegue cortar fora a caveira de diabrete. Em seguida, Leopoldo tenta atacar o Lich novamente, mas antes que a sua adaga pudesse corta os ossos do Lich, Synth pula para cima de Margeliarus e consegue decapitar o Lich ainda no ar.

Synth guarda sua espada novamente - Foi tão fácil quanto imaginei.

O Lich desaparece em uma explosão, deixando para trás apenas sua coroa e um mapa, Synth dá uma olhada no mapa, porém ele está escrito em uma língua que Synth não entende, por isso ele simplesmente joga fora, pega a coroa, coloca na cabeça e senta no trono do rei.

- Agora eu sou o rei dessa porra – Lentamente Synth começa a levitar, ele continua subindo até o momento em que a coroa topa no teto da sala. Ele permanece imóvel na mesma posição, com medo de que ao fazer o mínimo movimento ele possa cair.

- Ei! Leopoldo, eu estou flutuando?

- Sim.

- Ok ... como eu faço para descer?

- Bom, segundo o mapa basta tirar a coroa.

O aventureiro retira calmamente a coroa, alguns segundos depois ele despenca em pleno ar, mas Leopoldo consegue pegá-lo em seus braços.

- Obrigado.

- Tranquilo.

- ... Você pode me soltar agora.

- Ah! Ok.

- Você consegue ler isso? Perguntou, apontando para o mapa.

- Sim, o mapa ensina como funciona essa relíquia. A coroa de Monogoti, ela concede a habilidade de voar ao portador, mas acho que isso você já sabe. O mapa também mostra a localização de outras dungeons que possuem relíquias.

- Que mapa conveniente da porra, parece até uma bola de cristal.

- De fato ele é, mas o mapa tem alguns furos, fora esses feitos pelas traças. Ele não diz nada sobre o dono da relíquia ou Margeliarius.

- Quem liga para um cara chamado Margeliarius?! O que eu quero saber é como você consegue ler esses rabiscos?

- Bem ... Esse mapa está escrito na língua dos deuses da fantasia, portanto, apenas eles e as suas crias, os seres mágicos, conseguem entender essa língua.

- Então você é um monstro? Perguntou, com um olhar de quem já sabe a resposta.

- ... Eu não queria te contar isso, pelo menos não por agora ... Em minhas veias corre sangue de monstro.

- Ohhh meu deus, eu estou chocado.

- Eu sabia que você ia ficar chocado, o meu pai era um centauro que acabou se relacionando com uma humana e desse cruzamento eu nasci, um humano com sangue de monstro, quem poderia imaginar uma coisa dessas.

- O nome disso é zoofilia, e caralho sua mãe deve ser muito forte.

Synth dá um soco nas costelas de Leopoldo – Fique tranquilo meu amigo, eu guardarei o seu segredo.

- Valeu Synth, você é um cara legal afinal.

- Bom e o que vazemos agora?

- Aqui no mapa consta que ainda restam duas relíquias nessa dungeon, o problema são esses monstros guardiões perigosos, mesmo você tendo em mãos uma espada de metal negro, ainda pode acabar sucumbindo dessa vez, pois eles não necessitam de magia para atacar ou se defender.

Synth balança a cabeça em sinal de reprovação - Leopoldo, nunca mais diga que algo é perigoso, eu sou um aventureiro e como tal adoro o perigo, então da próxima vez diga que esses monstros são muito divertidos.

- Tudo bem ... Synth danger. No segundo andar reside os carniçais, eles são liderados por um carniçal de cinco metros de altura, uma fera muito ... – Leopoldo encara Synth.

- Divertida, com garras do tamanho de cavalos, dentes afiados que envenenam suas vítimas, além de transmitir doenças. Vai encarar o desafio?

- Pode apostar que sim, estou curioso para saber quais poderes essas relíquias vai me conceder. 

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