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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 1) 13 Dec, 2018

Volume 1 - O Príncipe do Caos

 E então, o velho senhor disse:

-Está na hora de ir. vamos, entre! – Apontando para a porta do veículo.

Quando minha mãe morreu...há 6 dias atrás, o meu pai decidiu que ia me transferir pra uma escola específica, segundo ele, esse era o último desejo de minha mãe.

Eu levava apenas uma mala e uma mochila, com todos os meus pertences. O lugar pra onde eu estava indo era um internato, o que de certa forma me animava. Vendo séries de televisão, a ideia de morar em um lugar cheio de meninas da minha idade sempre me animou.

Então eu entrei no carro, era preto e tinha um tom luxuoso. Em poucos minutos, o senhor entrou também e ligou o carro. Por algum motivo eu estava sentado no banco de trás e sem visão do caminho, uma vez que as janelas eram de uma cor preta opaca, assim como tinha uma que impedia minha visão do motorista. Eu não me importei com isso, e como estava sozinho no banco de trás, decidi tirar um cochilo lá mesmo. Segundo meu pai, a viagem demoraria em torno de 8 horas.

Antes de começar a viagem, o pai ainda me deu uma espécie de presente, uma faca. Digo, não era uma faca comum, era toda estilizada e tinha uma cor negra, também tinha um brasão no cabo da faca, tudo isso dava um tom místico pro objeto, mas eu não me importei tanto, apenas guardaria como uma lembrança de casa.

Depois de ponderar sobre isso, eu acabei pegando no sono.

...

E então eu acordei, estranhamente, estava de pé parado em frente a escola. Fiquei parado por alguns instantes até recobrar a consciência. As pessoas ao meu redor riram e então uma garota veio falar comigo.

-Hey! Você tá bem? – Ela aproximou o seu rosto do meu, seu semblante era uma mistura de curiosidade e preocupação – Qual seu nome?

-Ah...Annh – (perto demais) era só o que eu conseguia pensar – É que, eu...eu me chamo Henry e e...

-Oh! Henry, belo nome! Pois bem, eu sou Stella Fleyharns, mas, pode me chamar de Ster...se quiser – Sua expressão repentinamente mudou pra alegria, ela girou para longe de mim e olhou para trás – Você vem?

Eu fiquei imóvel por 1 ou 2 segundos, e então chacoalhei a cabeça e corri pra ficar ao lado dela. E então caminhamos para dentro da escola.

-Então, Henry...Em que sala você vai estar esse ano?

-Eu? (eu não tinha ideia de que sala eu ia estudar) Alguma sala do terceiro ano...eu acho.

-Você é um aluno transferido então? Nesse caso, eu te levo a secretaria pra você se informar.

-Ah claro, muito obrigado! – Sorri pra ela e a gente seguiu caminho.

Chegando na secretaria, um cara chamou a Stella pra conversar, mas eu não dei bola. Mesmo assim, o cara não me parecia gente boa, ele tinha cabelos negros espetado, seus olhos tinham a cor negra também, ele era alto e tinha um bom físico, usava um sobretudo descolado e na cintura tinha...uma espada embainhada. Achei estranho, mas continuei a falar com a moça da secretaria. Ela me informou a minha sala, mas isso não me importou muito. Eu estava o tempo todo olhando pra conversa dos dois, ele encostava muito nela, mas ela não parecia gostar muito, até que chegou um outro cara boa pinta, seus cabelos eram verdes e bem arrumados, seus olhos azuis, seu físico era muito bom também, ele era alto, por volta dos 1,80. Diferente do outro cara, esse tinha uma aura que o fazia parecer como um ser divino, ele passava uma sensação de calma. Ele conseguiu tirar a Stella da situação desconfortável.

Então eu fui até eles.

-Quem era aquele cara? – Perguntei preocupado.

Então, o boa pinta olhou pra mim e respondeu.

-Aquele, é a segunda cadeira da academia, Astolf Rindrebird, um dos caras mais folgados que eu conheço...Aliás, eu sou Julius Stoffer, a primeira cadeira da academia, e você seria?

-Eu sou o estudante transferido, Henry Silva! (Que vergonha do meu nome)...e aliás, Ster, eu estou na sala B.

Sua expressão passou de chateada pra contente.

-Sério? Quero dizer, essa é a sala que eu e o Julius estamos! Vai ser muito bom ter você como colega.

Fiquei meio corado e acabei deixando escapar um sorriso.

-Nesse caso, estamos prontos para ir pro festival de boas vindas da academia – disse Julius.

E então, juntos, fomos até o salão principal. Tinham muitas pessoas, a maior parte delas, com algum tipo de arma. Pistolas, espadas, foices, lanças e até armas que eu nem sabia dizer o que eram. E então, um homem alto e imponente com uma barba de respeito subiu ao palco e começou a discursar. Eu não estava entendendo muitas coisas até aquele momento. Mas aquele discurso me fez entender tudo.

-Alunos e alunas da Academia Real de Estudos de Combate e Resgate da Capital de Drelmund! Hoje estamos reunidos para dar boas vindas à aqueles que retornam para mais um ano de estudos, e ainda para aqueles que acabam de ingressar na nova jornada, de auto descoberta de seus potenciais...

O discurso continuou por mais umas horas, vários professores e professoras deram suas palavras aos alunos, e a cada palavra proferida, eu entendia ainda mais.

Ao fim da cerimônia, todos fomos levados aos nossos dormitórios. Cada quarto teria 4 alunos de qualquer sala ou série, tendo sido organizados aleatoriamente.

Meus colegas de quarto eram Marco do 2° ano, Mai do 1° ano e Jean do 1° ano. Ambos tinham um forte carisma e estavam sempre energéticos. A gente conversou pelo resto do dia, e quando chegou a tarde, fomos liberados para andarmos pela escola, para nos familiarizarmos com o espaço.

Pra minha sorte, Stella e Julius decidiram me acompanhar em um Tour pela escola, era bem grande...tanto a área dos dormitórios quanto a escola em si. Demorou cerca de 1 hora e meia pra eles me mostrarem tudo.

Nos sentamos num banco do pátio e começamos a conversar. Até que ele veio, era Astolf vindo importunar a Stella de novo, foi isso que eu pensei.

-Ora ora ora se não é o novato da vez, hahaha, então você tá no terceiro ano e sequer tem uma arma!!! MARAVILHOSO!!! E parece que a vadiazinha já veio tentar te proteger. Hum, acho que de tanto controlar o fogo, ela acabou ficando com fogo no rabo. MUAHSAHSAHA.

Julius parecia muito furioso com ele, mas por algum motivo apenas mordeu os lábios. Então eu me preparei pra dizer algo, quando ela me interrompeu.

-Você não pode fazer nada quanto a isso Henry...Eu sou a terceira cadeira da academia, e entre as cadeiras, existe uma classe de nobreza, e entre as 3 primeiras cadeiras isso se agrava. Acontece que ele pode falar o que quiser pra mim, sem que eu possa retrucar. – Ela parecia triste nas palavras.

-Huuuuuh? Ah, então o novatinho não sabia nem mesmo disso, Stella Stella, isso não é nada bom...acho que vou ter que te punir por negligência...Heh.

Ele começou a apalpar os seios dela, e estava prestes a passar a língua em seu rosto. Julius estava prestes a fazer algo, mas eu fiz primeiro.

-Seu maldito, você acha que eu ligo pra alguma coisa de cadeiras? Por que você não volta pro lixo é a sua casa!!! – Então eu dei um soco em seu rosto. Minha mão doía, mas eu me sentia bem por ter feito isso.

Ele começou a rir de forma sádica.

-Huh? Ótimo, ótimo, não importa quem seja, novatos são apenas novatos...hahaha! Normalmente você deveria tomar uma advertência e ir para detenção, mas olha olha...uuuh, como eu sou benevolente, eu vou te dar uma chance...Um desafio!!! Lute comigo, e caso vença...eu retiro o que você disse haha...As regras a gente vê depois. O que diz?

-Não faça is.-Julius tentou dizer algo, mas eu interrompi.

-DESAFIO ACEITO!!! – eu realmente não sei o que eu fiz, eu estava realmente zangado com ele, não por que ele tinha me ofendido...o que me preocupava era a honra da Stella, que vinha sendo desrespeitada durante todo esse tempo...eu não podia deixar isso assim, né?

-Ok então, daqui 7 dias, na arena central, te espero ao meio dia!

Eu tinha que fazer a coisa certa né?

...

Né?

Stella olhou zangada para mim!

-Você tem noção do que acabou de fazer? Aquele é o jogo do Astolf...sempre que um novato aparece, ele o humilha de alguma forma.

-Eu não me importo com isso, ele não passa de um desgraçado que usa os outros pra atingir os próprios objetivos...Mas por que você não fez nada Julius.

Ele suspirou.

-São as regras desse mundo, os fortes poderosos sempre ficam acima dos outros...Isso normalmente dá certo, mas tem casos como o do Astolf, em que o sujeito usa o poder pra abusar dos outros...As dez cadeiras são assim, apenas por uma posição, você tem poder absoluto sobre o outro, e como eu disse, tirando em casos específicos como o do Astolf, isso é feito com respeito. Ele podia fazer o que quisesse com ela, desde que não a ferisse fisicamente. É uma lei idiota, e por isso eu quero me tornar um paladino, só assim se pode mudar uma lei do mundo.

Eu, sabia que nada poderia ser feito, afinal, eu não sabia nem a onde eu estava. Eu não sabia que espécie de desafio era. Eu não sabia o que tinha feito. No fim, não sabia nem o por que de ter feito...mas afinal, se eu fui transportado pra um mundo alternativo, provavelmente alguém tem um plano maior pra mim né?

Eu me sentei.

-O que você pensa que está fazendo? – Stella perguntou com um tom agressivo.

-Eu vou me sent...

-Você vai lutar com Astolf Rindrebird! A segunda cadeira da Academia Real, herdeiro das Lâminas Negras de Hellyel...E você é o que? Não sabe usar magia, não tem uma arma, e nem sequer tem um corpo forte.

-Eu, acho que você tem razão.

Nesse momento, eu percebi o resultado de ter passado a vida no ócio...Eu poderia ao menos ter feito alguns exercícios...Meu corpo não estava preparado nem pra fazer algumas flexões, quem dirá pra.

-Espera um minuto, você disse lutar com ele? – Eu tinha esquecido da situação que me encontrava, eu...eu estava em um novo mundo agora! Um mundo, onde as pessoas tinham o hábito de usar poderes...Eu era um idiota.

-Ainda tem um jeito, você não consegue aprender magia em uma semana, mas pode fortalecer seu corpo, o máximo possível! – Disse Julius – Afinal, você já usou alguma espécie de arma na vida?

-Eu tenho o costume de ficar acertando o ar com um pau, fingindo ser um cavaleiro. ( eu não acredito que disse isso)

-Nesse caso, imagino que você deva refinar a sua arte de espada. Acho que é a melhor opção – Stella disse, deixando escapar uma expressão de decepção em sua voz.

E então eu voltei pro meu quarto, eu achei que seria o primeiro a chegar devido minha situação, mas a Jean já estava lá, fazendo exercícios de aquecimento.

-Bem vindo de volta, senhor Henry. – Ela parou os exercícios pra me dar as boas vindas.

-Ah! Oi Jean...olha, de verdade, você pode me chamar só de Henry, qualquer um de vocês daria uma surra em mim. – Eu comecei a me alongar. – Mas isso tem que mudar em 6 dias.

-Certo...Henry...Mas, por que você tem que “mudar” isso em um tempo tão curto? – Ela começou a fazer agachamentos.

-Eu sem querer acabei aceitando lutar com o Astolf...mas eu meio que não sei lutar e nem usar magias...hehe.

Ela parou na hora de fazer agachamentos e me olhou com seriedade.

-Você o quê? Por que você faria isso?...quer saber, não importa! Eu vou te ajudar. – Ela se aproximou de mim e colocou as mãos sobre minha cabeça. – Mas não vai ser tão fácil.

-Eu já imagino...(as mãos dela são tão quentes e macias)...muito obrigado.

Depois de me alongar, começamos. Ela me disse que pra preparar o meu corpo pro treinamento, eu teria que fazer ainda naquela noite 10 sequências de:

20 agachamentos

20 abdominais

20 flexões

50 polichinelos

Mas eu só aguentei até a 4° sequência.

-É mais grave do que eu pensava. – ela sentou no chão, preocupada. Naquela altura do campeonato, Marco e Mai já tinham chegado.

-Bom, como esse é o primeiro mês, eu posso te ajudar no treinamento, oferecendo magias de suporte. – Disse Mai, ela tinha vários conhecimentos de magias de cura e revigoramento.

-E eu posso te ajudar a controlar os portais de mana, ainda não é o suficiente pra lançar usar magia, mas já da pra controlar sua energia com isso. – Disse Marco, ele tinha passado de ano com nota máxima em todos os testes relacionados com magia.

-Pessoal...-Eu não tinha palavras pra usar no momento.

-Então tá decidido! Durante a manhã Julius e Stella te ajudam com a luta, durante o dia você estuda, durante a tarde eu treino seu corpo, depois você tem uma sessão de recomposição com a Jean, e por fim, o Marco te dá umas aulas de magia.

Todos assentiram...dessa forma, eu não tinha como negar, tamanha ajuda oferecida a mim tão facilmente, era quase como se tudo tivesse sido planejado.

-Eu vou me esforçar! Conto com vocês!

E esse foi o começo da minha jornada. Eu segui o cronograma por 2 dias, mas a sensação de que mais 4 dias não ia ser o suficiente estava me corroendo, eu realmente não tinha ideia de como funcionava as coisas naquele mundo. Não tinha como eu saber o quão forte Astolf era.

No terceiro dia, eu acordei 2 horas antes do combinado, me alonguei e comecei uma corrida até a academia. Era uma corrida de mais ou menos 20 minutos.

Quando eu ia começar a correr, percebi que atrás de mim vinha uma pessoa. Era uma garota, que também estava correndo, ela chegou até mim, continuou correndo parada e me convidou a acompanha-la. Não tinha motivos pra recusar então me puz a correr com ela.

Corremos por minutos em silêncio, até que ela o quebrou.

-A segunda cadeira né? Uuh, você é um cara de coragem Henry.

-Eu não sei, no momento aquilo parecia ser uma coisa honrosa a se fazer, mas agora, eu não me sinto tão certo disso.

-Sempre há a opção de desistir, e no seu caso, acho que isso não seria vergonha...Ainda assim, ia sobrar pra você por ter batido nele... Hehe

-Ei, mesmo com essas regras, o que ele fez ainda foi odiável...eu só...

-Seja sincero consigo mesmo, essa é a chave pra tudo! Aliás, o meu nome é Irina, Irina Hyuko.

-Hyuko...Bom, obrigado Hyuko! É sempre bom ouvir conselhos em um mundo novo!

-Pode me chamar de Irina...

-Ah, Irina então.

Continuamos a correr por mais um tempo em silêncio, não faltava muito pra chegar lá.

-Aliás, Henry...o que você quer dizer com mundo novo? – Seu semblante parecia sério

-Ah...eu, eu...é que, sabe, eu sou de uma outra nação, e lá as coisas são...diferentes (pra começar, não usam magia).

-Aaaah, verdade né...de que nação você veio...Henry?

-De uma distante nação ao Leste! Hahaha!

-Entendo, leste...

E então, finalmente chegamos na academia, eu estava ofegante. Mas respirei fundo e comecei a me exercitar, e depois treinei um pouco com a espada antes do Julius chegar.

Durante o treinamento com os dois, eu me concentrei duas vezes mais do que normalmente, e obtive resultado melhores do que anteriormente.

Mesmo durante as aulas eu estava treinando o corpo de alguma forma. Eu contava com uma facilidade de aprender, então não precisava me focar tanto na matéria.

E dessa vez, fiz todos os exercícios, e além disso. E mesmo depois que o Marco foi dormir, eu fiquei estudando magia.

Esse ritmo acelerado, apesar de ter me colocado em exaustão, me deu uma espécie de resistência estranha a dor.

Era domingo novamente, o primeiro dia da semana, o sétimo dia desde último encontro com Astolf. Faltavam 2 horas pro confronto. Eu me alonguei e saí do meu dormitório para a arena.

Todos tinham ido antes, pra pegar os melhores lugares.

Então eu cheguei, a arena estava lotada com alunos de todos os anos. Ao que parece, aquele seria o evento de abertura do ano.

Eu tinha recebido um e-mail, dizendo que a luta seria feita com espadas de treino, e a condição de vitória seria o nocaute ou desistência do adversário.

Era uma droga, normalmente nesse caso, os protagonistas vencem usando a arte de empurrar pra fora. Mas dessa vez não teria jeito. Pra mim, seria um teste de resistência, então, eu deveria agir rápido.

E então, a narradora começou.

-Olá a todos que estão presentes! Hoje estamos reunidos pra assistir o que seria uma tradição dos últimos 2 anos e que se repete novamente esse ano! O combate entre Astolf e um novato com 7 dias de preparo. Mas esse caso é especial, ao que parece, dessa vez, o desafiado não tem nada além do preparo de 7 dias, nem armas, nem magica, absolutamente nada. Seria esse mais um massacre do príncipe do Caos ou o seu reinado de trevas sobre os novos alunos pode acabar pelas mãos do subestimado? Que tal a gente ver isso numa luta?

.

..

...

E então, o sinal da luta tocou!

No mesmo instante, Astolf sumiu, aquela era óbvia, ele ia aparecer atrás de mim. Então eu defendi coma espada em um movimento rápido que aprendi numa aula de Taewkondo!

A plateia vibrou! Todos urravam como animais, naquele momento eu pude ver todos que me ajudaram durante esses dias, e eu senti que aquele treino tinha sido realmente de muita importância. Eu tinha a chance de vencer. E então...defender a honra da...stella.......eu acho?

Eu consegui realizar uma defesa, por pouco, mas tinha defendido um ataque...Como de natureza, a maior parte deles torciam para mim. Aposto que era vontade de todos ver ele ser derrotado.

Eu respirei fundo. Coloquei toda a força que eu tinha nas minhas panturrilhas, e com toda a força que tinha nos braços empurrei ele pro mais longe que pude com um movimento de espada.

Ele riu, e a frustração dele era óbvia. Ele não esperava que eu conseguisse defender.

-Reflexos apurados os seus não?

-O quê? Tá em choque? - eu sabia muito bem essa defesa tinha acontecido por uma coincidência, afinal esse era um movimento óbvio pra um otaku como eu

Ele preparou o corpo pra mais um ataque, colocou forças nos pés.

-Pronto pra outra?

Eu entrei em pose de guarda, eu sabia que tinha que atacar pra vencer, mas não tinha como no momento. Ele era bem mais rápido que eu. Considerando que a distância inicial dos dois competidores era de 40 metros e ele conseguiu aparecer atrás de mim em pose de ataque em um pouco mais de 1 segundo. A sua velocidade seria de pelo menos uns 25 metros por segundo.

E então ele deu uma investida, dessa vez meus olhos acompanhavam. Eu estava prestes a defender, mas por algum motivo meu corpo parou, e quando eu percebi já estava caído no chão agonizando em dores. Mas tinha algo errado, ele tinha acertado meu tórax, mas o que doía no momento eram as minhas pernas. Talvez eu tivesse me esforçado demais.

Então ele me deu um chute que me fez rolar por uns bons metros. Eu me arrastei pelo chão usando a espada, e me levantei apoiando-me nela. Olhei de volta pra ele.

-Então você está cansado demais pra lutar?

Eu sabia que estava em desvantagem, mas aquilo me tirou do sério, eu entrei em guarda e corri em sua direção.

-CAAALA A BOOOOCAAAA! – Até aquele momento eu estava imerso sob a ignorância.

Ele estava andando apenas, e me derrubou com um golpe tão rápido que eu não tinha percebido. Eu olhei para trás, ele tinha me dado uma rasteira? Eu não tinha como dizer.

-Patético. – Ele gritou enfurecido e depois murmurou – não sabe nem porque está lutando.

Eu me levantava, mas antes de eu ficar de pé ele deu outra investida com um golpe horizontal, com minha mão esquerda (sou canhoto), levantei a espada o mais rápido que pude e consegui me defender do ataque parcialmente, mas ainda assim fui derrubado pro lado e logo recebido com um chute que me jogou de cara no chão.

-Um homem como você é o pior de todos, fingindo se esforçar por alguém pra receber conhecimento. – ele me olhou com uma cara de nojo – você realmente deveria...

Eu me levantei rapidamente com um golpe de espada na vertical que o acertou em cheio, pelo menos era o que eu tinha pensado...Ele tinha defendido com as mãos nuas, ele mordeu os lábios e me jogou pra longe.

-Você acha que tem o direito de me dar lição de moral? – Eu por pouco consegui cair de pé em posição de defesa.

Ele logo investiu, e eu consegui defender com folga, mas em pouco tempo perdi o equilíbrio, ele já não estava mais lá...não demorou muito pra eu sentir a ardência em minhas costas e cair ao chão.

-Suas técnicas de luta são tão grosseiras quanto o seu respeito aos superiores.

Naquele momento eu olhei pra ele, sua postura estava diferente...Ele já não parecia o mesmo nojento que me desafiara há 1 semana. Ele parecia um homem...honrado? Será que eu havia exagerado na minha reação. Isso já não importava mais, eu tinha...eu tinha que defender a honra dela...dela quem? Claro, da Stella.

Eu me levantei novamente, e virei pra ele já preparando a defesa! Fui levemente empurrado pra trás, mas me apoiei com minha perna direita. Eu sabia qual seria o próximo movimento então já me antecipei. Sem ao menos me virar eu já golpeei a área atrás das minhas costas.

-Te peguei...? – E então eu percebi, ele não tinha ido pra lá. – Pra cima?

Olhei pra cima, entrei em desespero, tentei várias vezes, mas não consegui me mover pra trás direito. Por pouco desviei, mas a dor que eu senti em meu rosto era grande. Larguei a espada e coloquei as mãos sobre o rosto, estava...sangrando? Isso não, isso não deveria acontecer. Aquelas eram espadas de treino. A técnica dele era tão refinada a esse ponto?

Ele me deu um soco no rosto que me fez voar pra longe. Quiquei no chão várias vezes antes de cair de fato. A dor que eu sentia era insuportável.

Mas eu ainda tentei me levantar, mas antes que eu pudesse, Astolf me presenteou com um gancho. Eu senti como se minha mandíbula estivesse quebrada.

-Por que você ainda está se levantando? Você não tem motivos pra fazer isso.

-Eu tenho...EU TENHO QUE PROTEGER A HONRA DA STEEELLAAAA!!!!! – eu mal conseguia dizer isso, de minha boca saía mais sangue do que voz.

-Mas em que momento ela te pediu isso, qual direito você acha que tem de assumir pra você a responsabilidade de cuidar dela? Você quer dizer que ela é incapaz?

Naquele momento eu fiquei imóvel...

(Por quê? Por que eu estou aqui? O que é que minha mãe tinha na cabeça me mandando pra cá? Quem diabos era a minha mãe???)

Naquele momento lagrimas começaram a correr de meu rosto e memórias de minha mãe vieram a minha cabeça. Ela tinha morrido há tão pouco tempo e de repente eu estava lutando com um guerreiro super poderoso de outro mundo. Ela teria planejado isso?

Então ele me acertou com um chute que me levou pro outro lado da arena. Meu corpo estava prestes a ceder. Ele não aguentaria mais por muito tempo.

-Você realmente não sabe por que fez tudo isso né?

(Minha mãe, me trouxe aqui por algum motivo, eu conheço ela mais do que ninguém, ela era perfeita...ela nunca cometeu nenhum erro.)

Comecei a rir. Eu entendi tudo.

...

A narradora começou a falar!

-O que é isso, alunos e alunas da academia? O novato estava esse tempo todo brincando de apanhar, ou enlouqueceu de vez por conta da dor?

Até aquele momento, eu tinha tomado a honra da Stella como desculpa pra estar lutando.

-Eu nem sequer, conheço a Stella...eu não faço ideia de onde eu estou.

-É, eu estou te falando isso há 15 minutos.

Ele preparou mais um ataque.

Eu cerrei os dentes, e fechei os punhos. Me preparando pro ataque.

.

..

...

Ele deu uma investida ainda mais rápida do que o normal, mas eu...Eu acompanhava ele com clareza. Quando vi o ataque dele se aproximar, eu dei um salto acompanhado de uma cambalhota. E assim que caí ao chão, peguei a minha espada. Virando me pra ele rapidamente.

-Mas de uma coisa eu sei, Astolf...-Entrei em pose de combate novamente, no último movimento evasivo eu tinha usado meus punhos pra desnorteá-lo por uns instantes.

-O que? Você vai certamente proteger a honra da Stella.

-Errado...

Em poucos instantes, nossas espadas se encontraram. Começamos a trocar golpes. Eu podia de alguma forma porca acompanhar seus movimentos. Era quase como se algo estivesse me dando forças.

-O que você fez à Stella foi com certeza injustificável e merece punição. Mas não é isso.

Reunindo forças, consegui empurrá-lo, e sem hesitar, investi nele e lhe acertei um ataque certeiro que fez ele se agachar, e com uma pirueta eu o acertei de novo.

-O motivo pelo qual eu estou aqui, é meramente mostrar pra você que EU SOU SUPERIOR!!! – Dei um soco em seu rosto o levando pra longe.

Uma aura negra começou a sair de sua espada, logo se mostrando chamas de cor negra. Ele começou a rir de felicidade.

-Então, finalmente! Você deixou de ser um cachorro. – Ele parecia realmente satisfeito com o que eu tinha falado. – Um cachorro que se esconde atrás de um motivo nobre está sempre com medo...HEHE...Dá pra ver a mudança na sua expressão.

Eu entendi o que ele quis dizer, apesar da sensação libertadora, aquilo me frustrou. Isso significava que eu não era como um protagonista de Isekai que ganha poderes e tem que salvar o mundo.

As chamas de sua espada cresceram e em um movimento lento ele lançou uma onda de fogo até mim.

Nesse momento eu lembrei do que o Marco me ensinara sobre o uso de mana. Eu não poderia usar nenhum feitiço específico. Mas se eu concentrasse muita energia, eu certamente criaria uma espécie de poder puramente destrutivo. Eu fiz um gesto de arminha e apontei para o fogo que vinha até mim.

Concentrei toda a energia que pude no meu dedo, uma esfera imensa de poder se formou. Uma aura azul começou a vazar pelo meu corpo.

Estava na hora de acabar a luta. Eu atirei a bola, que criou uma enorme explosão quando se encontrou com as chamas. Segurei minha espada instantaneamente, passando toda a energia do meu corpo pra ela, o que formou uma grande aura de energia ao redor dela. A minha mão direita já estava totalmente imóvel.

Ele estava se preparando também. Os dois se aproximaram em uma velocidade absurda.

No momento em que nossas espadas se encontraram. Uma grande explosão estranha ocorreu.

A fumaça criada pela explosão era muita, isso impedia de ver quem ganhou.

.

..

...

A fumaça terminara de se esvair quando a silhueta que se mostrava de pé segurando a espada com a mão esquerda foi revelada. Seu braço estava roxo, a espada em sua mão começou a se desintegrar, e quando isso acabou, o braço do vencedor caiu mole no chão.

Silêncio dominou o lugar.

-O vencedor é...HEEEEENRYYYYY SIIIIIILVAAAAAAAAA!!!!

A plateia urrou loucamente. Todos desacreditados, começaram a entrar na arena pra me parabenizar. Em minha frente estava ele, caído e imóvel. Eu tinha o nocauteado. Eu tinha vencido...como?

A comemoração durou por mais alguns momentos até que os enfermeiros chegaram. Fomos levados para o hospital da Academia.

Depois de 3 dias na recuperação. Eu fui me desculpar com a Stella e com o Julius.

-Não se preocupe com isso Henry, o que importa é que você venceu. – Disse Stella aliviada.

-Aparentemente o desafio foi oficializado como partida ranqueada pelo próprio Astolf. – Julius disse dando um sorriso meio malicioso.

-E o que significa isso?

...

Astolf estava atrás de mim.

-HENRY SILVA, EU, ASTOLF RINDREBIRD O DECLARO A PARTIR DESTA DATA, OFICIALMENTE COMO A SEGUNDA CADEIRA DA ACADEMIA REAL.

.

..

...

Julius e Stella começaram a rir juntos do Astolf. Eu era o único que estava surpreso e calado.

E foi assim que eu me tornei a segunda cadeira da academia. 

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