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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 4) 09 Jul, 2024

Capítulo 3

CAPÍTULO 3

      Adentrando a noite, Kamy e Harley continuavam andando pela floresta, sem encontrar nenhum sinal de vida ou de terra.


H: - Não tô conseguindo enxergar nada.


K: - Relaxa, deixa que eu te guio.


H: - Seu poder é enxergar no escuro?


K: - Tá mais pra uma condição do que pra um poder.


H: - E quais são seus poderes?


K: - Pra falar a verdade eu não tenho energia. Mas pelo lado bom eu consigo absorver energia.


H: - Só isso?


K: - É. Dificilmente você vai encontrar um usuário de energia, que usa mais de um tipo de habilidade.


H: - Como assim?


K: - Bom, tipo se uma pessoa nasce com afinidade energética pro fogo, ela dificilmente vai conseguir transmutar pra uma habilidade de água. São muito opostos, e o gasto energético pra usar técnicas que não são da sua energia de origem é gigantesco.


H: - Bem interessante. Talvez eu possa catalogar as capacidades energéticas, mas será que isso vale alguma coisa.


K: - Você só pensa em dinheiro?


H: - Eu quis dizer valor no sentido monetário. Mas no sentido de importância. Eu tô procurando uma história que seja tão alucinante, que vai ecoar por gerações.


K: - Haha, que loucura.


H: - O que tem de louco nisso? - Ela indaga com indignação.


K: - Ruiva, eu imaginaria você procurando idoso rico pra casar. Mas, agora indo atrás de uma história fascinante, isso eu não sei.


H: - Como assim, eu vim pra essa viagem com vocês.


K: - Você achava que a gente ia pra uma olhar qualquer, não é? Que isso era só pro mestre sair com a sua mãe.


H: - Bom, eu não imaginei mesmo que a gente fosse encontrar esse lugar.


K: - Não estou te julgando ruivinha. Mas quantas vezes você já se aventurou, sem ser pra um lugar que sua mãe… quer dizer, que algum namorado da sua mãe não pagou pra você ir?


        Ela fica em silêncio, constrangida. Mas Kamy lhe faz um cafuné na cabeça, e a consola.


K: - Nunca é tarde pra começar, ruivinha. Essa é sua primeira aventura. Vamos aproveitar.


H: - Tá bom - As duas se abraçam - Você… apalpou meu peito?


K: - Desculpe, é que tá escuro.


H: - Você não enchega no escuro.


K: - Ããã é, claro, claro.


H: - Haha, eu jurava que você namorava com aquele garoto.


K: - Muita gente acha, mas pouca gente sabe que eu curto outra coisa. E o Gus… bom, ele é apaixonado pela mesma pessoa desde antes nos conhecermos.


H: - Hmm, e por quem é?


        Antes que pudesse responder, Kamy percebe aquela que algo estranho na floresta. Era do tamanho de um cachorro, mas tinha assas pequenas, sua pele era branca como a neve seus olhos eram azuis como o mar.


K: - O que que é aquilo?


H: - É muito fofo.


         Kamy, dá um passo em direção a criatura, mas ela parece se espantar e levanta as patas como se fosse correr. Kamy então para, e começa a tentar se aproximar bem devagar.


K: - Calma, não vai embora. A gente não quer te machucar - A criatura se acalma e Kamy se acoca em frente a ela - e aí bonitinho, você tem um nome?

 

          Como em um piscar de olhos, a criatura desaparece no ar como se fosse uma brisa.


K: - O que foi isso?

 

       De repente algo atinge Kamy em seu pescoço. Foi tão rápido que ela não pode reagir. Antes que pudesse perceber que tinha sido legal em uma armadilha, Kamy cai no chão.


H: - Kamy? Acorda cara! Que droga, não tô enxergando nada.


         A escuridão da floresta era intensa, tornando impossível ver alguma coisa naquelas condições. Mas alguém estava ali, e com certeza queria eles mortos.

 

         Sem poder reagir, Harley é jogada no chão e presa. Uma voz a questiona:


- Onde está o Gustaf?


H: - Nunca ouvi falar.


              A pessoa que a segurava lhe dá um soco na cara.


- Só vou perguntar mais uma vez… cadê o Gustaf?


H: - Já procurou no seu rabo?


- Quer saber, acaba com ela… Quando a outra acordar, a gente fala com ela.


           Usando seus poderes, Haley solta uma carga elétrica na pessoa que a segurava.


- Arrgghh, desgraçada. Vou te matar!


H: - Merda! - Sem conseguir ver nada, Harley não tinha a menor chance naquela luta.

 

           Ela ouve os passos do seu inimigo vindo em sua direção, mas antes que a alcançasse, um barulho enorme de árvores quebrando, e alguém estava bem do seu lado.


K: - Relaxa ruivinha, vai ficar tudo bem.


H: - Kamy, você tá bem?


K: - Ram, tô com vontade de quebrar a cara desses otários.


H: - Quantos são?


K: - Quatro. Eles têm máscaras de visão noturna.


H: - Droga!


K: - Pode confiar, vou arrebentar a cara de cada um deles.


- Como ela se levantou? Eu usei veneno o suficiente pra paralisar um elefante.


- Não importa, fiquem em formação. Vocês duas estão em clara desvantagem. Já que sua amiga não enxerga você vai ter que lutar sozinha e ainda protegê-la. Que tal poupar nosso trabalho e contar logo onde ele está.


K: - Chega desse papo feio! Cai pra dentro e vamos resolver na porrada.


- Vamos matar as duas.


K: - Droga!


H: - O que foi?


K: - Um deles tem a habilidade de criar ilusões. Agora tem uns 100 deles pra descobrirmos quem são os verdadeiros.


H: - Ferrou.


          Kamy e Harley estavam em apuros, quando um grunhindo medonho surgiu na floresta. Fazendo todos pararem para tentar entender o que estava acontecendo.


- Que porra é aquela?


K: - Merda, Merda!

 

             Olhos brilhando surgem na escuridão, e várias criaturas, com dentes enormes e afiados, do tamanho de leões se aproximam grunhindo. Kamy imediatamente pega Harley nas costas e sobe em uma das árvores. O grupo que as atacou, é alvejado pela manada de criaturas e luta para sobreviver.


H: - O que tá acontecendo?


K: - Era horrível, não dá nem pra explicar.


H: - Aquilo ali é fogo? - Em cima da árvore, elas vêem uma chama na floresta na direção onde Gus e May foram.


K: - É sim, e tomara que seja a May.


DO OUTRO LADO DA FLORESTA


         Dentro da cidade, May e Gus sabiam que não conseguiriam voltar a tempo, então May estava usando seus poderes para mostrar sua localização.


G: - Olha, não é uma boa ideia mostrar nossa localização aqui.


My: - Tomara que alguém encontre a gente, por que se eu tiver que passar mais um minuto sozinha com você eu mesma me mato.


G: - Quer saber faz o que quiser - Ele se vira e vai embora.


My: - Otário.


         May ficou por alguns minutos instinto, até que um barulho chamou sua atenção em uma das casas.


My: - Gus?


            Ninguém responde e ela ouve o barulho outra vez. Ele vinha de dentro de uma casa escura assustadora, seu modelo antigo e a madeira rangendo a tornavam o lugar perfeito para um filme de terror. Só de vê-la, May sentia arrepios, mas ficar ali parada não ajudaria em nada.


           Ela entra na casa e usando seus poderes ela acende uma pequena chama em sua mão, não parecia ser uma boa ideia ter fogo numa casa de madeira antiga.


My: - Gus? Para de brincadeira, idiota! Isso não tem graça - Aquele lugar a deixa extremamente aflita - Tomara que seja você mesmo.


          O barulho aumentava cada vez mais à medida em que ela subia as escadas. O rangido da madeira apodrecida era grotescamente assustador. Mas ao chegar no quarto, um silêncio absoluto toma conta do lugar.

 

            O coração de May começa a bater mais forte, e sua respiração fica pesada à medida que ela entra no quarto escuro. Ao pisar do lado de dentro um enorme estrondo vem do lado de fora, e o grupo de uma mulher. May corre para uma janela e vê que o grito era da garota que havia os atacado mais cedo. Ela tinha sido arremessada para fora de uma das casas e estava cuspindo sangue.


My: - Droga!

 

               May se vira para sair da casa e ajudar a garota, mas ao se virar um grunhido nojento a surpreende. Uma criatura com os olhos brilhantes, dentes enormes, uma calda com espinhos e a pele costurada estava diante dos seus olhos.


            A criatura a joga contra a parede e parte para cima dela tentando devorar sua cabeça, mas May usa seus poderes de fogo e queima a criatura que em dor, acerta sua cauda nela e a joga para fora da casa.

 

             Além de ter se ferido na queda, alguns espinhos da cauda da criatura feriram May.


My: -Aaaaarrghhhhh, que merda! - Ela remove os espinhos e se levanta para lutar.

 

            As duas são cercadas pelas criaturas.


My: - Aí, não dá pra teletransportar a gente?


- Minha energia acabou, não consigo mais teletransportar nada.


My: - Que merda!


              As criaturas param de avançar quando da escuridão um monstro de pele escura e costurada,olhos brilhantes, dois metros e meio de altura e um espectro tenebroso segurando uma espécie de cajado. Os monstros obedeciam ele como se fossem domesticados.


- Hmmm, acho que nenhuma de vocês vai me servir.


           May tenta atacar a criatura com chamas, mas, apesar do tamanho, ele era muito rápido e desvia com facilidade e tenta contra atacar, mas May também desvia.


My: - Droga, ele é rápido.


- Você até que é forte. Vou adorar ficar com seus poderes.


             O homem manda, faz um gesto com a mão e as criaturas partem para cima das duas, mas May consegue carbonizá-las com seus poderes.O homem olha para os lados, como se esperasse que viesse mais reforço.


- Que estranho.

 

          Ele pega o corpo das criaturas e começa a devorá-las. Quando termina, espinhos começam a crescer em seu corpo cheios de veneno. A garota pega suas armas e May recarrega sua energia no máximo.


My: - Cuidado com os espinhos.


- Pode deixar.


            A criatura arremessa uma rajada de espinhos nas duas e elas conseguem se esconder. A garota acerta vários tiros na criatura, mas ela parece não se importar. May ateia fogo nela e então ele recua, para se recuperar, mas rapidamente corre para atacar May e a segura pelo pescoço e a enforca. A garota descarrega sua arma no homem, mas ele não sente nada, então ela saca uma faca e pula nas costas do monstro que o apunhá-la, mas ele só a joga pra longe.


             May começa a perder o fôlego, e o homem abre a boca cheia de dentes para abocanhá-la e May fecha seus olhos, quando Kamy chega e acerta um super soco que desnorteia o homem.


K: - May, tudo bem?


M: - Tu-Tudo - ela tosse muito.

 

                O homem se levanta furioso, e Kamy, May, Harley e as garotas se preparam para o combate, mas todas estavam perto do seu limite. O homem vai para cima das garotas, mas ele congela completamente em um instante, e Gus, surge por trás delas aparentando estar exausto e com muito sangue nas mãos.


H: - Graças a Deus!


K: - Já tava com saudades.


G: - Tá na hora de acabar com isso.


            O homem quebra o gelo, e Kamy acertar um soco em seu rosto, ela consegue se recuperar rápido e lança espinhos contra ela, mas Gus usa seus poderes de gelo para protegê-la. May carrega seus chamas e solta toda energia que tinha torrando o homem que cai no chão sem conseguir se recuperar, e com suas últimas forças foge correndo. Nesse momento a equipe vai no chão exausta.


K: - Achei que não ia acabar mais!


             May vai pra cima de Gus e o segura pela blusa furiosa.


My: - Onde você tava seu idiota!


G: - Me larga, May!


My: - A gente precisava de você e você vira as costas de deixa a gente aqui.


G: - Eu tava lutando também, encontrei umas dessas criaturas.


My: -Ah sei… Acho que você só se importa com você mesmo!


K: - Chega! Essa garota precisa de ajuda - Quando foi arremessada, um espinho a atingiu.


- Merda!


G: -Consegue chupar o veneno?


K: - Pode deixar. Vai doer um pouquinho tá bom?!


- Tudo bem.


              Kamy chupa o veneno da ferida dela.


- Aaarghhh!


K: - Calma, calma! Tá tudo bem. Já passou.


- Brigada.


K: - Tudo bem.


G: - Ela precisa descansar, vamos subir em uma dessas casas e acampar pra tratar a ferida de vocês duas - ele aponta pra May e Maggie.


K: - Boa ideia, vamos subir.


ENQUANTO ISSO…

 

         Kay e Salvatore acompanharam as pessoas, até uma caverna bem escondida. Lá dentro eles encontram um enorme grupo de pessoas. Todo estavam encolhidos, com muito frio, e pareciam estar com muita fome.


Ka: - Que porra que tá acontecendo aqui?


- Estamos escondidos aqui pra que as criaturas não nos peguem e devorem.


Ka: - E não dá pra dar um cobertor pra esse povo?


- As criaturas enxergam pelo calor, então, quanto mais frio melhor.


Ka: - Esse lugar parece o cú do mundo.


- Cuidado com a boca - uma moça lhe dá um tapa na perna e aponta para seu filho que parecia ter no máximo quatro anos, a criança era a única bem agasalhada.


Ka: - Ah, me desculpe. Talvez também não queria que eu conte para o seu padre que você deu o rabo em uma ilha cheia de criaturas que parecem ter vindo do inferno. Mas pode deixar que vai ser um segredo nosso.


- Deixa minha mulher em paz, seu bronco.


Ka: - Acho que me enganei o padre já sabe do caso, já que ele é o pai.


- Melhor fechar a boca, senhor. Ou eu vou ser obrigado a-a tomar uma atitude.


Ka: - “A-a”, o meu ovo pra vocês, não tenho tempo a perder e ficar nesse monte de merda.


- Escuta aqui seu cholo, eu-


- Robert! Chega!


S: -R-R-Robert? Robert Walton?


R: - Isso aí, sou eu mesmo. Como sabe meu nome.


Ka: - Esse otário aí, não vai subir no meu navio.


S: - N-n-ós conhecemos sua irmã.


R: - Margaret? - Seus olhos se enchem de lágrimas.


S: - I-i-isso. Nós viemos atrás de você.


Ka: - Que bonitinho, a gente pode mandar os seus restos mortais pra ela, quando as criaturas acharem esse lugar e nos devorar.


N: -Nós vamos conseguir sair daqui, agora temos pessoas o suficiente pra tirar todos daqui. Meu nome é Nero Leone.


S: -V-v-você fez parte dos 5 Picos da Coroa.


Ka: - Se era um soldado da corte, como veio parar aqui?


N: - Eu fui escolhido pelo próprio Rei Deulofeu para liderar uma expedição, pra esse lugar 8 anos atrás. Achei que seria a maior honra da minha vida, achar a ilha perdida em nome do reino e fazer dela parte de Aquila. No dia em que chegamos aqui foi um alvoroço gigantesco, minha tripulação ficou tão feliz que ninguém que todos começaram a beber até ficarem tontos, inclusive eu. Quando chegou a noite, todos fomos pegos de surpresa, a maioria morreu sem nem mesmo conseguir se mexer. Foi um massacre, eu lutei com tudo que pude e mal consegui sair vivo. Robert me encontrou e me ofereceu abrigo. Já faz 8 anos que estamos aqui, e a situação só piorou. Cada dia estou mais velho e as criaturas a um paço de nos encontrar. Precisamos sair daqui o mais rápido possível.


Ka: - Nisso você tem razão.


S: - C-c-como vamos fazer isso?


N: - A gente tem um plano…


DE VOLTA A EQUIPE


        Depois de uma longa noite se revezando em turnos para dormir, o grupo se divide para cumprir algumas tarefas básicas como procurar comida e verificar a segurança do local, afim de se preparar para volta daquele homem.


           Gus saiu com a garota que queria matá-lo mais cedo, e Harley. Para averiguar os cantos da cidado. Enquanto isso May e Kamy procuravam suprimentos.


    May, parecia bastante irritada. Ela murmurava sozinha enquanto caminhava pela floresta, e ignorava totalmente as árvores com frutas que serviram de mantimentos.


K: Aí, você tá legal?


My: - O que? - Ela se assusta com a pergunta.


K: - Vo-cê tá le-gal?


My: - Ah desculpe, é que… quer saber é o idiota do seu namorado. Aquele idiota me deixou sozinha de novo.


K: - Aaaaa, “de novo”. Olha pra começar ele não é meu namorado.


My: - Qual é, vocês ficam mais tempo juntos do que a maioria dos casais que eu já conheci.


K: - Claro, por que ele nunca deu em cima de mim, ele só é um cara tranquilo e divertido. E eu sou lésbica.


My: - Você é lésbica?!


K: - Claro que sou? Quantas vezes me viu com um garoto que não fosse o Gus.


My: - Bom, eu também nunca vi você com uma mulher.


K: - É complicado de explicar, a gente tá sempre trabalhando. Mas ele e eu nunca tivemos nada. Por vários motivos.


My: - É, ele é um idiota.


K: - Hmm, parece que você tem muita raiva reprimida aí dentro. Vem solta o verbo e me conta.


My: - Eu não sei, quando éramos crianças ele sempre se exibia prós outros e fazia eu me sentir uma idiota inútil. Quando minha mãe adoeceu ele nem me deu um único abraço, ou nem se quer foi lá ver ela. Isso, não me desce até hoje.


K: - Acho, que você não se lembra das coisas muito bem esquentadinha.


My: - Como assim?


K: - Bom, quando você dorme, sempre se descobre. E quando sua mãe tava no hospital e você dormia lá, nunca percebeu que sempre acordava coberta?


My: - É, acho que me lembro disso.


K: - E quando vocês eram pequenos, pra quem ele corria pra mostrar as técnicas novas que aprendia?


My: - Era pra mim.


K: - E quando sua mãe adoeceu, você estava solteira ou namorando?


My: - Bingo!


               May jamais tinha pensado naquilo. Foi como se boa parte da sua vida, não fosse como se ela se lembrasse.


9 anos atrás…

 

       Antigamente, sempre que o inverno chegava, a mãe de May e a de Gus sempre se reunião em sua casa, pra fazer uma fogueira.


              Em um dia frio próximo da noite, Rose começava a preparar bolinhos, doces, chocolate quente e um bom café. Mas enquanto cozinhava, sentiu falta de seu pequeno ajudante.


R: - Gus?! Onde você se meteu?


G: - Aqui, mãe!

 

         Ela o encontra do lado de fora, todo sujo e e aparentemente exausto.


R: - Filho, o que tá fazendo?


G: - E-e eu… tô treinando.


R: - Você vai participar de alguma luta?


G: - Não, mãe.


R: - Então, tem alguma coisa haver com alguém que vem aqui hoje?


          Ele fica corado e com as bochechas vermelhas. E começa a negar de forma exagerada.


G: -N-não é nada disso, é só pra… pra… ficar mais forte.

 

            Com um grande sorriso Rose finge que acreditou.


R: - Então que tal me mostrar?


G: - Ah, tudo bem - Ele usa seu poderes e lhe mostra sua nova técnica.


R: - Uuuu, estou impresinda!


G: - Sério? Você acha que foi maneiro?


R: - Acho que deve ter sido a técnica mais legal que eu já vi - Ela o pega no colo e afaga seu cabelo - As mulheres adoram um homem cheiroso, e com seus novos poderes, vai conseguir alguém rapidinho.


G: - Você jura?


R: - Claro meu cabeludinho. Vamos tomar um banho.


G: - Tá bom, mãe.


            Logo ao entrar da noite, May e sua mãe Sol chegam até a casa de Gus.


S: - Oi, Rose. Como você está?


R: - Estou ótima e como vocês estão?


My: - Doida pra comer, tia - Sua mãe lhe dá um tapa na cabeça - Aaaiii.


S: - Olha a educação, pirralha!


R: - A comida está pronta, espero que você goste.


My: - Hmmm, pelo cheiro - Ela toma outro tapa.


R: - Você é muito fofa. Por que não vai lá ajudar o Gus a pegar a comida, eu fiz seus brownies preferidos.


My: - Delícia, tia.

 

 

          Com um último tapa na cabeça, May vai até a cozinha onde encontra Gus de costas arrumando uma bandeja com vocês.


My: - E aí, cabeleira.


G: - Aaarghhh - O susto foi tão grande que ele quase derruba os doces.


My: - Hahaha, vê se não derruba os doces, vem vamos pra fogueira - Ela pega um brownie e o coloca inteiro na boca e segura outro na mão.


G: - Não é melhor esperar pra comer todo mundo?


My: - Não é melhor cuidar da sua vida. Ah, e vamos logo, eu aprendi uma técnica que vai te deixar no chinelo - Em sua cabeça ela pensava “Dessa vez eu vou te humilhar”.


G: - Hihi, tô doido pra ver.

 

          Eles vão até a fogueira, onde suas mães conversavam.


My: -Tia, eu preparei uma técnica pra você ver


R: - Eu vou adorar ver.

 

          Ela concentra toda sua energia e se prepara para demonstrar sua habilidade, fazendo um pequeno pássaro de fogo.


R: - Nossa! Tô impressionada, May.


My: - Haha, quero ver você superar isso seu otário!


G: - Ah, eu também queria te mostrar uma técnica nova que aprendi.


My: - Manda ver.

 


          Ele concentra sua energia e cria dois póneis.


S: - Que gracinha! Dá vontade de amassar elas


My: - QUEEE??? Maldito! De onde ele tirou toda essa energia.


G: - O que achou?


My: - O que eu achei? Uma sacanagem. Não tem como você ter conseguido tanta energia sem trapacear. Você vai ver da próxima vez que a gente se encontrar, eu vou te deixar no chinelo - Ela vai para a cozinha procurar mais doces.


G: - Eu… Não queria te humilhar, é que você adora pôneis - Ele fala consigo mesmo enquanto a vê indo embora.


4 anos atrás…

 

             Próximo do inverno, Rose preparou uma grande festa para comemorar o aniversário de Gus.


          Próximo da festa começar, Ela o encontra sentado na janela lendo um livro, muito cabisbaixo e aparentemente desanimado.


R: - Não vai se arrumar pra festa?


G: - Acho que não tô muito afim, mãe.


R: - O que aconteceu?


G: - Nada, só não tô muito animado.


R: - E não quer me contar o porquê?


G: - Não é nada.


R: - E por acaso esse nada se chama May?

 

           Imediatamente seu rosto fica vermelho e ele se agita.


G: - Não, não, não, não. Não é nada disso.


R: - Vem, me diz o que é - Ela afaga o cabelo de Gus, que se deita em seu peito e desabafa.


G: - Eu já tentei de tudo. Tentei impressionar ela com meus poderes, tentei chamar a atenção dela fazendo aquele show de stand up.


R: - Aquele que ninguém riu.


G: - É. Eu sempre tento ficar perto dela, mas ela sempre fica brava e briga comigo.


R: - E em algum desses planos, você tentou chamar ela pra sair?

 

            Mais uma vez ele fica vermelho.


G: - Não dá, meu coração começa a pular pela boca so de imaginar. Ela com certeza vai dizer não.


R: - Talvez ela diga não pra um mané, leitor de livros, cacheadinho que parece um bobo apaixonado.


G: - É, valeu pela ajuda.


R: - Mas acho que se ela encontrar meu cabeludinho cheiroso e arrumado. Quem sabe ela não comece a reparar em você?


G: - Você acha?


R: - Claro! Vai se arrumar que eu vou recepcionar os convidados.


G: - Tá bom.


             Alguns minutos depois todos já tinham chegado inclusive algumas pessoas que não tinham sido convidadas.


R: - De onde veio toda essa gente.


S: -P-p-penetras.


R: - Sal, você se incomoda de repor o ponche? Já acabaram com tudo.


              Gus desce procurando pela May.


G: - Ei, Kamy, viu a May?


K: - Leãozinho, acho que ela foi pra floresta, mas não tenho certeza.

 

          Ele vai para a floresta, e no caminho pega uma flor, seu coração estava batia tão rápido que parecia que ia explodir.


G: - Vamos lá, ela não vai dizer não.

 

              Ele a vê na beira do lago, e um por um instante seu coração parou. Ela a vê beijando um garoto apaixonadamente. A flor cai no chão e uma lágrima escorre de seu rosto enquanto ele se vira e vai embora.


        Alguns dias passaram e Gus mal se levantava da cama. Rose já havia tentado de tudo, fazer sua comida favorita, chamá-lo pra uma noite na fogueira, mas desde que o encontrou pela primeira vez, nunca tinha visto seus olhos tão sem vida.


R: - Eu fiz panqueca, não quer comer um pouquinho?


G: - Obrigado, mas eu não estou com fome.


R: - Ainda está muito triste.


G: - Já perdeu alguém que amava com todo o coração? Não


           Aquilo bateu fundo em seu coração e Rose apenas ficou calada.


R: - Eu sei bem como é. Meu filho morreu quando era muito novo.


G: - Você teve outro filho? Quer dizer eu sei que não somos filhos de sangue, mas eu não sabia que tinha tido um filho biológico.


R: - Bobo, eu tive sim. Foi muito difícil perder ele e o pai dele. Passei muito tempo tentando me recuperar, esperando a dor passar


G: - E deu certo?


R: - Deu.


G: - Como?


R: - Quando você apareceu. Antes de te encontrar, eu não via mais alegria em nada. Não me importava em morrer, me sentia vazia, como se não sentisse nada. Foram anos de sofrimento, mas na noite em que eu te encontrei, eu aprendi algo que eu ainda não sabia. Que não importava quanta dor, frieza ou vazio eu tivesse vivido até aquele dia. Bastou ver aquele seu sorriso pra sentir que o que passou não importava mais, eu passaria tudo de novo só pra segurar você nos meus braços e te ver sorrindo. Meu filho a vida às vezes parece um abismo vazio cheio de espinhos se machucando, mas nunca pode perder a fé, nem mesmo no pior dos seus momentos, porque basta uma pequena chama, um pequeno pedaço de luz para fazer você sair da escuridão. Não se preocupe, você vai encontrar a luz que falta na sua vida, e vai incendiar seu coração. Seja forte meu filho, e nunca perca a esperança.


DE VOLTA PARA MAY

 

        Em todos esses anos, nunca havia pensado que sentia algo por ela. A confusão em sua mente era como um tornado devastando uma cidade.


K: - Aí, vamos! Você pensa nisso depois. A gente não tem tempo.


My: - Tá bem.

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