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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 5) 01 May, 2023

SIMPLE - O HOSPITAL DA MORTE

     Acordada pelo despertador, Maggie se levanta abruptamente, mas para sua infelicidade ele já não estava mais ali. Ela se joga no sofá e murmura indignada:

M: -Aquele cacheado idiota!

G: -Olha, é melhor tomar cuidado quando chamar alguém de idiota, ela pode acabar ouvindo - Gus saiu da cozinha com seu sorriso sempre brilhante que puxava seus olhos até pequenos detalhes.

M: -Tenho que trocar a fechadura dessa janela - ela retruca com alívio um impossível de se esconder pelo seu sorriso discreto.

G: -Não verdade, eu entrei pela porta, você dormiu e esqueceu de trancar.

M: -Caralho.

G: -Se arruma, vamos tomar café.

M: -Você paga?

G: -pode deixar.

     Eles saem para encontrar Kami e Maycke na cafeteria.

M: -Ei, pra onde você foi ontem? A gente tava conversando e assistindo e quando acordei você tinha sumido.

G: -Que foi, sentiu saudade?

M: -Claro que não, idiota - ele responde completamente corada pela pergunta.

G: -Eu tô brincando - ele responde gargalhando - eu fui até o hospital com meus amigos pra investigar o que aconteceu com as pessoas que morreram no hospital e acho que você pode ajudar com algumas coisas.

M: -Como?

G: -Vem - Eles entram na pequena cafeteria, com belas luminárias, que devem dar um ar luxuoso quando estão acesas pela noite e suas belas cadeiras e mesas de madeira com alguns sofás laterais onde os dois amigos de Gustaf conversam com alguns papéis na mesa - Maggie, esses são a Kami e o Mayck.

K: -Nãããão!!!

G: -Se controla!

M: -É um prazer conhecer vocês - ela timidamente cumprimenta os dois, e ,com certeza, está terrivelmente assustada pelo comentário da garota de cabelos roxos.

My: -E aí Maggie, senta aí, o café daqui tá muito bom.

M: -Obrigada.

K: -Já achamos algumas coisas bem interessantes. A doença que consome as pessoas ano passado é a Vpox, não é uma doença com uma alta taxa de letalidade, as pessoas com saúde mais resistentes tendem a ser mais seguras, mas com um tratamento adequado essas pessoas têm menos de 2% de chance de morrer. Mas o hospital registrou quase 300 casos dessa doença e 294 mortes.

G: -Quem foram as pessoas que sobreviveram?

My: -Então… todas as pessoas que sobreviveram eram pais de pessoas importantes da cidade.

K: -Marlene Oslo, filha do diretor do hospital; Marcos Walker...

M: -Ele é irmão do prefeito, Walker.

My: -Conhece ele?

M: -Sim, muitos desses caras contratam garotas da nossa boate. Uma vez única que vimos pessoas de classe alta na parte baixa da cidade.

G: -A Meríade que tem matado essas pessoas pode querer vingança.

My: -Então, alguma das vítimas era parente dela?

G: -provavelmente. As Meríades não podem ter relação interpessoal nem com pais. Quando completarem 19 anos elas são separadas da mãe e provavelmente nunca mais se verão. Ter um marido é proibido, ele é morto assim que descobre uma gravidez. Mas a filha tem que ficar com a mãe até os 19 anos.

My: -Crianças não estavam no grupo de risco, a não ser que controlava alguma anomalia genética que as prejudicasse.

K: -Pega os registros, vamos procurar quantas crianças foram internadas.

G: -Só meninas. As Meríades não costumam ter residência fixa, o que significa que ela não é da cidade, quando acharmos as meninas só precisamos saber se elas estão aqui.

My: -Acho que isso fica registrado.

G: -As Meríades sempre falsificam documentos. Provavelmente ela fingiu ser natural daqui. Faz parte do sigilo.

M: -Eu posso ajudar, conhecer muita gente daqui, e muitas das pessoas que perderam filhas neste ano. Posso ajudar a reconhecer.

K: -Perfeito.

     Olhando todos os arquivos, eles separam todas as meninas que encontraram e as trabalharam na mesa para que Maggie separe quem ela não conhece.

K: -Aqui está! São todas as garotas que encontramos.

M: -Vamos ver, essa eu conheço… Conheço, Conheço, Louise, eu gostei muito dela, a família sofreu bastante com a morte , ãããã… essa daqui… acho que nunca a vi.

My: -Tem certeza?

M: -Tenho sim!

G: -Sabrina… com certeza é um nome falso. É a nossa garota.

M: -Bom, vocês sabem quem é a filha, mas não tem nada além disso. Como vão pegar ela?

G: -Kami, tem alguma ideia?

K: -Olha, se acharmos o paradeiro dos corpos, podemos usar isso como uma isca.

My: -Podemos mandar para os jornais a notícia. Com certeza ela vai saber e vai vir correndo atrás do corpo da filha.

G: -Muito bom.

K: -Agora só precisamos achar os corpos. Eu tenho um plano, mas vai ser um pouco complicado…

G: -Como assim?

K: -Eles matam qualquer pessoa que vai pro hospital, então vamos ter que mandar você pra lá. Eles vão te matar, e te levar pra onde o corpo está.

G: -Fechado.

M: -O que!? Vocês só podem estar brincando. Gus, eles vão te matar… não é possível que você vai aceitar fazer isso.

My: -Ela não sabe?

M: -Não sei o que?

G: -Ah… Maggie, eu meio que não consigo morrer tão fácil…

M: -O que?

     Ele pega uma faca na mesa e corta o pulso. Maggie, se horroriza com o corte e o sangue escorrendo em suas mãos, mas pra sua surpresa e profundo espanto, a ferida é envolta numa energia azul que rapidamente regenera a ferida sem deixar um único sinal do que aconteceu.

M: -Aí, caralho! Como você faz isso?

G: -Eu não tenho ideia.

M: -Algum de vocês também tem uma habilidade especial?

G: -A Kami tem uma força descomunal e consegue passar quanto tempo quiser embaixo da água e Maycke é muito bom com computadores e algumas tecnologias.

M: -Caralho, Caralho, Caralho! Eu já ouvi falar que algumas pessoas especiais existiram e até uma droga que circula pela cidade que dava habilidades especiais, mas achei que eram só histórias.

K: -Tudo bem, a maioria das pessoas acha que é mentira.

G: -Vem, Maggie, vamos te levar pra casa e resolver isso logo.

     Eles caminham de volta para casa, Maggie está caminhando um pouco atrás de braços dados com Kamille que gostou muito da sua nova amiga. Mais na frente, Gus e Maycke conversam e brincam como se o plano perigoso fosse apenas um trabalho de rotina.

M: -Então, Você conheceu o Gus nos luftmenschs?

K: -Não verdade, fui eu quem sentiu ele pra entrar. Ele lutava num clube de apostas, e era muito diferente de como ele é agora. Alguns trabalhos são complicados e o Maycke, apesar de ser um ótimo parceiro, não é forte, então era difícil lutar e cuidar dele, então fomos procurar por aí alguém que pudesse nos ajudar e ouvimos falar do clube.

M: -Você viu ele lutar e escolheu ele?

K: -Mais ou menos. Quando eu vi ele lutar pela primeira vez, colocaram quatro homens no ringue, cada um com uma arma, e ele trucidou cada um deles. Ele realmente era muito forte, é claro que eu queria lutar. Mas aquele Zé Mané é realmente forte, ele me derrubou e imobilizou em segundos. Eu o chamei pra conversar pra saber se ele era confiável. E nós saímos do clube, um dos homens que perdeu pra ele no ringue tinha sido contratado pra ganhar do Gus, ele tinha uma espada com veneno na ponta, mas não adiantou muita coisa, as pessoas que o contrataram não gostaram nem um pouco e sobreviveram a bater nele, mesmo sabendo que o rapaz havia trapaceado, Gus interferiu e o protegeu. O homem que estava no chão perguntou "Por que você me ajudou,

M: -Ele é imortal?

K: -Eu sei que ele envelhece, mas realmente não sei se ela vai virar uma uva passa e continuar se regenerando infinitamente. Talvez ele volte a ser um bebê, haha.

M: -Você disse que ele era muito diferente antes…

K: -Ele era muito triste, sempre calado, parecia que nada importava ou o incomodava. Ele parecia se divertir mais sozinho, às vezes sorria ou mexia os lábios parecendo conversar com alguém mesmo sem ninguém por perto. Às vezes eu queria saber o que se passava na cabeça dele, mas sempre que perguntava ele dizia "não é nada". Ele não se abre muito com ninguém. E você, como conheceu ele?

M: -Ele me viu chorando um dia e me contratou, e eu ainda tô tentando entender o porquê ele veio falar comigo.

K: -É bem a cara dele fazer isso.

     Eles chegam até a casa e se despedem de Maggie.

K: -Vem Mayck, vamos deixar esses dois se despedirem - Ela puxa Maycke pelo braço que gostou muito da nova amiga.

My: -Qual é, a gente quase não passou tempo com ela.

K: -Anda logo!

M: -Seus amigos são muito divertidos.

G: -Eles são sim, e gostam muito de você.

M: -Gus, olha, só toma cuidado tá bom!? E espero que você venha me ver quando isso acabar - As lágrimas descem pelo seu rosto e sua voz falha com a emoção de estar com alguém que chegou tão rápido, mas que passou a ser tão importante. E da forma mais cruel vai deixar-la - Eu não cozinho muito bem e não tenho muita comida, mas pode aparecer quando quiser, e por favor... não se esqueça de mim.

     Com um grande sorriso nos teus pequenos olhinhos ele a abraça e E lhe diz:

G: -Eu não quero me despedir de você, quero que você venha com a gente.

M: -O que?

G: -Vamos pra Dahlia, é uma cidade melhor do que essa, tem alojamentos na sede e você pode ficar o quanto quiser lá. Tem mais empregos e oportunidades.

M: -Gus, mas minha vida tá aqui eu…

G: -Qual é, a vida aqui é terrível. O que você tem a perder? Vamos cuidar de você, vem com a gente.

M: -Eu… eu não sei…

G: -Eu vou terminar essa missão, e quando eu voltar, você me diz o que quer.

M: -Tu...Tudo bem.

G: -Fechado! Até mais, Maggie.

     Tantos anos sozinha naquele lugar, numa cidade esquecida pelo mundo, num mundo que se esqueceu dela, jamais lhe passara na cabeça um dia sorrir outra vez, sonhar mais uma única vez e o medo de enfrentar algo novo não se comparava com a vontade de partir com aquele raio de esperança que brilhava naquele sorriso.

G: -Kami, preciso que faça uma coisa depois que eu for capturado. Pegue os remédios que ficam estocados no hospital e leve pras pessoas.

K: -Deixa comigo.

G: -Encontro vocês assim que eu descobrir onde eles guardam os corpos.

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