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Esqueceu a Senha?

Capítulos ( de 1) 05 Aug, 2018

Capítulo 7

Capítulo 7: Cavaleiro do submundo

Sexta-feira, 15 de outubro de 2023, 3:18 h.

Fazia uma noite fria ao ponto de nevar, algo incomum em Graver.

– Reito! Espere por favor!! – Uma garota de longos cabelos negros correu atrás de um jovem, abraçando-se no braço dele. Não havia ninguém além deles na rua.

O jovem parou, ficando de costas para ela.

– Não há mais nada a ser dito. Você escolheu seu lado, Selena. Adeus. – Ele soltou o seu braço do abraço dela, voltando a andar, deixando-a chorando.

– Reito seu idiota!! – Ela correu até ele, o virou e lhe deu um tapa no rosto, saindo correndo em direção a um túnel para carros vazio.

– Tsc. – Reito seguiu para o outro lado, mas em seguida parou ao ouvir o grito de Selena vindo do túnel – Selena? – o grito ecoou novamente, sendo cortado na metade do som – Selena!! – Ele correu até o túnel.

– Invoque logo o seu guardião. – Ordenou um jovem em cima de Selena, enforcando-a no chão com as mãos.

– Não... Vou permitir... Que mate meu... Guardião... – Disse ela com dificuldade.

– Selena! – Reito chegou no local.

– Aizen, cuide dele.

– Você veio mesmo eu dizendo para não vir, é muito cedo ainda. Lutará sozinho.

Reito sacou uma pistola.

– Solte ela agora!

– Droga! – Quando o jovem se levantou e saiu correndo, Reito conseguiu ver seu rosto.

– Yagami de Yama. Maldito! Não fugirá!!

Yagami saiu correndo para o lado oposto, saindo do túnel com Reito disparando vários tiros contra ele.

– Reito, não!! – Gritou Selena, massageando o pescoço.

Yagami chegou a um beco sem saída, fraquejando e caindo escorado na parede, tendo levado um tiro no braço e outro na barriga.

– O que fará agora? – Indagou Yagami quando Reito parou na frente dele.

– Eu vou matá-lo e cortar o mal pela raiz. – Ele apontou a arma em direção a cabeça de Yagami, mas não puxou o gatilho, pois uma espada surgiu em seu pescoço.

– Já chega. – Disse um homem todo de preto ao lado dele, tendo uma asa de anjo e outra de demônio.

– Você deve ser Aizen, o quarto cavaleiro do submundo.

– Submundo? Cavaleiro? Faz séculos que não ouço alguém usar esses termos tão pejorativos referindo-se a mim e ao lugar de onde venho. Agora jogue esse brinquedo fora e vá embora, está cedo para tirar vidas. Motivo pelo qual ainda está vivo.

Reito largou a arma no chão e virou as costas.

– Reito! – Selena apareceu no começo do beco.

– Vamos embora, Selena. – Reito a pegou pelo braço e saíram andando juntos, sumindo na noite.

– Aizen, você é um péssimo espírito. – Resmungou Yagami.

Aizen o pegou Yagami pescoço e o ergueu contra a parede, tirando-o do chão.

– Não sou seu servo como os outros espíritos dos outros invocadores. Você está vivo apenas porque preciso de você para poder andar pelo mundo dos vivos. Você não passa de minha fonte de energia, Yagami. Ao contrário dos espíritos fracotes, eu não me importo se você morre ou não, pois jamais reencarnarei. Eu sou a mais pura escuridão. – Yagami começou a engasgar, então Aizen o soltou, deixando-o cair.

– Eu sei quem você realmente é, Aizen. Você é a sombra de um dos seis seres de luz que deus colocou para guiar a alma daqueles que morrem, guiando-os pelo caminho da paz e tranquilidade, encontrando o descanso merecido. Mas o primeiro Rei de Eternia tentou reinar eternamente não só sobre o mundo dos vivos, mas sobre o dos mortos, sendo ele derrotado pelo mesmo deus que lhe concedeu um poder igual ao seu por ter vencido a guerra pelo trono, criando assim a escuridão no outro plano.

– Não sabia que tinha conhecimento dessa história, Yagami. Mas deixe eu lhe contar a história completa. – Aizen pousou a mão no peito de Yagami, fazendo as balas saírem do corpo do jovem e seus ferimentos curarem – Sete seres de luz, o que vocês mortais chamam de anjos, foram criados e para uma única tarefa: Manter a ordem e guiar. Foram eles Asmodeus, o único ainda vivo, Astaroth, Baal, Belial, Asmoday e Amaymon. Quando o primeiro humano com o poder de se ligar ao outro mundo surgiu, ele espalhou sua semente por toda Eternia. Foram milênios de evolução de sua espécie, que descende deste humano que foi um dos primeiros. Não sabemos o porquê dele ter tido este poder, mas usamos a teoria que deus lhe deu tal dom com a intenção de se comunicar com ele, fazendo-o seu representante entre os mortais.

– Então os profetas da humanidade na verdade eram invocadores?

– Ou o contrário. Mas a muitos séculos atrás, o primeiro Rei de Eternia não ganhou o poder de deus ao derrotar vários outros invocadores, ele derrotou seu próprio irmão, se provando o mais poderoso. Deus falou com ele e deu o mesmo poder que ele possui para este humano, para ele guiar o povo em seu nome. Mas este humano sucumbiu a suas ambições, entrando em nosso mundo com seus dois filhos. Uma garota de cabelos negros e longos, chamada Yami e seu irmão, um jovem de cabelos negros e olhar arrogante, chamado Yama.

– O nome das duas escuridões do outro plano.

– O invasor derrotou quase todos os anjos, sobrando apenas Asmodeus, que conseguiu derrotá-lo, ficando fraco depois da batalha. Mas o invasor usou todo seu poder em um último truque, matando seus dois filhos e tornando-os eternos no outro plano até realizarem as ambições do pai.

– Por que deus não fez nada? Como a Morte permitiu tudo isso acontecer?

– Deus não é um ser como eu e você, ele é o ar que respira, o chão que caminha, a bebida que o hidrata. Ele é pura energia, ele é a vida. O mesmo vale para a Morte. Ela não é uma caveira usando capuz segurando uma foice, ela é a força que tira a alma do corpo quando o mesmo não tem mais força de mantê-la, impedindo que a alma se perca e fique vagando pelo mundo dos vivos. A Morte é a força que leva as almas ao plano onde podem vir a descansar até o dia de reencarnarem. A Morte é deus e deus é a Morte, assim como tudo que existe.

– E como explica os Profanos?

– As almas não são obrigadas a voltarem, muitas resistem por estarem presas a fortes sentimentos neste mundo, rejeitando o descanso.

– E você é a sombra que foi criada pela escuridão.

– Não. Eu sou um dos três últimos anjos da segunda geração. Deus criou outros dez anjos depois que os primeiros foram derrotados, mas a escuridão estava forte demais. Muitos anjos se perderam de seu objetivo, simplesmente ficando vagando por nosso plano, outros enlouqueceram e perderam sua ligação com deus, sendo totalmente contaminados por Yama e Yami. Eu sou um deles.

– Quantos anjos ainda existem?

– Não sei. Provavelmente nenhum mais, além de mim.

– Por que lutamos por Yama?

– Vou te que explicar tudo de novo... Porque ele deseja destruir a irmã, que o impede de concretizar seu plano de juntar os dois planos e reinar sobre ambos. Mesmo que um ente querido seu morra, você não precisará dar adeus a ele, pois continuará convivendo com o mesmo em forma etérea.

– Ah. Parece bom.

– Sim. Um mundo onde todos podem viver juntos eternamente. Um mundo sem lamentos de perda.

– Um paraíso.

Aizen revirou os olhos.

– Fui descuidado ao ressuscitá-lo, Yagami. É um incomodo ter que lhe falar tudo isso todo ano devido a sua perda de memória.

– Eu perco apenas o motivo pelo qual lutamos, o resto tudo me lembro. Por que isso?

– Não consegui trazer sua alma intacta de volta ao seu corpo já morto. Você era apenas um bebê humano, mas por sorte sua força espiritual era forte.

– Meus irmãos podem vir a ser um problema, não podem?

– Talvez. Confio em você para convencê-los a juntarem-se a nós. Existem apenas três famílias de sangue puro que descendem do primeiro invocador.

– Akamura, Sakuia e Koda. – Disse Yagami.

– Finalmente lembrou. Ótimo. Vamos sair daqui.

Yagami levantou, limpando a parte de trás da calça, partindo em seguida.

4:39 h.

Ao chegar em sua cobertura em um hotel no centro da cidade, Reito trancou bem a porta e fez um símbolo de proteção nela, indo até a sala e jogando-se em uma poltrona, levando a mão a cabeça ao suspirar, cansado.

– Droga... Um dos cinco cavaleiros da escuridão está aqui... O que farei? Sozinho não tenho chance contra ele. Se eu juntar um grupo de poderosos invocadores talvez... Aah... Em meio a guerra pelo trono nenhum invocador irá querer cooperar.

– Reito... – Selena estava em pé ao seu lado – Por que luta contra isso? Você não quer ver aqueles queridos para você novamente?

– Selena, você é ingênua. Acredita mesmo que será assim, tão fácil? Não pensa em quantas vidas inocentes serão perdidas? Eles falam em criar um mundo sem lamentos e perda, mas o que realmente estão tentando fazer tem outro nome.

– Qual?

– Apocalipse. Os seres do submundo tomando o controle sobre o mundo dos vivos. A bíblia fala sobre isso, já quase aconteceu uma vez e como diz a profecia escrita por um profeta de deus, o ano de 2024 será marcado pelo sangue dos vivos e pelos gritos do além. O apocalipse acontecerá e apenas aqueles de sangue puro e coração nobre poderão impedir isso, referindo-se a eles como os “Três Reis Astrais”.

– Desculpa, não sou muito religiosa. Não há como sabermos se esta profecia foi realmente escrita por alguém que falava com deus. Existem tantas versões da bíblia que não tem como saber se é verdade ou não.

Reito suspirou pesadamente.

– Melhor prevenir do que remediar. Mas estou quase certo que a profecia é real, devido a agitação das criaturas malignas que vivem no submundo.

– Demônios?

– Não só eles. Dominion me disse que antes de se juntar a mim, ogres, espectros, demônios, enfim, todas as criaturas do submundo estavam inquietas, algo incomum.

– Isso dá um pouco de medo. – Disse Selena, seguido de um bocejo.

– Vamos descansar, já está tarde. Dormirá aqui hoje.

8:23 h.

Na escola, Yosuke estava na biblioteca vazia com Lupia, transando.

– Isso é tão bom... – Disse ela em meio a um gemido que abafou com a mão.

– Que porra é essa?! – Amarula flagrou os dois.

– Droga! – Yosuke fez menção de parar, mas ela o segurou pelo ombro.

– Se ia se divertir, poderia ter me avisado, Lup. Agora quero participar. – Marula deu um sorriso sacana para os dois.

Yosuke deu conta das duas, ficando exausto.

– Foi ótimo. – Disse Lupia, se vestindo.

Marula, tendo se vestido primeiro, deu um beijo na bochecha do garoto.

– Temos que repetir a dose.

Yosuke apenas deu uma risadinha, acenando para elas.

– Vou indo garotas. Até mais.

– Tchauzinho. – Disse Marula, acenando com os dedos.

Yosuke saiu, deixando as garotas sozinhas.

– Vamos indo também, Marula. – Disse Lupia, já vestida.

– Poderia ter me contado, sua safadinha. – Marula deu uma risadinha – Mas não te culpo, o Yosuke é desejado por muitas na escola. Uma vez conversei com ele e perguntei porquê se dedica tanto a tudo que faz. Sabe o que ele me respondeu?

– O quê?

– Que é o único jeito de ocupar a mente para não lembrar do passado.

– Ele é o único sobrevivente do desastre que aconteceu na cidade mais ao norte, não é?

– Sim. A cidade foi totalmente destruída e ninguém sabe explicar até hoje o que aconteceu. Mas como o imperador proibiu a mídia de se aprofundar no assunto, acabou ficando por isso mesmo.

– Tadinho.

– Bom, vamos voltar logo pra aula. – Elas saíram juntas da biblioteca, risonhas.

8:58 h.

Yosuke saiu do banheiro depois de se higienizar, encontrando com Justiny no corredor.

– Justiny, onde está indo com tanta pressa?

– Ah... Yosuke... Eu tenho que resolver uns negócios em casa, então pedi pra diretora pra sair mais cedo.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não, não é nada.

– Hum. Tá bom então.

– Tchau! – Ela voltou a caminhar apressada, quase correndo.

Yosuke voltou para a aula, onde o professor de religião explicava sobre os profetas e seus feitos.

12:54 h.

Yosuke, Olivier, Kyo e Misty almoçavam juntos em uma lanchonete próxima a escola.

– Vocês ficaram sabendo? Encontraram os corpos de quatro policiais espetados na grade de lanças de uma mansão. – Comentou Olivier.

– Ai que coisa horrível para se dizer enquanto se come, Oli! – Reclamou Misty.

– Eu vi. Dizem que estavam sem o coração e os olhos. – Complementou Kyo.

– Kyo! Até você?! – Misty a olhou com uma careta de desagrado.

Yosuke terminou seu hambúrguer.

– Foi uma merda terem mudado o horário da viajem pro final da tarde. Vamos chegar e ir direto para o hotel. – Resmungou ele.

– Nem me fale. Trouxe essa mochila pesada com minhas coisas a toa. – Misty deu dois tapinhas sobre a mochila ao seu lado.

– Eu deixei minhas coisas na escola pra não ter que ficar carregando esse peso pra todo o lado. – Comentou Yosuke, terminando o refrigerante.

– É? Onde que tu deixou? A mochila não cabe no armário. – Indagou Misty.

– Dava para deixar na sala, eles trancariam tudo depois da aula. – Respondeu Kyo.

– Bem que estranhei eu ser a única carregando a mochila. Por que não me disseram antes?!

Olivier gargalhou.

– Você não perguntou.

– Tsc!

– Que horas mesmo que temos que estar na escola? – Indagou Yosuke.

– Depois das três. Os ônibus sairão as quatro. – Respondeu Olivier.

– Topam jogar boliche até lá? – Kyo estava animada.

– To com pouco dinheiro, só to levando cem conto pra gastar na viajem. – Disse Yosuke, meio sem graça.

– Eu pago pra ti. Vamos logo, levanta a bunda dai. – Disse Misty, levantando-se.

– Se é assim, vamos nessa. – Yosuke levantou também, seguindo com os amigos.

14:47 h.

– Aaa! Droga!! – Olivier errou a bola pela quarta vez, fazendo-a cair para o lado e não derrubando nenhum pino.

Kyo ficou rindo dele, sentada no sofá logo atrás, tomando um coquetel de frutas com apenas uma dose de álcool.

– Buuh! Você é muito ruim!! – Debochou ela, brincando.

– Ah é?! Toma isso então! Ataque das garras!! – Olivier ficou fincando o dedo nela, fazendo-a cócegas.

– Esses dois são lindos juntos, não acha, Yosu? – Misty ficou olhando para Yosuke como se quisesse fazer algo, mas não tinha coragem.

– É. Até parece eu e a Shy. – Disse ele, nervoso.

Misty baixou o olhar, chateada.

– É...

– Como você é mal com ela. – Disse Yma, que andava calada ultimamente.

Yosuke olhou a hora.

– Pessoal, vamos voltando? Temos que ver qual ônibus vamos ficar ainda.

– Vamos. – Olivier levantou com Kyo, beijando-a antes de saírem.

14:55 h.

Pelo caminho, Yosuke avistou um cego sentado na calçada com uma lata com poucas moedas, com uma plaquinha de papelão dizendo: “Sou cego, me ajude”. Yosuke foi até ele e pegou a placa.

– Misty, tem uma caneta ai?

– Tenho.

– Me empresta.

– Quem está ai? Por favor, não faça pegadinhas. – Pediu o cego.

– Relaxa ai carinha. – Yosuke escreveu no lado de trás da placa, colocando-a no lugar com a nova mensagem.

– Yosu, só tu mesmo. – Olivier riu.

– Vamos. – Yosuke levantou e seguiu com os amigos, deixando escrito na placa: “Está um lindo dia, pena que eu não posso vê-lo”.

– Por que fez aquilo, Yosu? – Indagou Kyo.

– Porque as pessoas agem pela emoção. Pedir ajuda de forma brusca não é muito efetivo, você tem que fazer elas sentirem alguma emoção ao ler a frase. Isso se chama frase de impacto, usam bastante em publicidade.

– Como sabe tanto sobre isso cara? – Questionou o amigo.

– Li um livro sobre isso a uns meses atrás.

– Tu tá sempre lendo, Yosu. Quem diria que leria algo útil. – Zombou Olivier.

– Me abstenho de te responder. – Os quatro riram.

Ao chegarem na escola, o professor de religião que é o representante da turma de Yosuke, mandou pegarem as mochilas e irem entrando no ônibus para não ficar uma bagunça de todos entrando de uma vez só mais tarde.

– O baile está prestes a começar... – Yma estava ansiosa. 

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