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Esqueceu a Senha?

Capítulos ( de 1) 05 Aug, 2018

Capítulo 8

Capítulo 8: Amigos

Sexta-feira, 15 de outubro de 2023, 16:31 h.

– Ei Yosu, diga alguma coisa para a câmera! – Olivier estava filmando tudo com uma câmera portátil. O ônibus já estava na estrada, o pessoal estava todo ansioso para conhecer a cidade histórica apesar de toda a reclamação posterior.

– E ai. – Yosuke acenou com dois dedos para a câmera. Os dois amigos estavam sentados no fundo do ônibus.

– Vocês duas, deem um depoimento! – Olivier colocou a câmera na frente do rosto das garotas sentadas no banco da frente, Misty e Kyo.

– Olivier, pare com isso. – Reclamou Misty.

– Eu quero deixar aqui o meu testemunho que essa viajem tem tudo para ser chata, mas conhecer as ruínas de uma antiga cidade deve ser legal. Vai saber o que encontraremos por lá. – Disse Kyo.

Olivier sentou novamente, virando a câmera para o rosto dele.

– É isso ai! Vamos lá explorar umas ruínas antigas e encontrar o tesouro perdido!

19:46 h.

– Você será testado, Sakuia. – Disse um ser de cabelo preto e asas negras parado sobre algo no céu. Yosuke o via como se estivesse voando por entre as nuvens.

Quando ele piscou, estava no cemitério novamente, mas agora ele estava diferente, mais claro. A sua frente estava o ser de asas negras empoleirado sobre uma cruz, segurando sua foice.

– Sua vida mudará, Sakuia. Deixará cair a máscara que esconde seu verdadeiro “eu”.

– Yosu! Yosu!

– Hã! – Yosuke acordou no susto com Misty o sacudindo.

– Tá na hora de acordar, já chegamos no hotel.

– Hmm... – ele se espreguiçou – Certo. – Yosuke pegou sua mochila e desceu do ônibus junto com Misty.

– Não se separem! – Organizava a diretora, reunindo as turmas para entrarem no hotel.

Logo ao entrarem, Yosuke ficou maravilhado com o hotel de luxo, já que pensou que ficariam em um qualquer. Ele gelou ao ver dois rostos conhecidos mais ao lado sentados em poltronas no saguão.

– Aqueles caras... – Ele reconheceu o rapaz negro e o outro loiro, que haviam discutido em frente a escola, gritando por Yagami.

– Vamos lá Yosuke, nós três vamos ficar no mesmo quarto. – Misty, acompanhada por uma garota, pegou o braço de Yosuke e saiu puxando-o.

– Vai ser legal ficar no mesmo quarto de vocês do segundo ano! Estou muito empolgada! Ah, eu sou Juliet. – A garota junto a Misty e Yosuke, tinha o cabelo vermelho escuro, usando-o com chiquinhas para os lados. O garoto apenas fez um aceno rápido para ela.

Andando pelo corredor, com Misty rodeando a chave do quarto, Yosuke reconheceu a mulher que estava com Justiny na floresta perto da praia outro dia, ela caminhava no sentido contrário dele, passando reto sem se quer olhá-lo.

O quarto deles ficava no segundo andar. Misty abriu a porta e Juliet entrou correndo, se atirando na cama.

– Uau! – Misty ficou impressionada com o quarto espaçoso, tendo uma cama de casal e uma de solteiro.

20:02 h.

– Pronto! – Juliet se atirou na cama novamente ao terminar de guardar suas roupas no armário, enquanto Misty conversava por mensagem pelo celular com os amigos que ficaram em outro quarto, e Yosuke tomava banho.

– Tão ai?! – Batidas na porta fizeram Misty dar um pulo.

Yosuke saiu do banheiro, já vestido, atendendo a porta.

– Olivier?

– Cara, fizemos uma descoberta master!

– É verdade! – Concordou Kyo, tão empolgada quanto Olivier.

– Tem um bar na cobertura! Vamos lá?!

– Claro!

– Vou junto! – Juliet levantou em um pulo, correndo até o lado de Yosuke.

– Eu não vou ficar aqui sozinha. – Misty levantou, juntando-se ao grupo.

– Partiu! – Olivier colocou o braço em volta do pescoço de Kyo, seguindo abraçado nela.

No elevador, o celular de Yosuke apitou. Ele o pegou e abriu a mensagem, era de Shy, mas ignorou.

– Você e a Shy brigaram? – Indagou Misty.

– Mais ou menos. Fiz uma coisa chata pra ela, mas já pedi desculpa. Ela está me evitando, mas quer sempre saber onde estou.

– Não vai responder pra ela?

– Não. Vou tirar esse final de semana de folga até ela se acalmar e deixar de birra.

– Chegamos! – Olivier saiu agitado do elevador.

Ao entrarem no bar, Yosuke e Misty sentaram em um sofá vermelho. O bar era escurecido, parecendo mais uma boate com música eletrônica rolando de fundo em um volume agradável.

– Lugar legal, não acha, Yosu? – Comentou Misty.

– Verdade. Nunca imaginei que teria um bar desses no hotel que foi escolhido para ficarmos.

– Estamos no colegial, uma boa parte de nós já é de maior.

– A diretora foi legal em pensar nisso. – Disse Kyo, sentindo-se agradecida.

– Pois é.

Kyo, Olivier e Juliet pegaram as bebidas no balcão para o pessoal, as colocamdo sobre a pequena mesa redonda ao lado do sofá.

– Que confortável! – Juliet ficou dando pequenos pulinhos no sofá ao sentar.

Kyo pegou o seu copo e virou a metade do coquetel em uma virada.

– Gwa! Até que não é tão forte!

– K-Kyo?! Pega leve, é a sua primeira vez. – Disse Misty a olhando apreensiva.

– Não se preocupe! É bem docinho!

– Uui! Eu vou provar também! – Juliet pegou sua bebida e deu três goles seguidos – Verdade, é bem doce!

Misty deu uma bicadinha na sua bebida.

– Ainda dá para sentir o gosto do álcool.

Olivier levantou com seu copo em mãos.

– Vamos brindar a essa viajem, que seja muito divertida!

– E a nossa amizade! – Acrescentou Kyo.

Todos levantaram e juntaram seus copos no alto, brindando.

21:17 h.

– … E ai ele ficou com uns olhões desse tamanho e disse: “Eu passei? Eu passei!” – Todos riram da história que Olivier contava sobre os tempos conturbados de quando Yosuke era um garoto problemático.

– Eu não te julgo, Yosu! – disse Kyo, falando engraçado, já sob o efeito da bebida – Eu quando era mais nova dizia para minha mãe que eu JAMAIS viajaria para Renglan para estudar. Hoje em dia, EU DIGO A MESMA COISA!! – Ela ficou rindo sozinha, enquanto os outros a olhavam com uma careta.

Juliet também riu.

– Entendi! – ela começou a gargalhar – Entendi... – ela bocejou, deitando ao lado de Yosuke, pondo a cabeça no colo dele.

– O Yosu levava várias garotas pra casa, mas elas pareciam terem sido tiradas de um filme de terror! Quem vê esse cara comportado agora, não sabe o que ele já aprontou!

Yosuke estava com a camisa desabotoada, com o peito exposto.

– Ao menos eu pegava mulher, enquanto tu ficava trancado no quarto com a janela fechada se masturbando vendo quadrinhos pornôs na internet.

– Y-Yosuke! – Olivier ficou envergonhado.

Kyo levantou e sentou no colo de Yosuke.

– O Yosu é o garanhão da escola. Todas se molham quando ele as olha diretamente. A Misty é a principal! – Ela começou a rir.

– Kyo!!! – Misty corou, dando um golaço em sua bebida tentando disfarçar a vergonha.

– E-ei! Yosu, tu tá com todas as garotas! – Reclamou Olivier. Misty estava sentada ao lado de Yosuke, Kyo estava no colo dele, sentada em sua perna direita, enquanto Juliet estava com a cabeça em sua perna esquerda, deitada no sofá.

– Eu to só parado. – Disse ele, despreocupado.

Juliet levantou, com os olhos mais fechados do que abertos.

– Vou pedir mais uma rodada para nós...

– Acho que já tá bom. Vocês beberam quatro copos enquanto eu to na metade do meu primeiro, vamos com calma. – Sugeriu Misty.

– Mas eu quero!... – Ela voltou a dormir, sentada.

Yosuke olhou mais para o lado no sofá, na parte afastada de todos, onde Yma estava sentada. Ele percebeu que ela estava com os braços cruzados, cravando as unhas no próprio braço e fazendo um filete de sangue escorrer.

– Pessoal, estou exausto e acho que essa colega de quarto de vocês também. – Olivier levantou – Vamos indo?

– Aaa! Agora que está ficando bom! Eu quero ficar!! – Resmungou Kyo.

– Eu vou levar Juliet pro quarto. Você vai ficar, Yosu? – Indagou Misty, acordando a garota dormindo sentada.

– Ah... Eu vou ir dar uma volta a mais.

– Eu quero ficar mas não quero ficar sozinha!! – Choramingou Kyo.

Olivier foi até ela e a pegou no colo.

– Vamos e para de reclamar.

– Estou me sentindo recém casada sendo carregada! Adeus meus amigos! Obrigada por terem comparecido ao meu casamento! Adeus! – Ela ficou acenando do colo de Olivier.

Todos voltaram para o quarto, menos Yosuke, ele foi para o terraço, onde encontrou Yagami vestindo um sobretudo preto, observando o movimento da rua embaixo.

– Yagami? – Yosuke estranhou.

– Você. Yosuke, certo? – ele virou para Yosuke – Por que está aqui?

– Te faço a mesma pergunta.

– Estou me preparando para a batalha.

– Batalha?

– Você não está sentindo, Sakuia?

– Sakuia?! É o mesmo nome que ouço em meus nomes. Akamura, Koda, Sakuia. O que significa esse nome?

Yagami deu uma risada debochada, virando as costas para Yosuke, fitando o céu noturno totalmente negro, sem nenhuma estrela.

– Você logo descobrirá. Espero que tenha treinado bem com sua espada.

– Quem é você afinal?

– Dizem que o grande guerreiro é aquele que nunca precisa sacar sua espada.

– De novo não.

– Ficar na defensiva é parcialmente eficiente. O erro mais comum que as pessoas cometem é tentar atingir a espada do adversário, ao invés da pessoa. Não se surpreenda com os cortes, machucados, ou coisas piores. O espadachim que se preocupa com sua pele, tende a se amedrontar no meio da luta. Nunca solte sua espada. Ao usar uma espada de dois gumes, não cruze os braços. Você perderá seu poder de manipulação, e isso pode ser desastroso. A coisa mais importante que você deve lembrar é que a luta de espadas não é uma brincadeira. Sacar uma espada é algo muito sério. As espadas foram criadas para matar, nada além disso. Nunca vire-se de costas. Lembre-se, não existem prêmios para um vice-campeão em uma luta de espadas. Vencer significa ainda estar de pé após o término da luta. E o segundo lugar quase sempre quer dizer morte. Isso quer dizer que, uma vez que você decidiu lutar com alguém, seu objetivo é sobreviver, e não ganhar um prêmio. Não estará em uma aula de kendo.

– Terminou? – Yosuke estava com as mãos na cintura, com expressão de desinteresse.

– Quando a batalha começar, você me agradecerá. – Yagami se virou e foi até Yosuke, parando ao lado dele – Tente não morrer, Yosuke Sakuia, precisarei de você em um futuro próximo. – Ele passou por Yosuke, saindo do terraço.

Yosuke ficou em pé onde Yagami estava, olhando para o movimento logo a baixo e em seguida para o céu, que era tomado por nuvens negras que ocultavam a lua.

– Qual o problema, Yma? – Indagou ele.

– Estou nervosa.

– Por?

– O baile está próximo. – Ela tinha o olhar baixo, como se estivesse chateada com algo.

– Estou sentindo uma sensação estranha desde que chegamos nessa cidade. Como se algo ruim fosse acontecer.

– Não se preocupe, estou aqui para guiá-lo ao baile. Lá você escolhe com quem irá dançar.

– Yma, e sobre o lugar onde fui parar a outra vez... É o mesmo lugar dos meus sonhos. O que isso quer dizer?

– Não sei. Existem vários mundos dentro do mundo e cada um deles tem suas características e seres que o habitam, mas é complicado diferenciá-los já que podemos viajar por todos, basta descobrir o caminho. Poderia te dizer a minha verdade, mas não seria a absoluta, pois isso não existe.

Yosuke suspirou, cansado.

– Desculpe, Yma. Eu ando lhe deixando um pouco de lado. Desculpa mesmo, mas estou com um pouco de medo desde que vi a mulher fantasma no beco.

– Não tema, Yosuke. Estou aqui para lhe proteger até o baile.

– Brigado, Yma. Vou ir pro quarto agora, a bebida está fazendo efeito. – Ele desceu, voltando ao quarto, onde as garotas já estavam dormindo na cama de casal, se atirando na cama de solteiro, adormecendo rapidamente.

23:59 h.

Yosuke estava no cemitério novamente, mas dessa vez não havia ninguém sobre a cruz a sua frente.

– Yosuke.

Ele deu um pulo do susto que levou de Yma ao seu lado.

– Não aparece assim do nada! – ela apontou mais ao lado – Hum? – Ele olhou para onde ela apontou, avistando um jovem usando um sobretudo negro, tendo seus olhos vermelhos, rodeado por uma aura de fogo negro com um ser de cabelos brancos e olhos também vermelhos ao seu lado.

– Akamura. – Balbuciou ela.

– É perigoso?

– Não. Ele nem sabe que está aqui. Mas não se aproxime dele se encontrá-lo fora daqui.

– Yma, isso não é apenas um sonho, não é mesmo?

Ela sorriu e saiu andando.

– Descobrirá por si mesmo. – Desaparecendo mais a frente.

Yosuke começava a se sentir cada vez mais incomodado e menos assustado com os pesadelos. 

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