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Esqueceu a Senha?

Capítulos ( de 1) 05 Aug, 2018

Capítulo 4

Capítulo 4: Sombras do passado

Terça-feira, 12 de outubro de 2023, 5:18 h.

– Akamura...

– Hum?! – Yosuke estava em um lugar totalmente escuro, sendo apenas o centro em que estava, iluminado por uma luz sobre ele, com diversos olhos vermelhos brilhando ao seu redor na escuridão.

– Sakuia... – As vozes eram distorcidas, como a de monstros.

– Koda...

Yosuke ficou olhando para todos os lados, assustado, procurando uma saída.

– Me deixem sair!!

– Akamura...

– Seus filhos de uma vaca leiteira!

– Sakuia...

– De uma égua coiceira!!

– Koda...

– De uma cadela vagabunda!!!

– Tsc, tsc, tsc. Que boca suja você tem. – Yma surgiu em meio a escuridão, indo até Yosuke.

– Yma!

– Não consegue evitar vir parar aqui, não é? – ela ficou olhando em volta, encarando os olhos em meio a escuridão – Em pensar que ainda há tantos que acreditam que podem ir contra o que já foi decidido.

– Quem e o que são eles?

– Almas que tentam tirá-lo do caminho do baile.

– Por quê?!

– Porque eles tem medo.

– Akamura...

– Sakuia...

– Koda...

– O que são esses nomes que eles ficam repetindo?!

Yma sorriu de canto.

– Não faço ideia. – ela estendeu a mão para Yosuke – Segure minha mão, vou te tirar daqui. Ele pegou a mão dela.

Yosuke acordou, tranquilo. Ao olhar ao lado da cama, percebeu Yma o olhando, sorrindo, estando eles de mãos dadas.

– Yma... Aquilo foi real?

– Aquilo o quê? – ela deu uma caidinha com a cabeça para o lado – Você estava agitado enquanto dormia então segurei sua mão, por coincidência você acordou.

Yosuke olhou para o relógio ao lado da cama e fechou os olhos.

– Vontade de ficar dormindo...

– Então fique.

Ele se levantou, praticamente se jogando para fora da cama.

– Não posso... Tenho reunião do time hoje.

– Eu ouvi o seu amigo conversando ao telefone ontem. É verdade que você está no time de futebol, no clube de ciências, de música, teatro e no kendo?

– É verdade.

– Como consegue participar de todos?!

– Eu não sou muito participativo na maioria, apenas no futebol e kendo. Os outros, os líderes pediram para que eu entrasse apenas para atrair mais gente. Eles acham que sou popular, sei lá. Vou bem raramente, só quando pedem. – Explicou Yosuke, indo ao banheiro com Yma o seguindo.

– Você não sai muito, não é?

Ele fechou a porta na cara dela, indo tomar banho. Yma foi para sala, onde encontrou uma garota de cabelo ruivo usando chiquinhas, parada no centro da sala.

– Yma.

– Inomine! O que faz aqui?! – Espantou-se ela.

– Na noite de ontem senti uma presença familiar que indica que as coisas estão andando mais rápido do que pensávamos.

– Presença familiar? De quem?

– Rinkashimikutamo.

– Então quer dizer que o garoto despertou...

– Sim. Por algum motivo não conseguimos tocá-lo de forma alguma, nem enquanto dorme. Deve ter algum encantamento que o protege de nossa influência.

Yma riu.

– Então ele vai ficar sem fada madrinha para guiá-lo ao baile.

– O jovem de Duran logo estará pronto para receber a visita de uma de nós. Queria discutir com você sobre quem enviar.

– Como ele é?

– É um jovem que odeia tudo e todos por ter crescido órfão. É talentoso com a espada, mesmo seu verdadeiro talento ainda estando adormecido. Precisamos de alguém que ele veja como uma figura materna.

– Não. – disse Yma – Se ele cresceu órfão, nada sentirá por uma figura materna. Precisa enviar alguma de nós que o toque de outro jeito.

– Entendi seu ponto e concordo.

– Yma, você sabe que... – Yosuke saiu do banheiro, acreditando que a garota estaria esperando-o na porta.

– Boa sorte, Yma. – A garota ruiva desapareceu.

Yma correu até Yosuke.

– Eu sei o quê? – Indagou ela entrando no quarto onde ele se trocava.

– Gwa!! Eu to pelado!

– E-da-í?

Ele riu sem graça.

– Acho que já que você é minha fada madrinha, não tem problema. Nem humana é.

Yma fechou a cara.

– MAS JÁ FUI!!! – Esbravejou, fazendo sua voz sair meio distorcida de forma assustadora.

– Tá bom, tá bom! Relaxa. Eu em.

Ela baixou a cabeça.

– Desculpe, exagerei.

– Tá, tá. – Yosuke bagunçou o cabelo dela ao sair do quarto, indo para a escola.

5:49 h.

Estava todo o time reunido no campo de futebol da escola, com o professor a frente deles.

– Todos aqui? Ótimo. Eu quero começar parabenizando nosso atacante. Yosuke, parabéns pelo prêmio de maior goleador do campeonato! Infelizmente perdemos na final para o time favorito, mas faz parte. Foi uma derrota honrosa pois foi por pouco!

– Obrigado treinador. – Agradeceu Yosuke, sob diversos olhares invejosos.

– Leto!

– Sim treinador!

– Como capitão do time, você fez bem. Parabéns também.

– Não fiz mais do que meu trabalho, treinador!

O treinador acenou com a cabeça, passando os olhos por todo o time.

– Certo pessoal, agora vamos ao que viemos fazer aqui. Temos que discutir nossas fraquezas, pontos fortes e estratégias para vencer! Temos que encontrar um modo de superar nossos pontos fracos e aprimorar nossos talentos! Um círculo, comigo!

O time se reuniu, ficando debatendo sobre como melhorar sua performance.

6:26 h.

Andando pelo corredor da escola, indo ao banheiro depois da reunião do time, Yosuke encontrou com um membro do clube de teatro.

– Y-Yosuke! – o garoto deu uma corridinha, parando na frente de Yosuke – Estou indo me reunir com o pessoal na sala do primeiro ano antes da aula. Quer vir junto?

– Hã... – Yosuke não gostava muito do clube de teatro por ser composto por quatro garotas e dois homens, contando com ele. Se sentia tentado a fazer algo além de conversar com as garotas que ele não sabia se eram ingênuas ou se estavam realmente o atiçando – T-tá bom. Vamos lá, Nisha.

Os dois seguiram para a sala do primeiro ano, que ficava no primeiro andar, onde ao chegarem, estavam as quatro garotas já nela.

– Hey, Nisha! – Cumprimentou a primeira garota usando uma faixa que prendia o cabelo para trás.

– Olha quem eu trouxe, Riki. – Disse Nisha, orgulhoso de si.

– Yo-Yosuke! – Gaguejou a segunda garota, se aproximando de Yosuke junto com a terceira.

Ele percebeu que a quarta garota, que usava óculos, tendo um livro no colo, estava cabisbaixa.

– O que houve com ela, Marla? – Marla era a segunda garota, de cabelo curto e olhos verdes, era a garota mais nova do colegial, tendo apenas 16 anos.

– Ah... – ela olhou para a amiga ao lado – Explica pra ele, Carla.

A terceira garota, de cabelo prata como o de Yosuke, concordou com a cabeça.

– É que a Starling estava se envolvendo com um rapaz virtualmente tem algum tempo, ai eles... Ficaram íntimos e ela confiou nele, fazendo algo um tanto quanto...

– Ela ligou a webcam e se mostrou se masturbando para ele. – Disse Riki, impaciente pelas amigas estarem se enrolando.

– É... Parece que ele gravou e acabou vazando na internet. O vídeo está se espalhando pela escola como uma praga. Quem recebe sempre passa adiante nos grupos no celular.

Starling se encolheu na cadeira, lutando para não chorar. Yosuke ficou chateado por ela.

– Hoje em dia tem que cuidar o que se coloca na internet, não se pode confiar em ninguém ao ponto de enviar algo que pode lhe prejudicar. – Comentou ele.

Riki se aproximou do ouvido dele.

– Você pode falar com ela? Nós não sabemos bem o que dizer e a Marla ainda a xingou, então...

– Deixa comigo. – Yosuke foi até Starling, a pegando pela mão e saindo puxando-a.

A estranhou, mas seguiu ao lado dele, de mãos dadas. Passaram pelos corredores assim, fazendo todos ficarem olhando e cochichando. Yosuke a levou até o terraço, sentando sobre um cano de metal da tubulação de ar.

– O que estamos fazendo aqui?... – Indagou Starling, envergonhada.

– Aqui ninguém vai nos incomodar. – ela ficou olhando para o outro lado, tímida – Star, não precisa ficar se condenado pelo que aconteceu. Você cometeu um erro, e dai? Quem nunca cometeu? Ignora o que os babacas vão falar. Você sabe quem você é, não precisa se preocupar com opiniões alheias de pessoas alheias.

A garota baixou a cabeça, levando as mãos ao rosto por debaixo do óculos, começando a chorar.

– Eu sempre fui sozinha, nenhum garoto nunca se interessou por mim antes. Quem se interessaria? A nerd da escola que só fica estudando, tira as melhores notas e está sempre lendo. Eu deveria estar me esforçando apenas para alcançar a média e passar de ano como todo mundo, aproveitando meu tempo para curtir com amigos, ir a festas, ter amores e curtir. Mas eu não sou assim... Se eu fosse, talvez nada disso tivesse acontecido...

– Star, é normal as pessoas se sentirem sozinhas as vezes, até mesmo eu me...

– Não fale algo que não sabe!! – ela o olhou com uma mistura de tristeza e raiva – Você nunca passou por isso! Vão até fazer uma homenagem surpresa pra ti hoje no auditóri,o no meio da reunião com todas as turmas antes de falar sobre a viajem! O grande goleador do campeonato escolar!

– Uma homenagem? Mas o que isso tem...

– E-eu nunca fui amada... – ela baixou o olhar, fitando o chão – Ninguém nunca se interessou por mim, até que conheci esse garoto em uma comunidade de leitura... Ele gostava dos mesmos livros que eu e era tão gentil, em pouco tempo me peguei pensando nele dia e noite. Quando ele me pediu aquilo, eu... Eu... Tive medo de fazer, mas tive mais medo ainda de não fazer e ele me abandonar. Eu sou uma idiota! – Ela voltou a tapar o rosto.

Yosuke se aproximou dela e pousou a mão em seu ombro.

– Você não está sozinha, Star. Tem o Nisha, a Riki, a Marla, a Carla e a mim. Cedo ou tarde você encontrará alguém que gostará de você exatamente como você é, não precisa ter pressa. Agora estufe o peito e erga a cabeça, volte a ser a garota toda certinha e nerd que todos nós, seus amigos, gostamos.

Ela deu uma risadinha, secou as lágrimas e sorriu, concordando com a cabeça.

– A garota nerd que todos os meus amigos adoram... – ela riu novamente – Obrigada, Yosuke. Verdade, eu não pensei em como as pessoas que gostam de mim devem se sentir comigo falando esse tipo de coisa… Obrigada.

– Nada, estamos ai para isso. Vamos indo agora? – Ele levantou.

– Vamos. – Os dois desceram do terraço. Starling ficou mais tranquila, ignorando os comentários maldosos.

7:04 h.

Todos os alunos foram levados para o auditório da escola, onde uma professora lia as regras para a viajem.

– Agora vou passar a voz para a diretora. – A professora sentou, deixando a diretora assumir o microfone a frente.

– Meus queridos alunos, bom dia primeiramente. Antes de começar a explicar como será a nossa viajem, quero dar início ao ritual que fazemos todo ano no mês de outubro, congratulando o nosso melhor aluno não só em notas, mas em atividades e compromisso para com nossa escola. Por favor suba ao palco, o queridinho das meninas e maior artilheiro do campeonato, trazendo orgulho a nossa escola... Yosuke!

Olivier olhou para Yosuke com espanto.

– Caraca! É tu cara! Vai lá!

A galera toda aplaudiu, menos Leto, ele ficou emburrado achando que ele seria o escolhido. Yosuke levantou e foi até o palco, recebendo um pequeno troféu.

– Diga algumas palavras. – A diretora fez sinal para ele ir ao microfone.

– Obrigado a todos pelo apoio e digo que estou feliz por chegar até aqui. É muito gratificante ser reconhecido por meus colegas de escola e professores. – ele tirou o microfone da base e ficou andando de um lado para o outro – À cinco anos atrás eu estava ai no meio de vocês, querendo estar aqui, e as pessoas olhavam para mim e diziam: “Você é um novato, impossível chegar lá”. Sim, eu não estava nem no colegial, estava no fundamental e já admirava os grandes. Mas sabe o que deve fazer com aqueles que lhe dizem que você não conseguirá algo? Manda eles pra puta que pariu!!

– Y-Yosuke! – A diretora arregalou os olhos mais atrás.

– É possível sim! É possível cada um de vocês que estão aqui hoje, realizar o sonho de vocês sim! – Yosuke ficou fugindo da diretora que tentava pegar o microfone – Vocês são capazes, acreditem em vocês! Não importa se algum professor, amigo ou colega dizer que não! Se vocês não acreditarem em vocês ninguém vai acreditar! Lute pelo seu objetivo! Eu lembro que as pessoas diziam que eu nunca chegaria aqui! E eu estou aqui, caralho!!! O impossível não existe! Tudo é possível quando vocês querem! Acreditem em vocês! Vocês tem força!! Porra!!! – Yosuke jogou o microfone pra trás, pulando do palco sob uma onda de aplausos e gritos, recebendo tapinhas nas costas e cumprimentos enquanto voltava para o seu lugar.

– O que foi tudo isso? – Olivier o olhou de canto, abismado quando ele sentou.

– Eu fiquei sabendo antes que eu seria o homenageado, então deu tempo de pensar em algo que fosse inesquecível nessa escola. Eu quero deixar meu nome aqui, ser uma lenda entre os atuais e futuros alunos.

– Falou igual ao Leto.

– Diferente dele, que quer a fama para inflar o ego, eu quero a fama para deixar a mensagem que até mesmo alguém como eu, desprovido de finanças positivas, pode sim ser um dos melhores no que quiser ser.

– Ha! Só tu mesmo.

A diretora explicou como funcionaria a viajem. As turmas iriam em ônibus diferentes, o primeiro e o segundo ano dormiram no hotel da cidade vizinha de onde visitariam, enquanto o terceiro ano poderia acampar no local em volta da cabana do vigia. Partiriam na sexta pela manhã e voltariam domingo à tarde.

9:52 h.

No intervalo, Yosuke ia sair para comprar algo fora da escola, mas parou ao ouvir um grupo de jovens conversando alto, sentados no banco do pátio da frente.

– Ai eu disse pra ela que achava estar ficando apaixonado por ela, e ela caiu!

– Cara tu é um gênio!

– Não, ai vem a melhor parte! Disse pra ela que precisávamos ficar mais íntimos, ai dei umas ideias sem muita esperança, mas ela topou! Foi ai que ligou a webcam e cara, eu não acreditei! Tive que gravar porque contando ninguém acreditaria! Ela nem imagina que estamos na mesma escola, usei uma foto fake!

– E ela tem um corpão pra uma nerd! Quase não dá pra perceber pelo jeito que ela é, toda reservada.

– Por trás de toda santa, tem uma safada!

– É! – Os cinco garotos ficaram rindo.

Yosuke foi até eles, pegou o garoto que estava contando vantagem pela gola e o levantou, lhe acertando dois socos na boca do estômago, jogando-o no chão.

– Que porra foi essa, seu filho da puta?! Vai se foder agora! – Os outros quatro foram pra cima de Yosuke.

Ele nocauteou o primeiro com um soco bem dado na fonte ao lado do olho, deixando-o apagado no chão, mas levou um soco na boca, do segundo.

– Seu merda! – O terceiro o acertou um chute na cocha direito dele, mas Yosuke o segurou pela perna e o jogou no chão, pisando no seu saco com tudo e deixando o garoto se revirando de dor no chão.

Ao se virar, levou um soco no rosto e outro nas costelas, mas acertou uma cabeçada no segundo, quebrando o nariz do garoto que foi pra cima dele, com ainda mais raiva. Yosuke ergueu o braço para desferir um soco contra ele, mas o quarto segurou seus braços para trás.

– Quero ver se soltar! – Debochou o quarto, mas Yosuke foi correndo para trás, jogando todo seu peso, fazendo o garoto que o segurava tropeçar nos próprios pés e cair, então Yosuke desferiu duas cabeçadas para trás, fazendo o quarto garoto o soltar.

Ele levantou e começou a socar o garoto no chão, lhe acertando quatro socos na cara, saindo de cima dele apenas quando levou um chute nas costelas do segundo, cambaleando para o lado. Antes mesmo de se levantar, já pegou impulso e foi pra cima de seu agressor, caindo por cima dele, colocando o joelho em seu peito, lhe desferindo vários socos na boca. O segundo garoto ficou sem reação, apenas apanhando.

Yosuke caiu pra frente quando o garoto que enganou Starling lhe acertou um soco na cabeça pelas costas.

– Caralho! Eles tão brigando pra valer!! – Gritou Takuma, na janela da sala que dava direto para o pátio, junto com vários outros estudantes que assistiam a briga.

O garoto que espalhou o vídeo da Starling ficou socando a barriga de Yosuke, segurando-o pelo colarinho, mas logo as calças dele caíra, soltando Yosuke para levantá-las.

– Eu não deveria nem ter te ajudado, mas agora acaba o que começou. – Disse Yma com os braços cruzados e expressão de desagrado, tendo jogado o cinto que segurava as calças do garoto longe.

Yosuke sorriu, com a boca ensanguentada, dando um chute no joelho esquerdo do garoto, fazendo-o fraquejar. Quando ele meio que se abaixou, Yosuke o agarrou pelos cabelos e lhe desferiu cinco socos na cara, até ele desmaiar, caindo apagado no chão.

– Você não vai fazer algo? – Indagou uma garota para a monitora que estava escondida atrás de uma árvore.

– Tá maluca?! Se eu entrar no meio dessa selvageria vai sobrar pra mim também!

– Parem com isso!! – Logo surgiu dois professores, a diretora e o zelador da escola para apartar a briga. Yosuke deixou os cinco caídos, mas também caiu de joelhos, sentindo dor.

– O que foi isso... – A diretora ficou abismada ao ver o rosto do jovem em frente a Yosuke, estava puro sangue.

– Droga... – Yosuke olhou para sua mão que também estava ensanguentada e percebeu um dente cravado entre seus dedos, fazendo uma careta de dor ao tirá-lo.

– Quem começou isso?! – Indagou o professor para Yosuke, furioso.

– Fui eu... – Confessou ele.

– Todos vocês, para a diretoria comigo. Agora!! – esbravejou a diretora – Leve esse garoto para a enfermaria. – Instruiu ela ao zelador, se referindo ao garoto desmaiado.

?

10:22 h.

Depois de ter levado um esporro e terem sido atendidos na enfermaria, os seis ficaram frente a frente na sala da diretora novamente, junto com os dois professores.

– Vocês vão acabar com a rixa ente vocês aqui e agora, e não quero mais saber de brigas! Entenderam?! – Disse um dos professores.

– Até agora não sei porquê esse filho da... – o jovem parou – O Yosuke veio pra cima de nós!

– Explique para todos o motivo, Yosuke. – disse a diretora – Estou muito decepcionada com você. Fazer isso logo depois de ter sido homenageado e ter feito um discurso tão bonito. Estou profundamente decepcionada com você.

Yosuke encarou o fundo dos olhos do garoto.

– Quer saber o porquê, seu mané? Vou te dizer o porquê. Porque tu mexeu com uma amiga minha e ferrou com ela espalhando o tal vídeo.

– Espera ai! – a diretora o interrompeu, olhando para o jovem – Então foi você que criou o caso do vídeo? Mocinho, você está muito encrencado, porque os pais da senhorita Starling vieram aqui me pedindo para tomar providências além das que eles tomarão na justiça. Está muito encrencado mesmo. – ela olhou para Yosuke – Pode ir, que isso não se repita. Da próxima vez que algo o incomodar, venha falar comigo.

– Ok. – Yosuke saiu, sendo escoltado por um professor.

Ao saírem da sala da diretora, o professor se abaixou perto do ouvido de Yosuke.

– No seu lugar, eu faria o mesmo. Não se preocupe, tentarei amenizar o caso.

– Obrigado, professor.

– Volte para sua aula agora.

Yosuke voltou para sua sala e assistiu o resto da aula, com todos os colegas o olhando atravessado.

14:43 h.

Depois da aula, Yosuke foi até um bar, sozinho, tomando duas cervejas para relaxar.

– Yosu? – Uma mulher, usando uma blusa laranja apertada, realçando seus seios fartos, se aproximou do balcão ao lado dele.

Ao olhar para o lado, Yosuke reconheceu a amiga.

– Hayanmi, como vai? – Cumprimentou, meio cabisbaixo.

– Fazia tempo que você não vinha aqui. – O bar era mal iluminado, sendo originalmente um bar de motoqueiros, onde se reuniam para beber e jogar.

Yosuke estava sentado no balcão, que de fundo tinha uma parede repleta de bebidas e uma motocicleta pendurada no topo. Ele suspirou e colocou a caneca em frente a boca.

– Andei meio ocupado tentando melhorar. – Virou um gole.

Logo que Yosuke se mudou para a cidade depois do incidente com sua família, ele gastou toda a herança com bebidas, drogas e futilidades, vindo a ser visto como o garoto problemático da cidade, mas nunca sendo pego pela polícia ou militares da ditadura. Ele decidiu mudar quando acidentalmente matou uma pessoa. Um homem alto que tinha uma espada escondida nas costas sob o sobretudo marrom. Yosuke não lembra direito o que aconteceu, mas lembra do sangue em suas mãos e do homem morto aos seus pés. Desde então ele decidiu mudar, indo ao bar raramente apenas quando estava muito estressado.

– Assim como todos. – Hayanmi deu uma risadinha – Vou indo. Foi bom te ver.

Yosuke largou a caneca em cima do balcão, junto com o dinheiro, e levantou.

– Te acompanho até a saída, também tenho que ir andando.

– Como está a escola? – Indagou a mulher, lado a lado com ele.

– Um saco. – os dois saíram do bar – E seu casamento, melhorou?

– Sim. Aprendi que homens tem apenas duas sensações: Tesão e fome. Quando ele não estiver com uma ereção, basta lhe fazer um sanduíche e está tudo certo.

Yosuke deu uma risadinha de canto.

– Faz sentido.

– Tchau, Yosu. Se cuide. – Ela foi para a esquerda.

– Você também, Hayanmi. – Ele foi para a direita, indo para casa.

15:19 h.

Ao entrar em casa, Yosuke se deparou com Olivier transando com uma garota loira no sofá.

– Hey, Yosu, chegou tarde! – Cumprimentou ele, sem se importar com a presença do amigo, enquanto a garota subia e descia, com seus peitos pulando e olhos fechados.

– Parei pra esvaziar a cabeça um pouco. – Disse Yosuke.

– Quer participar?

– Passo. – Yosuke entrou no quarto e se atirou na cama, pegando seu livro de fantasmas, voltando a ler, tentando distrair a mente.

21:42 h.

Finalmente terminou o livro, jogando-o em cima do criado-mudo ao lado da cama, levantando.

– Você não cansa de ler, Yosuke? – Indagou Yma, sentada em cima de um bolo de roupas sujas em uma cadeira no canto do quarto.

– Yma, desejo ser rico o bastante para viajar por toda Eternia sem preocupações.

– Sem desejos ainda.

– Que merda de fada madrinha que você é.

– Ei! Não desconte em mim se está com raiva de algo!

– Para que você serve se não realiza desejos?

Yma suspirou profundamente.

– Certo, certo. Fizemos assim então. Depois do baile, lhe concederei três desejos, ok?

– Espero que seja logo esse tal baile...

– Será. Prometo.

– Certo. – Yosuke saiu do quarto e foi ao banheiro, ficando se olhando no espelho, ainda com o uniforme da escola.

– O que lhe perturba, Yosuke? – Indagou Yma.

– Meu passado.

– Isso assombra a todos, eu acho.

– É... – Yosuke suspirou, começando a se despir.

Enquanto ele entrava no box para tomar banho, Yma juntou as roupas e as colocou dentro do cesto de roupas sujas. Ela saiu do banheiro, deixando a porta aberta, já que Olivier estava dormindo, foi ao quarto de Yosuke e pegou as outras roupas sujas em cima da cadeira, então as colocou no cesto de roupas sujas no banheiro também.

– Como você é bagunceiro. – Resmungou ela quando Yosuke saiu do banho, se secando e enrolando na toalha, indo para o quarto.

Ele se atirou na cama, nu.

– Yma.

– Hum? – Ela o olhou, estranhando.

– Me chupa.

Ela ficou com um olhar macabro, com seu cenho esquerdo tremendo.

– Quer morrer, não quer? – Disse ela de forma assustadoramente arrastada, fazendo o sangue de Yosuke gelar.

Ele se vestiu rapidamente e se tapou.

– B-boa noite. – Se virou para o lado e dormiu.

Yma não deitou, ficou escorada na janela olhando através do vidro, perdida em pensamentos enquanto Yosuke dormia com o seu sono fácil e pesado. 

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