Bem-vindo

Venha e junte-se a nós

  • Simples para publicar
  • Rápido feedback
  • Compartilhe com o mundo
/

Ou logue usando:

Esqueceu a Senha?

Capítulos ( de 1) 05 Aug, 2018

Capítulo 6

Capítulo 6: O misterioso Yagami

Quinta-feira, 14 de outubro de 2023, 6:34 h.

– Eu sou você e você sou eu. Não há como fugir. – Yosuke estava em frente a ele mesmo, como em um espelho vivo.

– Claro que você sou eu! Você é o meu reflexo!

– Exato. – O outro “eu” dele começou a mudar, ficando metade Yosuke e metade um ser estranho de olhos amarelos.

– Não...

– Meu nome é Izami.

– Desapareça!! – Yosuke tentou desferir um soco contra o ser a sua frente, mas acordou bem na hora.

Shy entrou no quarto trazendo o café da manhã na cama para Yosuke.

– Come rápido e não demora no banho. – Ela entregou o café e saiu, ainda chateada com o que houve na noite passada.

Ele comeu e foi tomar um banho rápido, percebendo Yma emburrada, escorada na parede do quarto ao voltar para se vestir.

– O que foi tu também? Hoje todo mundo decidiu ficar contra mim, é isso? – Reclamou Yosuke.

Yma virou as costas e saiu.

– Não preciso ouvir isso...

Ele se arrumou e foi até a sala, se deparando com Olivier e Kyo sentados no sofá, fazendo companhia a Shy.

– Finalmente, Yosu! Vamos logo! – Olivier se levantou do sofá, animado como sempre.

Seguiram todos juntos para a escola. Olivier ficou falando o caminho todo, Kyo apenas ria. Yosuke e Shy ficaram em silêncio, de lados opostos.

9:15 h.

– … E assim a mãe sempre cuida e amamenta o filhote, enquanto o macho... – Yosuke bocejou alto durante a explicação da professora – Yosuke!

– Sim professora?! – Ele levantou no susto.

– Estou vendo que está bem interessado na aula. Responda-me, qual o maior mamífero do mundo?

– Ah... O elefante?

– Beeh! Errado! O maior mamífero do mundo é a baleia-azul!

– Baleia não é peixe?

A professora apenas deu uma risadinha.

– Uma curiosidade para saber diferenciar os animais aquáticos marinhos, é prestar atenção na cauda. Todos os mamíferos aquáticos tem a cauda deitada, já os peixes tem a cauda em pé. Por exemplo a diferença entre a cauda de um golfinho e a de um tubarão.

– Tanto faz... – Yosuke sentou novamente.

Misty levantou a mão.

– Pergunte. – Disse a professora apontando para ela.

– Como elas amamentam no fundo do mar?

– A-ha! Boa pergunta! Elas não fazem isso no fundo do mar! Quando está na hora de alimentar os filhotes, as baleias passam a nadar mais lentamente e se aproximam da superfície, estratégia que até hoje intriga os especialistas. Seguindo esse raciocínio, chegamos ao ponto em que... – A professora seguiu a aula, mas Yosuke não prestou atenção.

11:20 h.

Yosuke foi liberado mais cedo para encontrar com o clube de música que faria uma atividade especial a pedido da diretora, que entregou uma tarefa para cada clube.

– Yosu! Demorou! – Reclamou um garoto logo que Yosuke entrou na biblioteca, que ficava vazia durante as aulas.

– Relaxa Carter, deixa ele chegar primeiro! – O repreendeu uma garota de cabelo castanho claro e olhos cor de mel.

– Valeu, Lupia. – Disse Yosuke, juntando-se ao grupo, que era formado por três garotas e três garotos, contando com Yosuke.

As outras duas garotas ficaram o rodeando, olhando-o com um olhar clínico.

– O que estão fazendo? – Indagou o segundo jovem.

– Não faço ideia, Robert. – Respondeu Carter, dando de ombros.

– Marula, Vynity, parem com isso! – Esbravejou Lupia.

– É que ficamos sabendo que ele brigou e foi feia a coisa. – Explicou Vynity.

– Ai estamos estranhando ele não ter marca alguma. – Completou Marula.

– Eu usei uma pomada do Olivier, que não deixa marcas. – Mentiu Yosuke.

Lupia bateu palmas duas vezes.

– Certo, certo. Vamos a nossa tarefa social. Temos que conversar com moradores de rua e entender o que os levou a irem parar na rua.

– Eca! Mendigos? – Marula fez uma cara de nojo.

– Pare de reclamar, é pelo bem do clube. – Disse Vynity.

– Vamos nos dividir em duplas, fica mais fácil. – Sugeriu Carter.

– Boa ideia. – Concordou Robert.

– Ok. Então vamos fazer Marula e Vynity, Robert e Carter, eu e Yosuke.

– Ok! Vamos lá! – Animou-se Carter.

– Bora atender a tarefa e ganhar pontos para o nosso clube! – Disse Vynity.

A escola tinha um tipo de gincana entre os clubes, que no final do ano aquele com a maior pontuação, ganhava verba para investir no clube.

11:53 h.

Yosuke e Lupia encontraram um mendigo deitado em uma cama de papelão no beco ao lado de um prédio.

– Com licença, senhor. – Lupia se aproximou do homem.

O homem acordou olhando fixamente para ela, que deu um pulo para trás ao ver o rosto deformado dele.

– Eu cuido do trabalho, vai na lancheria e busca algo pra mim beber.

– T-tá. – Ela saiu com uma mistura de nojo e medo do homem.

Yosuke sentou ao lado dele.

– Posso?

– A vontade sinhô moço.

– Como se chama?

– Amadeus, sinhô.

– Nome legal, Amadeus. Se importa se eu lhe fizer algumas perguntas? É para um trabalho da escola.

– Tem pobema não.

– Serão três perguntinhas rápidas. Você tem família?

– Tenho não. Eu tinha uma esposa, mas ela fico doente e acabou morrendo. Sou sozinho, sinhô.

– Você gosta de morar na rua? Por que não busca um emprego pra ter melhores condições de vida? Não acha melhor ir para um albergue?

– Gosta não gosto não, mas com essa cara não consigo emprego não sinhô moço. Todos tem a mesma reação que a jovenzinha sua amiga que fugiu de mim. Albergue é perigoso, lá eles abusam de nós porque sabem que ninguém se importa com nós. Nós é ignorado por todos, sofrendo abuso de todos os lados e alguns de nós é até morto sem motivo. A pouco tempo mataram um conhecido meu da praça, jogando fogo nele enquanto dormia.

– Uhum... – Yosuke anotava o que achava relevante – E como o senhor acabou sem nada?

– Como já tinha dito sinhô moço, minha esposa ficou doente e eu tentei salvar ela, né. Eu a amava muito, né. Acabei usando tudo que tinha pra pagar vários tratamentos, mas no fim nada funcionou e acabei sem nenhum bem material e sem minha esposa. Sempre que me dão dinheiro eu compro uma rosa e coloco no túmulo dela, que foi a última coisa que consegui comprar pra ela, já que merecia, né. Mas eu tenho fé em deus e acredito que ela deve estar feliz a onde quer que esteja.

– Yosuke. – Yma cutucou Yosuke e apontou para o fundo do beco, onde uma mulher de pele negra usando um vestido todo branco chorava – É o espírito atormentado da esposa desse homem, que está preso neste plano devido a culpa por tê-lo deixado neste estado. Quer enviá-la ao seu descanso? – Yosuke concordou com a cabeça – Permita-me.

Yma foi até a mulher, que ergueu a cabeça e deu um grito agudo, revelando olhos dourados com a iris vermelha. Yma levou a mulher para trás de uma lixeira, onde Yosuke não pode ver o que ela fez, mas voltou em seguida, sentando ao lado dele.

– Eu trouxe um chá gelado para você. – Disse Lupia ao retornar da lancheria que tinha logo ao lado.

– Certo, já terminei. – Yosuke levantou, pegou a carteira e deu uma nota de cinquenta para o senhor – Coloque uma rosa no túmulo de sua esposa por mim também.

– M-muito agradecido sinhô moço! Tenho certeza que ela vai fica muito feliz!

– Assim espero... – Yosuke e Lupia saíram do beco.

– Yosu, tu quase não tem dinheiro pra ti, por que deu aquela quantia alta pro mendigo? Ele provavelmente vai gastar tudo em bebida.

– O que dei não foi o dinheiro, mas sim o ato de esperança que tentei passar a ele.

Lupia ficou encarando-o sem perceber, admirando o jovem companheiro de clube.

– Você é bem legal, Yosu.

Ele sorriu de forma ingênua para ela.

– Obrigado.

12:21 h.

Já na escola, o clube ficou debatendo sobre tudo que conseguiram.

– Certo! Então vamos passar tudo a limpo e formar o relatório pra diretora. – Instruiu Carter.

– Bom pessoal, vou ter que abortar a missão na metade, tenho kendo agora. – Yosuke foi em direção a saída, mas Marula fechou sua frente.

– Nem pensar! Todos tem que ajudar!

– Eu faço a parte dele. – disse Lupia – Ele fez tudo sozinho na rua, estou lhe devendo.

– Tem certeza, Lup? – Indagou Robert.

– Sim.

– Valeu Lupia. – Yosuke passou por Marula e saiu da biblioteca.

– De nada.

12:33 h.

No dojo, Yosuke tirou os tênis e entrou.

– Desculpe o atraso, sensei! – Yosuke entrou e se ajoelhou ao lado de Justiny ao se juntar aos demais diante do professor.

– Yosuke. – o professor, um homem negro que usava brinco nas duas orelhas, com uma pérola azul pendurada em cada um, estava sentado mais a frente em um pequeno altar – Conheça o novo colega.

Yosuke se esticou para frente olhando para o lado, era uma turma pequena de apenas quatro alunos, passando agora a seren cinco. O garoto novo tinha um ar de superioridade, o que deixou Yosuke com um pé atrás com ele.

– Bem-vindo. – Yosuke o cumprimento sem muita empolgação.

– Ele é novo na escola, então seja legal com ele, ok?

– Ok, sensei. – Concordou Yosuke, não gostando muito da ideia.

– Certo! – o professor levantou – Yosuke, você lutará contra o novato. Tudo bem, Yagami? Eu apenas quero ver o quanto você sabe, já que disse ter experiência.

– Tudo bem. – Yagami levantou, colocando a proteção e ficando frente a frente com Yosuke no centro do dojo.

– Não vou pegar leve já que a intenção é testar o quanto você já sabe. Então desculpe qualquer coisa. – Disse Yosuke, encarando o jovem.

– Não se preocupe, não vou usar tudo que sei para não machucá-lo, Yosuke, certo?

– Tsc! Vamos ver quem vai se machucar! – Eles encostaram as espadas de madeira, uma forma de cumprimento entre adversários, se preparando para começar.

– Comecem! – Gritou o professor.

Yosuke desferiu um golpe rápido vindo de cima, Yagami apenas virou de lado atacando, Yosuke pela lateral, mas Yosuke conseguiu defender com a espada, rodopiando as duas espadas juntas no ar até que Yagami fez uma meia lua, separando as armas de madeira. Yosuke avançou de ponta com a espada, mas Yagami rodeou desviando para o lado e atingiu um golpe no lado direito da cabeça de Yosuke, que perdeu a concentração, sofrendo outros golpes ágeis no ombro e no peito.

– Grr! – Ele deu alguns passos para trás, com Yagami já avançando contra ele.

– Já chega! – O professor terminou a luta.

– Obrigado pela luta. – Disse Yagami ao fazer um rápido cumprimento.

– Yosuke é o campeão nacional de kendo do ano passado, estou realmente surpreso de você ter conseguido vencê-lo, Yagami.

– Terus sensei! Deixe eu desafiá-lo! – Levantou um dos colegas.

– Eu também, sensei! – O outro também levantou.

– Podrik, Mishirama, sentem. – os dois sentaram – Hoje não é dia de luta, eu apenas quis testar o novo aluno para saber o quanto posso exigir dele. Acredito que poderá treinar ao mesmo nível que vocês. Peguem as espadas e treinem a sequência que já passei para vocês no poste de treino!

– Sim sensei... – Todos levantaram, indo para os bonecos de madeira com os braços abertos no fundo do dojo.

Yosuke ficou descontando toda sua frustração no boneco de madeira. O professor ficou andando de um lado para o outro atrás dos alunos, analisando e dando puxão de orelha quando faziam algo errado.

– Dicas! Nunca se esquive como um maluco. Olhe para onde o seu adversário está mirando, e mova-se o mínimo possível. Se ele for para frente e você der um passo para o lado, você terá uma chance limpa de ataque. Aproveite. A posição do corpo é muito importante. Mantenha o corpo perpendicular e o ombro do braço da espada, apontado para o adversário. Assim seu tronco ficará menos exposto e seus órgãos vitais ficarão protegidos. A precisão é mais vital que o poder.

Yagami não atacava apenas com a espada, mas usava ataques combinados usando socos, chutes e todas as partes da espada.

– O que ele tá fazendo? – Justiny estranhou.

– Yagami, isso aqui é uma aula de kendo, não briga de rua. – Terus o repreendeu.

Yagami encarou o professor.

– Todas as partes da espada são uma arma. A ponta, cada um dos gumes, o cabo e o pomo. Além disso, o corpo também é uma arma, e tudo ao seu redor pode ser uma arma. Uma luta de espadas não deve se limitar à espada. Deve sempre usar tudo o que puder para vencer. – Disse ele em tom neutro.

– Ah, é mesmo? Quer você dar a aula?

– Claro. – Yagami parou de pé no altar, olhando a todos treinarem. O professor ficou encarando-o, incrédulo.

– Ele vai mesmo fazer isso... – Resmungou Podrik.

– Prestem atenção! Conheça bem o território à sua volta e use-o em seu benefício. Faça com que seu adversário ande para trás e esbarre em um obstáculo, por exemplo. Ou então, coloque-se de costas para o sol, deixando a luz bater bem nos olhos do adversário, cegando-o momentaneamente e criando uma chance de ataque! Se houver necessidade de lutar com vários adversários, manipule-os para que eles interfiram na luta um do outro, evitando que você tenha que lidar com cada um! Conserve sua energia! Os mais experientes sabem que uma luta exige muito esforço, portanto, não desperdice tempo nem energia com movimentos mirabolantes e manobras desnecessárias. Sua sobrevivência depende disso!

– Sobrevivência? Do que ele tá falando? – Mishirama ficou com uma careta como se achasse Yagami maluco.

– Use armas e técnicas conhecidas, com as quais você tenha habilidade. Tentar algo novo durante uma luta pode ser perigoso! Cuidado com o posicionamento. Se você sempre se mover de forma linear, ou ficar sempre parado, poderá limitar-se, e seu adversário poderá se aproveitar disso. Esteja preparado para utilizar todo o território, e mova-se da maneira que a situação pedir! Caso você não precise bloquear, não o faça! É bem mais fácil desviar de um golpe do que usar a força bruta! Conheça bem sua espada, seu estilo e do que ela é capaz! Observe atentamente o seu adversário. Observe para onde ele está olhando, pode ser a área onde ele planeja atacar. Quando seu adversário estiver pronto para atacar, seus punhos e ombros estarão tensionados!

– Esse garoto é bom... – Terus ficou impressionado com o conhecimento de Yagami referente a utilizar uma espada.

– Ao encarar um adversário, mesmo que seja um mais fraco, tente tirar o máximo de vantagem que puder. Isso inclui a vantagem mental. Jogue areia nos olhos dele, insulte-o, ou faça qualquer outra coisa que o enfraqueça, pois mesmo mais fraco, ele ainda pode machucá-lo e até matá-lo! Ataques combinados são mais eficazes que os simples. Em lutas extensas, o melhor combatente é aquele capaz de realizar mais de um ataque de uma vez. Dessa forma, ele tem muito mais chances de sucesso. Pressione o adversário, induzindo-o ao erro! Lembre-se de que se você estiver apontando sua espada de frente para o adversário, deve estar preparado para movimentar a espada e bloquear ou esquivar, a fim de não se expor! A maioria das pessoas que lutam com espadas, costumam separar a defesa do ataque, o que pode limitar severamente sua técnica. Os melhores guerreiros fazem uma combinação dos dois, de maneira que o bloqueio ou defesa se transforme naturalmente em um contra-ataque. A luta, nesses casos, é suave, com uma progressão fluída dos movimentos! Deixe que seu adversário pule e corra, para que se canse mais rápido, pois se você o fizer, isso poderá ser fatal! Saiba o comprimento da sua espada! Não encare. Pode ser algo intuitivo, mas olhar muito intensamente para o adversário pode entregar o jogo, fazendo com que ele deduza seus movimentos com mais facilidade! Não se intimide com os movimentos e investidas do seu adversário!

– Esse cara não vai parar de falar?! – Resmungou Podrik.

– E sempre...

– Aaah!! Já chega!! – Yosuke interrompeu o discurso de Yagami – Não aguento mais esse cara falando e falando! Será que tu pode pegar sua espada e treinar como todo mundo, calado?!

Yagami o fitou com cara de quem não gostou.

– Ai, ai... – o professor riu – Estou com uma turma talentosa dessa vez. Certo! Yagami, obrigado por dividir sua experiência de videogame conosco, agora vá e treine com os demais.

– Videogame? – Yagami ficou furioso – Ora seu humano pretensioso, fraco e... – o cabelo dele se mexeu como se tivesse batido em uma parede invisível enquanto ia em direção ao professor – Certo... – ele respirou fundo, ficando mais calmo – Desculpe, sensei... – Ele pegou a espada e treinou como todos os outros, em silêncio.

20:19 h.

Já em casa, deitado na cama, Yosuke estava pensativo.

– Yma...

– O que foi, Yosuke? – Ela estava sentada na cadeira mais a frente da cama.

– O que eu vi hoje no beco, era realmente um fantasma?

– Sim.

– Por que eu consegui ver a mulher fantasma, e o marido dela não?

– Porque você é especial, Yosuke. Por isso que estou com você.

– Yma... Tu é um fantasma?

– Sou sua fada madrinha, esqueceu?

– Sei lá... Tudo parece tão estranho ultimamente...

Yma sentou na cama.

– Não se preocupe. Seu passado já foi escrito, mas você pode moldar seu futuro como quiser, através de seus escolhas. Amanhã tu pode mudar o que não gosta, fazendo escolhas diferentes.

– Valeu, Yma. – Yosuke virou para o lado – Noite.

– Boa noite, Yosuke.

Compartilhar: