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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 4) 07 Feb, 2019

Atrey Gardi ir

A floresta permanece calma após o conflito, as labaredas do ‘’corvo’’ em chamas passam pelas costas de Áiga. Os quatros membros do esquadrão de execução real estão ajoelhados na frente da princesa.

- Eu não poderia ter pedido algo mais simples do que isso – Disse Áiga, com raiva em sua voz.

– Sequestrar uma princesa, o único empecilho que separava vocês de Lakiria, era apenas um homem, me expliquem como um único homem conseguiu se sair vitorioso sobe um esquadrão de assassinos?

- Ele nós pegou de surpresa, majestade – Disse Saimon, ajoelhado do lado esquerdo de Dismas.

- Nós pensamos que ele estava desarmado, porém o homem carregava uma granada de vento – Completou Dardanhã, ajoelhado do lado de Saimon.

- E porque vocês não confirmaram antes de avançar, vocês realmente pensam? ... Essa falha não afetou gravemente os meus planos, porém – Áiga saca seu revolver. – Ela trará alguns problemas para o meu pai ... Não importa de que forma eu veja, isso foi uma falha – A princesa puxa o gatilho e dispara na cabeça de Saimon e Dardanhã.

Dismas e Andoré veem seus colegas serem mortos e nem mesmo uma cota suor escorre no rosto deles. Áiga passa a mão pelo rosto e joga o cabelo para trás. Ela então mira o revolver para Andoré, ele mantem a cabeça abaixada, dá para ver o galo em sua cabeça.

- Andoré, você é o líder desse esquadrão... ou pelo menos do que sobrou, eu devia te torturar por dias e noites sem parar, o que você tem a dizer?

- Peço desculpas pela minha atitude imprudente, por se tratar de uma princesa eu acabei negligenciado, não passou pela minha cabeça que ela poderia escapar.

- Levante a cabeça – Andoré vez o que a princesa ordenou, o nariz dele parou de sangrar horas atrás, mas ainda tem um pouco de sangue seco em seu rosto.

- Eu também sou uma princesa, por acaso eu estou usando um vestido rosa? Você cometeu um erro grave Andoré, como pretende se redimir?

- Majestade, dei-me mais uma chance, eu prometo entregar Lakiria Vitorius em suas mãos, caso eu falhe novamente, aceitarei minha punição em silêncio.

Áiga olha para Dismas – Ehhh, eu também peço uma segunda chance, Lakiria fez isso com o meu olho, por favor majestade, dei-me a chance para retribuir o favor.

- Você não parece se importa com o que está acontecendo aqui, me diga Dismas por que você quis se torna um assassino?

- ... Eu tenho uma dívida com Andoré, mesmo trabalhando a vida inteira ela não seria quitada. Andoré disse que se eu usasse as minhas habilidades para ajudar o rei de alguma forma, a dívida seria paga.

- A única coisa que sei fazer é matar, a morte virá mais certo ou mais tarde para mim, pois ela é a recompensa dessa vida.

- Um homem que vive para morrer?! Não me importo com a sua dívida e seu desejo suicida apenas lembra-se que se Lakiria morrer, vocês também vão.

- A princesa e o seu sequestrador estão indo de carroça para as montanhas de Albanix, cheguem primeiro, faça o reconhecimento geral e evitem ao máximo fazer bagunça, Albanix fica dentro dos limites do reino de Nuixdrurgar, arruma confusão com aquele homem é a última coisa que preciso agora.

Andoré se levanta, salda a princesa.

- Eu não te desapontarei novamente, majestade.

Andoré encara Dismas.

-Muito obrigado por me dá uma segunda chance majestade, trarei Lakiria a qualquer custo.

Áiga apenas gesticula com a mão esquerda e dá as costas para os dois, a princesa vai até a sua moto, liga ela e sai em direção a Hergoro.

‘’- Hum, eu nunca imaginei que aquela menina do sorriso gentil teria coragem de apontar uma arma para mim’’ Pensou, se lembrando do momento em que conversa com o velhinho da carroça, o feno não cobriu totalmente a princesa. Por causa do sol forte, Áiga notou um objeto brilhando em meio ao feno, inicialmente a princesa pensou se tratar de uma faca por isso avançou, mas ao chegar mais perto do velhinho, Áiga viu que o formato era diferente de uma faca, por esse motivo a princesa resolveu recuar, sacar a arma naquele momento era arriscado demais, mesmo achando que Lakiria não teria coragem, a princesa resolveu não correr o risco.

– Albanix, outrora o lar dos guerreiros lendários de Pargonux, agora não passa de uma cidade mineradora, esquecida por Nuixdrurgar.

Áiga sorrir - ... O que você pretende fazer agora Lakiria?

Um homem encapuzado, andando pela floresta ouve o som da moto de Áiga e olha para o céu. Pouco tempo depois, ele chega na casa na árvore, Dismas e Andoré já não estão mais lá.

- Não pode ser – Disse o homem ao ver os corpos mortos no chão, ele correr desesperado quase chorando até eles.

Só depois de ter total certeza que tratava-se de dois homens, o sujeito conseguiu respirar aliviado.

Ele tira um comunicador da mochila que carrega nas costas.

- Majestade está me ouvindo?

- Perfeitamente, qual é a atual situação Vericatos? – Respondeu o rei Yuriqui, diretamente da sala do trono.

- O palpite do vosso pai estava certo, o sequestrado trouxe a princesa Lakiria para as florestas do sul, ele estava se escondendo no alto de uma árvore. Ouve uma briga no local, duas pessoas morreram, felizmente nenhuma delas é Lakiria, porém o corpo do sequestrado também não está aqui.

- Entendo, então o nosso inimigo é mesmo um Qui Caeli ... Agora consigo imaginar quais são suas intenções.

- Majestade, o que devo fazer?

- Restam dois dias para acabar o prazo, ele deve ter ido para outro esconderijo, provavelmente Hergoro pois, fora Viridi, é o reino mais próximo. Vá em direção as terras de Ulyrak, eu falarei com ele mais tarde.

- Majestade se me permite, eu gostaria de dar minha opinião.

- Mas é claro, a sua opinião é de muita relevância, Fale.

- Eu não acho que eles foram para Hergoro, os homens foram mortos com um tiro na cabeça, sem marcas de combate. Além disso, tem uma trilha de sangue que leva para algum lugar mais afastado do esconderijo. A minha teoria é que, esses homens fizeram uma emboscada na floresta, o sequestrador foi ferido durante o combate e de alguma forma ele conseguiu derrota esses dois, logo em seguida ele veio para casa na árvore com Lakiria, esses dois, provavelmente guardavam a casa na árvore para o caso do sequestrador conseguir fugir, porém ele mesmo ferido consegue derrota-los e foge com uma segunda nave, mais pequena. Por terem falhando em conter o sequestrador, eles foram mortos.

- Além disso, para chegar em Hergoro ele precisaria primeiro passar pelo deserto roxo, uma área sem recursos, fácil de se perde. Ir para um lugar como esse, ferido e sendo perseguido é arriscado demais.

- Então eles foram para onde?

- Para o leste, tem uma pequena cidade de mineração que fica no alto das montanhas de Albanix, o sequestrador deve ter ido para lá, é uma viajem muito mais longe, porém até chegar nas montanhas ele pode descansar e se esconder na floresta.

O rei faz silêncio por um tempo, pensando sobre o que acabou de ouvir.

- Eu confio na sua intuição, vá em direção a Albanix, Vericatos, e lembre-se, quando você encontrar o sequestrador não o mate, traga-o para mim tenho perguntas para fazer a ele.

- Como queira majestade.

O rei desliga o comunicador.

‘’- Mais alguém quer resgatar Lakiria, quem poderia ser esse?’’ Pensou o rei.

- E então, ele encontrou a princesa? – Perguntou Teocracius.

Desde o momento do sequestro, o imperador não saiu do lado de Yuriqui, ele esteve a todo momento torcendo para que Lakiria voltasse sã e salva para casa logo.

- Sim e não – Yuriqui olha para o seu pai, que também está presente na sala assim como o general Magnus Morgus.

- O senhor estava certo, ele levou Lakiria para as florestas do Sul – O antigo rei acena com a cabeça.

- Então aquele homem é mesmo um Qui Caeli? – Disse Teocracius, chocado.

O rosto do antigo rei se transforma numa carranca ao ver a expressão de espanto do imperador.

- Isso tudo é culpa sua, se o império não tivesse matado o seu povo, esse garoto não teria vindo buscar vingança, Krampus maltidos a sua inveja traz problemas até hoje.

O imperador sente o peso e o ódio daquelas palavras, Victor era um homem bom que com o tempo se tornou cada vez mais frio, em decorrência do medo de ver sua querida nação cair dos céus, isso tudo é consequência do seu monopólio sobre as outras nações, durante o início da época das aviações. Vê o pai da aviação nesse estado, deixa-o muito triste, porém dessa vez o imperador não ouviu tudo calado.

- Meu desculpe, eu sinto muito por tudo que o meu pai causou a Viridi e aos Vitorius, eu estou tentando ao máximo reparar os estragos que ele causou a grande nação flutuante, entretanto, o império também sofreu grandes perdas ao final da guerra, eu vi meus irmãos se matando pelo trono, pessoas querendo lixar a minha família por conta de toda essa guerra, nós até enfrentamos uma guerra civil, e agora, o meu próprio povo não confia em mim.

- Eu entendo perfeitamente o seu lado rei Victor, mas, nas atuais circunstâncias o Império sofre muito mais que Viridi, então, peço humildemente a sua compreensão – Ao termino de suas palavras, o imperador se sentia livre, como se tivesse tirado um peso das costas.

- Seu filho da-

- Pai já chega!!! – Gritou Yuriqui.

- Todos nós sabemos que Orlégo fez atrocidades em proou dos Ventus Corde, mas ele já morreu. Agora quem lidera Kókkivo é o seu filho, o meu grande amigo, Teocracius Krampus.

- Eu quero manter a nossa amizade e não cria um novo inimigo, por isso peço respeito.

Victor se sente humilhado por se reprendido pelo seu próprio filho, ele olha mais vez uma para o imperador e sai da sala, mas antes de sair ele diz.

- O sentimento de vingança não some tão facilmente, perdoa alguém é a tarefa mais difícil que existe, lembre-se disso meu filho.

Victor sai da sala.

- Uff me desculpe por isso Teocracius, meu pai vive no passado.

- Eu já estou acostumado com isso, só que dessa vez, por conta de toda essa situação acabei explodindo. Mas vamos ao mais importante, onde está Lakiria?

Yuriqui conta toda a história para Teocracius e Magnus.

- Majestade, mandarei o exército real de Viridi para Albanix agora mesmo – Disse Magnus.

- Não – Respondeu o rei. – Eu confio em Vericatos, tenho certeza que ele trará minha filha de volta. Além disso, mandar apenas um homem não chamará a atenção de Nuixdrurgar, quero que tudo isso seja resolvido sem que ele tome conhecimento de nada. A calmaria mórbida com que ele trata os assuntos referentes ao seu reino, me assusta, prefiro não me envolver com ele.

- O mais importante agora é descobrir quem está interessado no resgate da princesa – Diz Teocracius.

- Quem poderia estar por trás desse grupo? – Perguntou Magnus.

- O meu pai fez vários inimigos durante seu reinado, conheço muita gente que tem interesse no ‘’resgate’’ da minha filha, mas antes de apontar o dedo na cara de alguém é preciso ter certeza.

- Então o que faremos? – Perguntou o imperador.

- Por enquanto, apenas esperar é o que nós resta.

Após uma longa e cansativa viagem, Lakiria e Sirbene chegam finalmente a Albanix. O velho que deu uma carona a eles se chama Atrey Gardi’ir, e foi graças aos seus cuidados que Sirbene está vivo, devido a perde de sangue ele está muito fraco, porém passa bem. Os dois dormem sobre o feno, até que a roda de madeira da carroça bate numa pedra e acorda Lakiria, ao abrir os olhos ela vê um lago na à sua frente, esse lago separa as duas montanhas, do lado esquerdo fica a vila dos mineradores e as minas de ferro, do lado direito, está a cidade de Albanix para chegar até ela, os moradores fizeram um estrada em espiral que dá uma volta na montanha. Após alguns minutos, Lakiria se depara com a entrada da pacata cidade de Albanix, um grande portão rodeado de flores com o nome ‘’Bem-vindo’’ é a entrada para esse lugarzinho tão aconchegante.

A cidade tem um pouco mais de quatrocentos habitantes, a economia é base de produtos animais e mineração, por onde se olhe tem sempre uma árvore, as casas são e azuis, o telhado é preto e parece um A. Atrey segue reto por dentro da cidade, passando pela frente de um grande casarão roxo claro, com as pilastras de madeira pintadas de branco, aquele lugar chama a atenção de Lakiria. Alguns minutos depois, Atrey finalmente chega em sua fazenda, uma fazenda mediana bem afastada da cidade, ele para a carroça do lado de uma casa, Lakiria desce da carroça e estende a mão para ajudar Sirbene a descer, só que ele recusa e apoia o braço na lateral da carroça para sair, porém ele está muito fraco e acaba perdendo as forças, Atrey consegue segura-lo antes de cair no chão.

- Você ainda tá muito fraco guerreiro, não devia recusar ajuda da sua esposa – Disse Atrey, durante a viagem Atrey conversou bastante com os dois, ele sempre fazia várias perguntas, porém não de uma forma desconfortável e que deixaria Sirbene desconfiado, ele perguntava naturalmente e sem segundas intenções, com o intuito de conhecer melhor as pessoas que acabou de salvar. Sirbene notou que ele não sabia quem era Lakiria, aproveitando essa situação, ele disse para Atrey que Lakiria é a sua esposa e que os dois estavam viajando para Viridi quando um grupo de bandidos vieram atrás deles. Lakiria de começo não curtiu essa ideia, mas acabou aceitando.

- Eu só quero o seu bem amorzinho – Disse ela, com um sorriso debochado.

Sirbene fez uma cara séria, porém Lakiria não deu a mínima.

- E então, agora que estão aqui vão fazer o que? – Perguntou Atrey, retirando os arreios do cavalo.

- Está ficando tarde, logo vai anoitecer, precisamos de um local pra passar a noite, essa é a nossa primeira prioridade – Disse Sirbene.

- Tem razão, faz dias que eu não durmo numa cama.

- Muito bem – Disse Atrey, segurando o cavalo por um corda. - Eu vou levar o cavalo para o estabulo agora e assim que eu voltar levo vocês para o hotel, não precisa se preocupar em pagar a estadia e o jantar, a dona do hotel dá uma noite de graça para todos os viajantes que passam por aqui, desculpe não poder abriga-los essa fazenda não pertence só a mim, eu devido ela com os meus dois irmã-

- Mas que merda é essa!!! – Disse um homem com o chapéu de palha, olhando para a carroça suja de sangue, ele está acompanhado de outro homem, porém esse maior e mais magro.

– Você matou um porco ai ou algo do tipo?

- Como eu e a dizendo, essa fazenda pertence a mim e aos meus irmãos, esse gordinho que acabou de falar é o Mario e o que tá do lado dele se chama Luigi.

- Olá – Disse Luigi, acenando com a mão.

Mario olha para Sirbene e Lakiria, os dois completamente acabados por causa da viagem – São seus novos trabalhadores? Comprou eles com que dinheiro, posso saber?

- Não, esses dois estavam sendo perseguidos por bandidos e eu os ajudei a fugir.

- Por um acaso você está vendo o nome ‘’Pau de arara’’ aqui, arrisca ser assalto por causa de dois desconhecidos e ainda perde metade do feno, você tá ficando senil, velho – Lakiria se enfurece ao ver Atrey se maltratado daquela maneira, ela abre a boca para falar algo, porém Sirbene toca o braço dela com as costas da mão, ela olha para ele, o olhar que ele fez era como se disse para ela ‘’Não se envolva’’ Ela retribui o olhar com uma careta.

- Não é para tanto Mario, o nosso irmãozinho fez uma boa ação hoje, você deveria agradece-lo – Disse Luigi, tocando no ombro de Mario.

- Eu vou agradece-lo indo no lugar dele na próxima viagem ... – Ele olha novamente para os dois. – Afinal quem são vocês e como conseguiu esse machucado?

- Eu me chamo Sirbene e essa é a minha esposa Lakiria, nós estávamos viajando para Viridi quando fomos atacados por um bando de ladrões, durante a fuga eles me acertaram bem aqui – Sirbene abre o casaco ensanguentado.

- Eles conseguiram rouba alguma coisa? – Perguntou Mario, esperançoso de que Sirbene desse alguma recompensa a Atrey.

- Não, e ainda perdemos as nossas mochilas na floresta.

Mario olha para Sirbene, com desprezo – Então, no fim das contas vocês perderam tudo de qualquer maneira ... o que vão fazer agora? Estão bem longe de Viridi.

- Por agora, Atrey vai nós leva para o hotel e amanhã eu irei pensar no que vou fazer.

- Eu vou levar o cavalo e já volto.

- Não precisa – Disse Luigi. – Deixa que eu levo, vai logo pro hotel e diz que eu mandei um ‘’oi’’ para Corneilles.

- Pode deixa ... bem, então vamos.

- Ei nada disso, que vai limpar esse massacre, hein?

- Você – Disse Luigi.

- Por que eu, se foi por culpa de Atrey que a carroça agora tá pintada de vermelho.

- Ora não foi você mesmo que disse que vai na próxima viagem – Mario fica surpreso. – Acho bom você limpar bem, para tirar o cheiro de sangue, eu não gostaria de viajar sentido esse cheiro, além do mais ele vai atrair animais selvagem, já pensou um Urso- Kardalá atrás de ti.

Luigi segue em direção ao estabulo, dando risadas.

- Vocês dois vão me pagar.

Atrey leva os dois para a casa principal, ele pede para que sua emprega pega algumas roupas dele para Sirbene, já que as roupas de Sirbene estão manchadas de sangue, ele também pede para que sua empregada emprestas algumas de suas roupas para Lakiria, já que as duas tem quase o mesmo tamanho. Depois de tomar banho e se trocar, Atrey pega um carro e dirige até o hotel. Logo na entrada, uma garota com longos cabelos negros, olhos castanhos e um pouco mais baixa que Lakiria, está limpando o chão com uma vassoura, Atrey desce do carro, acompanhado de Sirbene e Lakiria.

- Veja só se não é o velho Atrey, veio fazer uma visita à velha ranzinza? – Disse ela, com um sorriso singelo.

Atrey tirá o chápeu marrom da cabeça – Hehe Boa tarde Arabel, infelizmente não, eu vim apenas trazer esse simpático casal, eles vão passar um tempinho aqui em Albanix.

Ela olha para o rostos dos dois, com um olhar penetrante. Arabel encosta a vassoura na pilastra de madeira, desce os degraus e sem motivo aparente, segura as mãos de Lakiria.

- Que legal, novos hospedes – Disse ela. – De onde vocês vieram?

- Viridi – Responde Lakiria, com um sorriso nervoso.

- Legal, como é lá? Para onde você vai? O que te trouxe até aqui?

Arabel continuava a pergunta, sem esperar à resposta, até que uma voz encerrar o interrogatório.

- Chega de tantas perguntas – Disse Corneilles, a dona do hotel. – Desse jeito você vai espanta-los.

- Ahhh patroa – Disse Arabel, assustada. - Foi mal, eu me empolgo quando conheço gente nova.

- Não precisa se desculpar – Responde Lakiria, com o mesmo sorriso.

Sirbene, agora com uma cicatriz enorme na bochecha esquerda, esboça um sorriso no canto da boca – Hmphf.

- O que foi? – Perguntou Arabel.

- Você me lembra uma pessoa que conheci a muito tempo atrás.

- Ahm saquei, você gosta muito dessa pessoa?

- Não... um pouco.

- Tudo bem chega de papo, vocês não vão se hospedar aqui? – Pergontou Corneilles.

Lakiria apenas balançou a cabeça em sinal de confirmação.

- Ótimo, então entrem, venham fazer o registro, depois vocês poderão conversa a vontade ... enquanto comem um delicioso porco ao molho madeira.

Arabel sorrir para os dois novamente e dessa vez segura a mão de Sirbene também – Vamos logo – Ela arrasta os dois.

Lakiria usa o nome sobrenome de Sirbene no registro, logo após preencher a papelada, Arabel mostra onde fica o quarto quatrocentos e seis, onde eles vão ficar. É um quarto simples, uma cama de casal com um criado mudo na cabeceira e um abajur em cima dele, um pequeno guarda-roupas, e, um banheiro com chuveiro, Lakiria resolve então tomar banho logo e manda Sirbene descer para jantar.

- A quanto tempo vocês estão casados? – Perguntou Arabel, enquanto os dois descem a escada do segundo andar, Sirbene fecha os olhos por um breve momento, prevendo as milhares de perguntas que Arabel fará.

- 5 anos – Responde, sem nenhuma empolgação.

- Tem filhos?

- Não.

- Como se conhecerem?

- Em uma festa.

- Vocês vão fazer o que em Viridi?

- É realmente necessário fazer todas essas perguntas?

- Desculpe ... – Responde constrangida.

- ... Eu costumo ser muito invasiva com as pessoas, foi mal eu não queria te deixar desconfortável.

- ... Tudo bem, só evita fazer tantas perguntas.

- Tá.

Chegando na sala de jantar, a mesa é muito comprida tento ao todo quatorze cadeira, sobre a mesa, tem estirado um belo pano roxo com símbolos circulares em branco e pratos. Na mesa, só avia duas pessoas, um casal de idosos sentados à direita, Sirbene puxa a cadeira para se sentar quando Atrey abre a porta e entra acompanhado de Corneilles.

- Meu jovem o jantar logo logo estará pronto, sente-se. Você também Atrey, venha – Disse Corneilles, puxando a cadeira do meio para se sentar.

- É uma pena, mas não posso, tenho assuntos para resolver na fazenda. Sirbene, amanhã de manhã venha falar comigo, quero conversa com você sobre uma coisa.

- E por que não agora? – Disse Sirbene.

- Não, não quero te preocupar, jante, durma bem e amanhã sim nós conversaremos – Atrey coloca o chapéu, ele puxa a parte da frente para baixo. – Tenha uma boa noite.

- Igualmente...

Sirbene senta na cadeira, pensando no que Atrey teria para conta-lo.

‘’- Poderia ser um meio para chegar em Viridi mais rápido? Informações sobre os assassinos? Ou a pior das possibilidades, ele descobriu quem realmente é Lakiria? Não. Caso fosse a última opção por que Atrey perderia tempo deixando para falar amanhã. Seja como for, o que Atrey tem para falar, deve ser muito importante.’’ - Os pensamentos fluem livremente na cabeça de Sirbene, ele estava tão imerso que não percebeu quando Lakiria sentou do seu lado e o cutucou.

- Oii, tá pensando em como vamos voltar para Viridi? – Perguntou Lakiria, coçando o cabelo.

- Atrey disse para eu ir em sua fazenda amanhã, estou tentando adivinhar o que ele quer me falar.

- Eu posso ir junto se estiver com medo – Responde, em tom de deboche.

- Não, a última coisa que eu quero é a ajuda de um Vitorius.

- Que falta de consideração, se esqueceu que fui eu quem te salvo do Andoré?! Se não fosse por mim você não teria chegado aqui, não mereço um obrigado por isso?

- ...

- Arff O que de terrível poderia vim de uma conversa com o homem que cuido dos seus ferimentos?

- Ele poderia – Sirbene olha para os lados e diz bem baixinho. – Ele pode ter descoberto quem você realmente é.

- Impossível, Se ele soube-se, então por que te salvo?

- Me espanta vê você falando isso – Lakiria não entende o que ele quis dizer. - De todo modo, esteja sempre pronta para fugir a qualquer momento, pois além desse provável perigo, tem um esquadrão de assassinos atrás de você e de mim também.

- Não precisa teme-los, eu já dei conta deles uma vez e posso fazer de novo, só tenta ser mais útil dessa vez haha.

O jantar é servido por Arabel que logo após servir todo, senta-se a mesa do lado de Corneilles.

- Sirbene não é– Diz Corneilles, em tom de pergunta.

- Sim senhora.

- O que você pretende fazer daqui pra frente? – Antes que Sirbene pode-se responder, ela completa. – Atrey me contou toda a história ... vocês estão bem longe de casa e sem dinheiro.

- Não há com o que se preocupar, nós iremos embora amanhã de manhã, eu sei me virar na floresta.

- Ah é mesmo Tarzan, não é isso que o ferimento na sua barriga diz, caso ele infeccione como você fará para resolver, no fim das contas você só vai da trabalho para sua esposa. A propósito, você se machucou?

- Não – Responde Lakiria, com a boca cheia.

- Ótimo, eu liguei para a minha amiga Laura, perguntando se avia um vaga de trabalho na sua taverna, para minha sorte e a sua, ela tem. Você começa a trabalhar amanhã, como garçonete, como o seu querido marido está machucado, eu cobrarei apenas a sua estadia.

- Hum garçonete – Disse Lakiria, com um sorriso melado de molho no rosto.

‘’Ela planejo tudo, ou será que isso também é obra de Atrey?’’

- Ei espera ai, o que caralhos você tá fazendo?

- Colocando a vida de vocês no trilho.

- Acha que é capaz de me impedir de ir embora?

- Não, não, eu definitivamente não quero você aqui, preciso arruma o quarto quatrocentos e seis para outras pessoas, mas, enquanto estiver nesse estado, você vai ficar bem aqui.

Corneilles levanta-se da mesa.

- Arabel arrume tudo depois – Disse ela, antes de ir embora.

- Pode deixa patroa.

Ser tratado como um incapaz, depois de tudo que passou deixa Sirbene furioso.

- Não fique assim Sirbene, por trás daquele rosto enrugado e aquele olhar de bruxa má, bate um coração bondoso, a patroa cuida muito bem da gente, ela apenas não sabe demonstrar os seus sentimentos, isso tem um pouco a ver com o seu passado na escola de cavaleiros.

- Escola de cavaleiros? – Disse Lakiria, com a boca suja de comida.

- Sim, a muito tempo atrás existia uma escola de cavaleiros aqui em Albanix, ela foi construída pelo antigo rei Rikkar. A patroa e os irmãos Gardi’ir, eram professores nessa escola, diga-se de passagem os melhores – A sobrancelha esquerda de Sirbene salta ao ouvir o sobrenome de Atrey.

- Então Atrey é um cavaleiro? – Perguntou Lakiria, empolgada.

- Sim, mas isso foi a muito tempo, hoje ele luta contra as dores na coluna.

- Onde fica essa escola? Não lembro de ter visto ela – Perguntou Sirbene.

- ... Ela foi demolida – Respondeu Arabel, triste.

- Mas por que?

Arabel fica com receio em responder - ... O diretor da escola estava planejando um golpe de estado, ele escondia armas com poderes inimagináveis dentro da escola. O príncipe Nuixdrurgar descobriu tudo e entregou o traidor ao rei, entretanto, essa traição trouxe consequências terríveis para Albanix, o rei demoliu a escola e proibiu o porte de armas em nossa cidade, qualquer um que for pego usando armas será levado para a prisão de Synth, uma masmorra escura e sombria...

Arabel levanta, recolhe o seu prato, o de Sirbene e Lakiria e o do casal de idosos, que já tinham saído da mesa.

- O que quero dizer Sirbene – Disse Arabel, com um olhar melancólico. - A patroa está fazendo isso para o seu bem, então por favor não fique com raiva dela.

Lakiria olha para Sirbene, com o sorriso no rosto, porém ele mantem uma expressão séria e olha para o outro lado.

- Não precisa se preocupar Arabel, desse daqui eu cuido.

- Obrigada.

Sirbene e Lakiria sobem para o quarto, escovam os dentes e se preparam para dormir, os dois em pé na frente da cama encaram o lençol branco e os travesseiros, Lakiria está um pouco envergonhada pois nunca dormiu com um homem antes, Sirbene não disse uma palavra desde a sala de jantar, o que acaba deixando a situação ainda mais incômoda. O silêncio toma conta do lugar e é então que Sirbene quebra o gelo dizendo, meio constrangido, mas mantendo a expressão séria.

- Eu vou dormir no tapete.

- Não!!! – Retrucou Lakiria. – Você precisa descansar para se recuperar logo.

- Se eu não morri até agora, dormindo em uma carroça exposto ao frio e o calor escaldante do sol, não vai ser agora que vou partir pro outro mundo – Sirbene pega o travesseiro e a coberta.

- Deixa disso – Disse ela, segurando o travesseiro de Sirbene. – Anda logo e deita na cama.

- Eu já disse que vou dormir no chão – Sirbene puxa o travesseiro e Lakiria é puxada junto, ela perde o equilíbrio e esparra em Sirbene, que cai no chão, Lakiria cai em cima dele, com sua mão pressionando o exato lugar da bala, Sirbene grita de dor.

- Desculpa desculpa desculpa – Disse Lakiria, em pé, gesticulando com as mãos.

- Argh, eu vou dormir aqui, agora me deixa em paz – Lakiria atende ao seu pedido sem reclamações, ela deita-se na cama e apaga o abajur.

A luz da lua que entra pela janela, ilumina um pouco o quarto, Sirbene ajeita o travesseiro e se enrola na coberta, ele olha para a cama e diz.

- Você sabe o motivo do rei Ulyraq está tentando te ‘’resgatar’’?

- Eu não sei, o meu pai nunca teve problemas com Ulyraq, ele nunca demonstrou ter interesse em trair o meu pai, trair a aliança. O que me preocupa é a presença de Áiga nisso tudo, foi muito inesperada para mim, o quanto ela está envolvida nisso?!

- Você conhece ela?

- Sim, ela era minha amiga, até eu descobrir o quanto egoísta ela é, Áiga foi capaz de sabotar a minha aeronave para que eu perde-se o duelo contra ela, mas para o seu azar, eu checava a minha aeronave – Disse Lakiria, em um tom mais agressivo. - todos os dias.

- Então ela se encaixa no papel de vilã?! ... Hum De todo modo, eu vou acabar com ela se tentar sequestrar você de novo.

- Ehhh falando desse jeito parece até que está gostando de mim, tá apaixonado cara?

- Hahaha é claro que não, eu preciso de você para realizar meu desejo, depois disso, essa tal de Áiga pode fazer o que quiser com você.

- Eu tenho bons motivos para querer você perto de mim, mas e quanto a você Lakira. Por que enciste em ficar do meu lado? Você teve várias oportunidades para fugir e mesmo assim preferiu me salvar, afinal, o que você quer?

Lakiria levanta-se da cama, anda até Sirbene e fica de frente para ele deitado no chão, ela aponta o dedo e diz.

- Isso tudo começou por sua causa, foi você quem me sequestrou lembre-se disso, por isso pode ir se acostumando porque eu só sairei do seu lado quando tiver certeza que o seu coração não possui mais rancor.

Lakiria sempre tão sorridente e alegre, agora mantem uma olhar obstinado em seu rosto, Sirbene não se intimida e diz.

- Um discurso motivador, ao longo dessa jornada eu já escutei vários desses e nenhum me fez desistir do desejo de vingança, o que te faz pensar que com o seu seria diferente?

- Eu vou lutar, dia e noite sem parar até que o seu coração mude de ideia – Gritou Lakiria.

Sirbene vira-se para o lado e se cobre mais com a coberta, Lakiria permanecer em pé por mais algum tempo, esperando uma resposta de Sirbene, porém ela não veio, Lakiria pega o seu travesseiro que tinha caído no chão, joga na cama e quando e a se deitar, ela escuta Sirbene dizer, em um tom triste.

- Boa noite.

- Boa noite Sirbene – Disse ela, com um lindo sorriso no rosto.

Durante a noite, vozes começaram a ecoar na cabeça de Sirbene, chamando o seu nome algumas com raiva outras triste, uma multidão clamando o seu nome, Sirbene acorda em desespero, respirando ofegante sentando no chão ele olha a sua volta e não vê nada de anormal. Ele Levanta-se, olha para Lakiria dormindo e sai do quarto, desse as escadas e segue em direção a cozinha, chegando lá ele pega um copo em cima da geladeira e o enche com água da pia, água gelada para acorda de uma vez, Sirbene encostado na pia dá uma olhada na cozinha e ao passar o olho pela janela ele vê uma coisa surreal. Um olho flutuando, olhando fixamente para ele, Sirbene toma um susto e acaba derrubando o copo no chão.

‘’- Mas o que está acontecendo aqui?’’

O olho pisca e se transforma em uma borboleta dourada que voa para longe dali, Sirbene corre até a janela, ao olhar para fora ele vê um vulto preto embaixo da árvore de flores brancas que fica na lateral do hotel, a borboleta pousa na cabeça do vulto e volta a ser um olho. Sirbene pega uma faca no faqueiro e sai pela porta dos fundos, ele esconde a faca na cintura e se aproxima do vulto.

- Quem é você? – Perguntou, a uma distância segura.

De repente, o que era escuridão se transformou em asas de borboletas douradas gigantes, o vulto se revelou uma linda mulher usando um logo vestido negro com símbolos alaranjados estranhos, dá cabeça aos pés o seu corpo é coberto por várias joias. O seu rosto possui um desenho dourado que começa na testa, contorna os olhos e acaba no queixo.

- Eu me chamo Ohm e estou aqui para te ajudar Sirbene – Respondeu, com uma voz calma.

- Como-

- Como sei o seu nome? Eu conheço a triste história do garoto que perdeu a sua tribo e teve que se virar para sobreviver no submundo sozinho, mas você não está mais sozinho Sirbene, eu vim te ajudar – Sirbene não entende o que está acontecendo, como essa mulher pode saber tanto sobre ele, Ohm flutua de braços abertos em direção a Siberne, com a intenção de abraça-lo.

Sirbene sem pensar duas vezes, saca a faca e aponta para ela – Não se aproxime!!! – Gritou, mas nada adiantou ela continua a avançar, a faca começa a brilhar, Sirbene solta ela e antes de tocar no chão ela se transforma em uma borboleta dourada, que voa em direção as asas de Ohm. A mulher consegue abraçar Sirbene, ele pressiona o braços contra a barriga de Ohm tentado se afasta, mas não consegue ela é mais forte.

- Eu posso realizar o seu desejo de vingança – Disse Ohm, Sirbene para de pressionar por um momento, porém logo em seguida ele empurra com mais força e abaixa a cabeça, conseguindo assim se livrar de Ohm.

Ao se afastar de Ohm, Sirbene percebe que o céu não estava mais escuro, agora ele é rosa intenso, não à mais estrelas e nem lua no céu, em seu lugar à uma mão dourada em garra, na ponta dos dedos tem luas e bem no centro da palma da mão, flutua um triângulo azul intenso de cabeça para baixo, dentro dele estão as estrelas e bem no centro à uma estrela maior e alaranjada.

Ohm sobe aos céus olha para Sirbene e diz - O rei de Pargonux tem um pequeno pedaço de mim guardado em seu castelo, roube-o e eu lhe darei poder suficiente para concretizar sua vingança.

- Seja lá quem for você pode ir embora, eu não preciso da ajuda de ninguém, essa vingança é minha e só minha.

- hahahahaha Você é melhor do que eu imaginava ... Tudo bem, por hoje aceitarei essa resposta, eu estarei sempre te observando Sirbene, pasta chamar o meu nome em voz alto que eu irei vir correndo te ajudar, até lá, não perca esse espirito rancoroso.

Ohm entra dentro do triângulo e nesse momento o mundo se apaga, a única coisa que Sirbene consegue enxerga nessa escuridão são asas douradas do olho de Ohm olhando para ele, Sirbene caminha até o olho e inconscientemente ele o agarra, nesse momento ele acorda deitado na cama.

Sirbene levanta-se lentamente, a primeira coisa que passa em sua cabeça é ‘’ Aonde eu estou agora?’’ Lakiria não estava no quarto, ele desce as escadas e encontra Arabel na cozinha.

- Sirbene, está melhor? Você me deu um baita susto ontem – Disse Arabel.

- O que aconteceu Arabel, o que foi que eu fiz ontem? – Perguntou, desesperado segurando com força os braços de Arabel.

- Ehh, eu encontrei você dormindo em pé do lado da árvore de flores brancas.

‘’- Então não foi um sonho? Aquela mulher, aquela coisa no céu, tudo foi real?’’

- Aonde está Lakiria?

- Corneilles foi levar ela na taverna, só tem nós dois aqui no hotel.

Sirbene puxa uma cadeira da mesa e senta nela, com um olhar atônito no rosto ele tenta entender o que acabou de presenciar, se tudo aquilo foi real ou uma ilusão. 

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