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Esqueceu a Senha?

Capítulos ( de 1) 05 Aug, 2018

Capítulo 10

Capítulo 10: Escuridão que dormia

Sábado, 16 de outubro de 2023, 12:27 h.

Yosuke ficou escondido em meio as árvores da praça depois de ter visto uma garota de olhos vermelhos e íris dourada vagando pela rua, bem na hora que ele sairia para procurar pelos outros. Ele começou a ficar preocupado com Olivier e seus outros amigos, torcendo para que estivessem bem.

Yosuke olhou de canto por entre a folhagem da moita entre as árvores que ele estava escondido, não vendo ninguém, mas ainda tinha medo de sair do esconderijo.

– Estou condenado... – Suspirou pesadamente.

– Está com fome? – Disse a voz atrás dele.

Yosuke se levantou com a espada aposta, avistando uma garota acocada atrás dele. Ela tinha com ela, além da mochila e de um saco de papel com cookies, uma espada enrolada em um pano, dando para ver apenas o cabo. A garota usava o uniforme da escola.

– Eu te conheço? – Indagou Yosuke, surpreso.

– Não, sou do terceiro ano. Mas eu o conheço, Yosuke Sakuia. Venho te observando há dois anos, desde que entrou no colegial. Me chamo Helga. – Explicou a garota de olhos castanhos e cabelo preto, tendo uma expressão tranquila como se tivesse a situação sob controle.

– Pode me explicar porque todo mundo está me chamando de Sakuia?! Meu sobrenome é Nestor!

– Não, esse é o sobrenome de seu pai. Sua mãe era uma invocadora do clã Sakuia, uma dos três irmão sobreviventes do clã Sakuia, que foi destruído e extinto, mas parece que o líder desse clã andou tendo casos fora do casamento e espalhou seu sangue entre bastardos. Bem, bastardo ou não, o sangue do clã Sakuia corria em sua mãe, assim como corre em suas veias e nas de seus tios.

– Meus tios? Fala do Yuen?

– Yuen não é seu parente. Ele é apenas quem ajudou sua mãe a entender seu poder, ao qual ela escolheu reprimir para ter uma vida normal. Você é sobrinho de Sergei Sakuia e de Minato Sakuia. Se bem que duvido muito Minato estar vivo a essa altura.

– Como sabe tudo isso?

– Sou do clã Muray. O líder de meu clã, Kempashi, me explicou tudo antes de me enviar para a missão de lhe observar, Yosuke.

– E como esse tal Kempashi sabe de tudo isso?

Helga pegou um cookie e alcançou o saco com os outros para Yosuke. Ele hesitou, mas a fome falou mais alto, pegando. Ela sorriu de forma que o deixou mais tranquilo.

– Ele sabe, porque foi o clã Muray que destruiu o clã Sakuia. Mas essa história ficarei lhe devendo pois nem eu sei o que aconteceu. Para falar a verdade, isso é tudo que eu sei sobre a sua história, então não há mais respostas a serem dadas, mesmo que pergunte.

O medo de Yosuke sumiu ao lado de Helga, que sorria despreocupada, como se nada estivesse acontecendo.

– Achei. – Disse um monstro enorme, tendo cerca de dois metros de altura, o corpo vermelho escuro e o rosto branco, assim como seus olhos.

– Cuidado! – Yosuke deixou cair o saco de cookies e preparou a espada, apontando-a para o monstro que surgiu atrás de Helga.

– Fique calmo, Yosuke, este é meu espírito, Zeus.

– Este não é meu nome verdadeiro. Me chamo Knzjhiguiritupizon.

Helga apontou para ele e deu uma risadinha para Yosuke.

– Como eu disse, este é Zeus. Foi o nome que coloquei nele porque nenhum mortal é capaz de pronunciar seu nome verdadeiro. Ao menos eu não consigo.

Yosuke relaxou, fitando o monstro musculoso que olhou para ele e sorriu, mas o que era para tranquilizar o jovem, acabou assustando-o mais ainda.

– Ele não vai tentar me matar? – Indagou Yosuke com certo receio.

– O matarei apenas se tentar ferir minha invocadora. – Respondeu Zeus, que apesar de sua aparência, tinha uma voz suave e tranquila.

Helga subiu no ombro dele em um pulo, ficando sentada.

– Vou indo. Boa sorte, Yosuke. Cuidado com os fantasminhas malvados que a escuridão do outro plano espalhou por aqui. Essa cidade não foi evacuada a toa. Deixa eu te contar antes de ir. – ela pigarreou – Há 200 anos, quando a guerra pelo trono estourou, essa cidade foi consumida pela escuridão quando um clã de invocadores usou um símbolo perdido no tempo, que invocaram na esperança de dominarem um dos cavaleiros do submundo,, para ser um membro deste clã o Rei de Eternia. Mas como vê, as coisas não saíram como esperado. Agora que a guerra pelo trono começa outra vez, a escuridão despertou e essa cidade se tornou o campo de batalha entre os invocadores de Graver. Então cuidado, todos os invocadores do país se encontram aqui e se matarão logo ao se verem. Fique longe deles.

– Obrigado pelo aviso. – Yosuke lembrou que Yma lhe falou a mesma coisa, mas ele não havia levado muita fé nas palavras dela, já que na verdade ela é um ser da escuridão e não uma fada como afirmava ser. Yosuke sentia-se um pouco constrangido por ter acreditado no papo de fada madrinha.

– Até! Vamos, Zeus! – O monstro deu um pulo, desaparecendo no ar junto com Helga.

Yosuke decidiu sair de seu esconderijo, encorajado pela confiança que Helga lhe passou. Para sua surpresa, logo ao sair de onde se escondia, encontrou Robert, Carter e Vynity entrando na praça.

– Yosuke! – Vynity acenou para ele.

– Pessoal! Estão todos bem?! – Yosuke correu até eles.

– Sim, por que não estaríamos? – Indagou Robert.

– Não é nada. – Yosuke percebeu uma mulher estranha junto a eles – Quem é essa? – Perguntou, segurando o cabo da espada mais firme.

– Uma turista, ela se perdeu do grupo dela. – Respondeu Vynity.

– Mas nós não somos os únicos aqui? – Questionou Yosuke.

– Permita que me apresente. – a mulher parou em frente a ele – Sou Mishihiro Kaeda. – Ela se curvou.

– Ela vai nos mostrar a praça, disse que tem uma coisa legal no centro dela. – Disse Carter, animado.

– Não tem nada de especial. – disse Yosuke – Vocês sabem voltar para os ônibus ou viram o vigia por ai? Estou um pouco perdido.

– Agora que falou nisso... – Carter olhou em volta – Também não sabemos como voltar.

– Eu lhes mostrarei o caminho depois, se quiserem. – Disse a mulher.

– Ok! – Vynity olhou para Yosuke – Quer se juntar a nós, Yosuke?

– Não, brigado. Vou procurar o Olivier e os outros.

– Hum... O Oli... Posso ir com você? – Vynity corou, ficando óbvio que ela gostava do Olivier.

– Pode.

– Até mais então pessoal, nos vemos no ônibus! – Carter e Robert seguiram com a mulher estranha, enquanto Yosuke e Vynity foram para o outro lado.

Deram alguns passos, até que Yosuke parou e olhou para trás.

– Se virem o vigia digam que... – ele viu a mulher fazendo suas unhas se tornarem longas e afiadas garras, como agulhas compridas, atrás dos jovens – Cuidado!! – Gritou Yosuke.

A mulher atravessou as garras na nuca de Robert, fazendo-o cuspir sangue e ficar engasgando no chão, em agonia, até a morte.

– O-o que é você?!! – Gritou Carter ao se virar.

– Vynity, corre! – Ordenou Yosuke.

A mulher cravou as garras no rosto de Carter, trazendo o olho direito preso em sua garra esquerda ao puxá-la de volta, deixando o jovem cair de joelhos gritando de dor e pavor, antes de morrer. Ela então levou a garra a sua boca, mordendo o olho de leve e o devorando como se fosse um espetinho.

– Yosuke, vem rápido! – Gritou Vynity, correndo mais a frente.

– Merda, merda, merda! – Sem ter tido chance de salvar os amigos, Yosuke saiu correndo logo atrás da garota, fugindo.

A mulher monstro riu e saiu caminhando tranquilamente atrás dos dois.

13:01 h.

Os dois correram até cansarem.

– Yosuke, por aqui! – Vynity parou na porta aberta de uma casa.

Os dois entraram na casa, fechando a porta. Yosuke sentou no chão, escorado de costas contra a porta, ofegante.

– Que merda cara...

Vynity tentou manter uma expressão séria, de bravura, mas lágrimas correram por seu rosto, que tremia por ela não permitir que entregasse seu medo.

– O que faremos? – Perguntou ela.

– Não sei... – Yosuke levantou e abriu uma fresta da porta, ficando espiando.

– Gyaa!! Yosu!!

Yosuke olhou para trás ao ouvir o som de algo quebrando e se deparou com Vynity, no chão, com a cabeça virada totalmente para trás. Uma garota de olhos vermelhos, com sangue escorrendo pela boca, foi se aproximando dele, fazendo um som de cobra.

– Rwa!! – Ela avançou sobre o garoto, mas por reflexo ele colocou a espada na frente, atravessando-a no peito do monstro, que parou e ficou olhando para a espada cravada.

– Por que... – disse Yosuke, amedrontado. A garota passou a mão no sangue que escorria da ferida e o lambeu – ...você... – Yosuke a fitou diretamente nos olhos – ...não morre?!! – Ele empurrou a katana com tudo para baixo, partindo a garota ao meio, ficando grudada apenas do peito para cima, deixando seus órgãos e tripas, caírem e se espalharem pelo chão. Yosuke manoseou a espada no ar e desferiu um golpe em diagonal, decapitando a garota monstro, que caiu para trás, morta.

Yosuke saiu andando pela casa, com a espada pronta para um ataque rápido, mas ao chegar na sala, encontrou o corpo de Carla com o estômago aberto, totalmente dilacerado, como se algum animal selvagem o tivesse devorado. Sem encontrar mais nada e nem ninguém, Yosuke decidiu sair da casa, não aguentou o cheiro.

Ao sair, avistou o corpo da mulher das garras que havia matado seus amigos, com apenas um toco de osso no pescoço, sem a cabeça, caída no chão. Ele olhou para mais adiante, onde um homem se distanciava. Ele seguiu para o lado oposto do homem.

13:49 h.

Yosuke vasculhou as casas, que estavam com a porta aberta, pelo caminho, mesmo com de medo, mas estava determinado achar seus amigos, principalmente Olivier.

Por fim chegou ao centro da cidade, que era rodeado por prédios.

– SOCORRO!!!

– Hum? – Yosuke percebeu mais a frente um grupo correndo em sua direção, reconhecendo seus colegas do clube de teatro, que tinham um monstro cortado pela metade, “correndo” atrás deles usando apenas os braços, que eram incrivelmente rápidos – Tá ok, ao menos sei que eles podem ser mortos. Vamos lá Yosuke, você consegue, esse vai ser fácil, você consegue. – Disse para si. Ele respirou fundo e correu em direção ao grupo.

– Yosuke!! Fuja!! Não venha para cá!!! – Gritou Nisha.

– Gyaa!! – Riki gritou de pavor quando o monstro pulou para cima dele, mas Yosuke desferiu um golpe contra o monstro no ar, partindo a cabeça dele ao meio com a espada.

O monstro caiu morto, com o cérebro caindo para fora de sua cabeça aberta, partido em dois.

– Grrwaa!! – Yosuke começou a cravar a espada diversas vezes no monstro, fazendo jorrar sangue nas pernas de sua calça.

– Yosu... – Riki ficou olhando-o com espanto, assim como Nisha, Marla e Starling.

Yosuke ficou ofegante, olhando para os amigos.

– Estão todos bem?

– Sim, obrigado, Yosuke! – Marla correu até ele, abraçando-o e chorando em seu ombro.

– Yosu, sabe que porcaria é essa? – Indagou Riki, acenando com a cabeça em direção ao monstro morto no chão, que agora mais parecia uma pasta vermelha.

– São seres das trevas que estavam adormecidos.

– Oh meu deus! Será que fomos nós que os despertamos ao invadirmos a cidade?! – Nisha desesperou-se.

– Se controle! Temos que dar um jeito de voltarmos ao ônibus onde o vigia está! – Starling tentava controlar a situação para os outros não caírem em desespero, enquanto suas próprias pernas tremiam de medo.

– Venham, tem uma casa aqui perto que parece ser segura. – disse Yosuke – Vamos bloquear cada porta e janela, até o vigia aparecer. – Todos concordaram com Yosuke, seguindo-o até a casa a qual ele falou.

14:22 h.

– Yosu, está perdido? – Perguntou Marla, apreensiva.

– Desculpe, estou. É como se o caminho pelo qual vim tivesse mudado.

– Yosuke, veja! – Riki apontou para uma loja de ferreiro.

– O que você quer fazer ali? – Yosuke questionou sem entender porquê Riki ficou tão esperançoso ao ver a loja.

– Meu avô também tinha uma loja assim, ele fazia várias coisas, incluindo armaduras decorativas e espadas, que se afiar podem ser usadas de verdade! Talvez tenha algo útil ali dentro.

– Não acho uma boa ideia. Melhor continuarmos procurando uma saída. – Disse Nisha.

– Se tiverem como se defender, melhor. Eu vou na frente. – Yosuke tomou a frente, indo em direção a loja.

– Tome cuidado, Yosuke. – Starling ficou apreensiva, roendo unha.

Yosuke mau encostou na porta de correr da loja, e ela foi ao chão por estar solta, dando um estouro alto que ecoou não só pela loja, mas pela rua.

– Acho melhor sermos rápidos agora! – Disse Yosuke, entrando na loja e se deparando com dois peitorais de armadura, uma espada longa e várias ferramentas.

Riki e Nisha vestiram as armaduras, Riki ficou com a espada, Nisha pegou um martelo, Marla pegou um facão e Starling duas chaves de fenda de ponta fina.

– Yosu, como conseguiu essa katana? – Marla ficou curiosa, não parando de olhar para a espada que tinha um brilho estranho na lâmina sempre que ficava contra a luz.

– É uma longa história. – Eles saíram da loja, seguindo caminhando a passos largos.

– A pergunta real é como você criou coragem para enfrentar essas coisas? – Disse Riki, com surpresa. Todos ficaram encarando Yosuke.

Ele respirou fundo e ergueu a cabeça.

– Muito maior do que a fraqueza e o medo, é a vontade que tenho de viver e salvar meus amigos. – Todos ficaram pensativos com as palavras dele.

Chegaram a uma esquina, onde antes de dobrarem, ouviram gemidos assustadores.

– Pessoal, vamos por aqui. – Sussurrou Starling, apontando para uma casa ao lado com a porta aberta, tendo uma marca nela, feita por algo afiado contra a madeira.

– Essa casa está limpa, eu já a vasculhei. Eu marquei as casas que passei caso me perdesse. – Sussurrou Yosuke, entrando na casa.

Todos entraram, então fecharam a porta.

– Pessoal, vamos ver se está tudo trancado. O que não estiver, tranquem e bloqueiem sem fazer muito barulho. – Instruiu Starling.

A turma fez como dito, apenas Yosuke ficou na porta, espiando pelo buraco da fechadura. O gemido começou a parecer vozes. Seu coração estava disparado, a tensão dominava seu corpo assim como a expectativa do que poderia ser que se aproximava. Ele rezava em pensamento para que não fossem percebidos, mas estava pronto para lutar caso preciso fosse. 

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