Bem-vindo!

Vamos juntos compartilhar mundos.

  • Simples para publicar
  • Rápido feedback
  • Compartilhe com o mundo
/

Ou logue usando:

Esqueceu a Senha?

Capítulos (3 de 8) 05 Aug, 2018

Capítulo 8

Capítulo 8: Novato

Segunda-feira, 18 de outubro de 2023, 9:49 h.

Estava no intervalo da escola, sentado na arquibancada do ginásio com Pirsla e as amigas vendo as garotas da nossa turma jogando vôlei. Elas mais mexiam no celular do que assistiam ao jogo.

– Ei Ty, já tem o número de todas nós? – Perguntou Raquel, me olhando de canto.

– Acho que não.

– Empresta teu celular então. – entreguei meu celular para ela – Vou por meu número.

– Eu também. – Disse Myoto.

Meu celular passou de mão em mão para elas colocarem seus contatos.

– Pronto. – Pirsla me entregou meu celular, eu já tinha o contato dela.

– Que sono... – Apoiei o queixo nas mãos.

– Irmão!!! – Gritou uma garota de cabelo verde parada na entrada do ginásio, acenando para a arquibancada.

Pirsla olhou em volta e então me fitou.

– Ty é o único homem aqui. Ela é sua irmã, Ty?

– Nunca vi na vida.

– Irmão!! – Ela veio correndo até a arquibancada.

– Está vindo em nossa direção? – Estranhou Myoto.

– Sim... – Respondeu Charlote, também estranhando.

– Ty. Ela... – Roku apontou para a jovem, ela tinha um espírito guardião com ela. Era uma sereia flutuando ao seu lado, como se nadasse no ar.

Ela chegou até nós.

– Irmão, vamos voltar pra casa juntos hoje? – Ela me olhava sorridente.

Todas as garotas me olharam.

– Ã... Quem é você? – Perguntei confuso.

– Também estou treinando meu kar... – Pulei e tapei a boca dela.

– Ok, ok. Vamos conversar em outro lugar. Até mais pessoal.

– O que deu nele? – Estranhou Raquel.

– Sei lá. – Disse Pirsla, voltando a mexer no celular.

Saí do ginásio com a garota.

– Qual delas é sua namorada, irmão? – Ela tinha a voz aguda, parecendo uma criança.

– Primeiro, não pode sair falando sobre karma, espíritos e essas coisas por ai! Segundo, não sou seu irmão, nem te conheço. Terceiro, por que está fazendo todo esse escândalo?

– Teehe. – ela riu achando graça – Você é muito sério, ir-mão. Vou por partes. Número um! – ela colocou um dedo à frente – Achei que também fossem invocadoras, já que senti mais de uma aura de karma. Número dois! – ela levantou o segundo dedo – Se você também está treinando com os Muray, quer dizer que foi adotado para a família secundária, a qual deve proteger a família principal, o que nos faz irmãos!

– Família secundária?

– Número três! – levantou o terceiro dedo – Estou feliz em lhe conhecer, os outros são muito sérios.

– E quem é você?

– Lisirka, tenho 17 anos e estou no primeiro ano. E você?

– Fez todo aquele escândalo sem nem saber meu nome? – suspirei profundamente, então ri da situação – Me chamo Tyson Lavinier, tenho 19 anos e estou no segundo ano. – apontei para o lado – Esse é Roku. – Ele apenas acenou com a mão.

Lisirka sorriu animada.

– Wooah! Que assustador!

– Não tinha olhado para ele ainda?

– Não sou muito boa em ver espíritos, apenas de sentir o karma. Aquamarin, apareça! – o espírito guardião dela se materializou, mas diferente de sua forma etérea, ela tinha pernas em sua forma física – Se apresente, Aquamarin.

Um tridente surgiu nas mãos da sereia, então ela o cravou no chão e baixou a cabeça.

– Aquamarin, princesa dos sete mares e guardiã devota da mestra Lisirka. – Ela tinha longos cabelos castanho-claros e um jeito diferente do que tinha em sua forma de espírito, ela estava séria, enquanto quando a vi pela primeira vez estava sorridente pairando no ar.

Foi então que me dei conta que Lisirka materializou seu espírito na escola.

– Lisirka! Não invoque seu fantasma assim no meio da escola!

– Ve-verdade! Aquamarin, volte para sua forma espiritual! – A sereia voltou a sua forma etérea.

– Ai está você. – Uma voz veio de trás de mim.

– Se-senhorita! – Lisirka se curvou.

– Hum? – olhei para trás, percebendo Kiria parada atrás de mim – Kiria? Estava me procurando?

– Sim. Queria dizer que estou feliz por ter se juntado a nós. Com isso podemos ser amigos, pois não teremos que nos enfrentar.

– Achei que já eramos amigos.

Ela apenas sorriu de canto.

– Nos vemos na aula de educação física. Hoje nossas turmas vão se enfrentar em uma competição.

– É, fiquei sabendo.

– Até mais tarde. – Ela saiu andando, passando por mim, me fazendo perceber que Lisirka permanecia curvada.

– Lis, por que está curvada? – Me curvei em frente a ela tentando ver seu rosto.

– É que eu... – ela levantou de surpresa, acertando uma cabeçada no meu queixo – Aw!

– Ainda bem que minha língua não estava entre meus dentes... – Fiquei massageando o queixo.

– Desculpa, Ty. – Disse ela sem jeito, esfregando a cabeça.

– Foi nada. – Era estranho como atualmente eu me sentia a vontade com as outras pessoas, logo eu que tinha desistido de ser próximo de alguém após a morte de meus pais. Deve ser influência do Roku.

Um grupo de garotas acenou em nossa direção.

– Bem, nos vemos na saída então. Até mais. – Lisirka saiu correndo para se juntar a suas colegas.

11:50 h.

– Waa, to exausto! – Dei uma fugida da aula de educação física, a qual estava tendo uma competição de vários esportes entre as turmas.

– Também escapou?

– Hum? – Olhei para cima, Kiria estava deitada em cima da árvore em que me abriguei na sombra.

Ela desceu.

– Você parece péssimo.

– É, bem... É que acordei várias vezes durante a noite. É a primeira vez que durmo fora de casa. – Respondi com um sorriso sem graça.

Ela sentou ajoelhada.

– Você deveria descansar.

Sorri agradecido.

– Certo. – Deitei no chão, colocando minha cabeça sobre suas pernas.

Roku ficou ao lado de Kiria.

– O idiota achou que era para deitar em você. É um desastre esse Ty. – Resmungou ele.

Kiria ficou espantada e com vergonha de início, mas percebeu que eu estava dormindo sorrindo.

– Tudo bem. Foi esse jeito tapado de ser que me deu confiança de finalmente ter um amigo.

– Você não tem nenhum outro amigo? – Indagou Roku, surpreso.

– Não. Minha família é muito rígida, tenho que me tornar a esposa do Rei de Eternia, caso meus irmãos não consigam vencer essa batalha. O Ty vai provar agora como é o meu cotidiano de treinamento pesado. Espero que ele aguente.

12:15 h.

– Irmão!

– Gwa! – acordei no susto – O que foi? Onde estou? – olhei para a garota em minha frente – Lis?

– Vamos, vamos. Temos que ir logo ou vamos nos atrasar para o treinamento. – Ela me levantou pelos ombros.

Olhei em volta, Kiria havia sumido.

– T-tá... – esfreguei os olhos – Cara, ainda to cansado.

Voltei para a mansão Muray com Lisirka, que não parou de falar o caminho inteiro. Ao chegar, fui direto para o quarto, tinha que terminar os livros, mas acabei me atirando na cama e dormindo.

14:23 h.

Abri os olhos lentamente. Vi Roku no meio do quarto, socando o ar. Ele treinava enquanto eu dormia? Me levantei.

– Ty, Yuen veio enquanto você dormia. Ele disse que é melhor você terminar logo os livros, estão todos esperando por você para começar a próxima etapa do treinamento ainda essa semana.

Suspirei profundamente.

– Eu que escolhi isso... Vou ler, vou ler. – Fui até a escrivaninha e sentei na cadeira, abrindo o segundo livro.

15:12 h.

Duas batidas na porta tiraram minha concentração. Roku foi até a porta e pegou um papel que colocaram por baixo dela.

– Tem um bilhete pra você. – Ele me entregou.

– O que pode ser? – abri o papel – Gee!

– O que foi?! Algo grave?! – Roku se assustou com minha cara de assustado.

– A Lis quer sair para jantar hoje a noite.

– Ela gostou de você. Deve ser porque é novidade.

– Sem chance de terminar esses dois livros ainda hoje...

– Termina ao menos o segundo, esta quase lá!

Olhei para o livro, estava praticamente recém no começo.

– Baah! – Voltei a ler, mesmo sem vontade.

19:56 h.

– Tunts, tum, tunts tum… – Roku, deitado, batucava com os dedos no ar enquanto ouvia música nos meus fones de ouvido.

– Acabou? Já? – suspirei – Agora que começou a ficar bom.

Roku pulou da cama e colocou a mão em minha testa.

– Está se sentindo bem? Você reclamando por ter terminado de ler um livro? – ele me olhou de forma suspeita – Quem é você e o que fez com o Ty?!

– Para de palhaçada! Vou tentar umas coisinhas que o livro ensinou. Só preciso de papel e caneta. – abri a gaveta da escrivaninha – Perfeito, tudo que preciso. – sentei no chão com o papel e comecei a desenhar os símbolos – Vamos ver se consigo.

Testei vários símbolos, testando diversas combinações.

20:33 h.

– Tyson. – Lisirka bateu na porta.

Quando a porta abriu, eu tava atirado no chão, com diversos fantasmas voando pelo meu quarto.

– ME AJUDA!!! NÃO SEI MANDÁ-LOS EMBORA!!! – Gritei, com um fantasma puxando meu pé.

– Waaa!! O que você fez?! Vou chamar o mestre Yuen!

– Não me deixe aqui sozinho!! – Ela fechou a porta e saiu correndo.

Lisirka encontrou Yuen na sala, assistindo televisão junto com Oshwa.

– Mestre Yuen, vem rápido! Ty invocou vários espíritos e não consegue mandá-los embora!!

– Ora, ora. Esse garoto está só causando problemas. – Yuen fez menção de levantar, mas Oshwa o segurou pelo ombro.

– Eu vou.

– S-s-senhor Oshwa! – Lisirka ficou apavorada. Ela conhecia bem o espírito guardião de Ichihiro.

– Algum problema?

Lisirkar congelou de medo com o olhar frio do espírito.

– N-não.

– Vamos. – Os dois foram até o quarto.

– Ty, somos nós.

Abri a porta, agora haviam dois leões fantasmas também.

– Me ajudem!! – Eu estava quase chorando.

Oshwa ergueu a mão em frente ao rosto, então uma luz dourada surgiu em sua palma. Quando o brilho dourado ficou mais intenso, vários raios de luz perfuraram os fantasmas, fazendo-os desaparecer.

– Pronto. – Oshwa saiu tranquilamente.

Lisirka ficou paralisada com os olhos arregalados. Roku, que antes apenas gargalhava, ficou sério.

– Esse sujeito é do mal. Não gosto dele.

– Do mal é tu, que não me ajudou! – Resmunguei com meu guardião.

Lisirka entrou no quarto e fechou a porta.

– Ele... Ele não só expulsou os espíritos, ele os destruiu neste plano. Não poderão reencarnar nunca mais. Aquele monstro… Oshwa é um monstro...

– Lis...

– Senhor, fale alguma coisa para ela. – Sussurrou Aquamarin em meu ouvido, que apareceu ao meu lado me dando um pequeno susto.

– Bem... Vou tentar. – fui até a garota e a abracei, ela estava com lágrimas nos olhos – Sinto muito, Lis. Foi minha culpa. Prometo que vou ser mais cuidadoso.

– Não sei como uma pessoa tão bondosa como o mestre Ichihiro pode ter um espírito guardião tão monstruoso. – Ela limpou os olhos.

Me lembrei da surra que Ichihiro me deu. Não acho que ele seja tão bonzinho assim.

– Pois é... – Mas não discordei da garota devido a situação.

– Mas vamos deixar isso de lado, não quero ficar triste essa noite. – Ela voltou a sorrir, então a soltei.

– Então, o que queria comigo pra vir até meu quarto?

– Não diga que esqueceu! Vamos jantar fora hoje!

Aquamarin, ao meu lado, ficou com os braços cruzados e emburrada.

– Tyson idiota.

Ri sem graça.

– Desculpe, desculpe. Só vou trocar de camisa. – Tirei minha camisa e a joguei em cima da cama, então fui até a mala com minhas roupas que Yuen havia trazido, peguei uma camisa branca e vesti, mas senti uma pancada de leve na cabeça por trás. Olhei rapidamente para ver o que era, Aquamarin me olhava furiosa com seu tridente em mãos. Olhei para Roku, ele apenas ria.

– Que foi? – Perguntei o motivo da risada dele.

– Como ousa se despir em frente a mestra Lisirka! – esbravejou Aquamarin – Seu pervertido!!

– Hum? – Olhei para Lisirka, ela estava com o rosto vermelho.

– Aquamarin, se comporte... – Sussurrou a garota.

– Mas ele...

– Marin!!

– Desculpe, Lisirka. – A sereia desapareceu no ar.

– Calma vocês duas, só troquei a camisa, não foi nada demais. – parei o lado da garota – Vamos indo? – Ela concordou com a cabeça, então saímos.

Ao chegar na sala, encontramos com Kiria.

– Ty! – ela veio sorridente em minha direção, então olhou para Lisirka – Lis? Por que estão juntos?

– Nós vamos sair para jantar. – respondeu a garota, sorridente – Até mais tarde, senhorita Kiria. – Ela saiu me puxando. Apenas acenei com a mão para minha amiga da família Muray.

– Jantar juntos? – Ela ficou nos observando partir.

– Acho que vão a um encontro. – Comentou Yuen, sentado no sofá mais ao lado.

– Um encontro...

Fora da casa, caminhava lado a lado com minha nova amiga.

– Deveria ter convidado ela pra vir junto, não acha? – Comentei.

– Nada. Ela é da família principal, não tem tempo para andar com novatos como nós.

Fomos até uma pizzaria, onde ao chegar, Lisirka acenou para quatro jovens sentados em uma mesa no canto.

– Quem são?

– Os outros novatos. Sempre fazemos uma confraternização quando um membro novo chega. Mais um irmão para a família.

Fomos até o grupo.

– Esse é o novato? – Disse um garoto de cabelo roxo escuro e cara de poucos amigos. Sua voz era séria.

– Olá. Me chamo Tyson Lavinier. – Acenei com dois dedos para o pessoal.

Uma garota se levantou.

– Prazer Tyson. Me chamo Maori, tenho 15 anos e não vou lhe mostrar meu guardião. – Me cumprimentou. Era uma garota baixinha de cabelo da mesma cor do jovem mal humorado, ela usava uma tiara com orelhas de gato.

Outra garota se levantou.

– Oie irmãozão! Eu sou Miria, tenho 12 anos e meu espírito guardião é a Ariel. – Um anjo criança, de cabelos brancos e asas negras surgiu acima de Miria, sem se materializar.

O quarto era um jovem de cabelo negro e olhar despreocupado.

– Pode me chamar de Uzumaru, meu guardião não quer se revelar ainda, ele é tímido. – Ele aparentava ter a mesma idade que eu.

– É um prazer conhecê-los. – Falei ao sentar à mesa.

– Ei, Turo, se apresente! – Resmungou Maori.

– Tsc! Me chamo Turo, 18 anos. – disse o garoto de cabelo roxo escuro – Quando ver meu guardião, significará que o dia da sua derrota chegou.

– Ai que medinho. – Disse Roku ao meu lado.

– Ora seu... – Turo se levantou furioso.

– Turo! Sente! – O repreendeu Lisirka.

– Tsc! – Ele sentou de volta, ficando emburrado.

Não consegui evitar a risada.

– Hum? – todos me olharam – Do que está rindo, Tyson? – Perguntou Uzumaru.

– Desculpe, apenas achei graça de como mesmo brigando, vocês se entendem. Espero poder me dar tão bem com vocês assim também.

Uzumaru, ao qual eu estava sentado ao lado, me deu um tapa nas costas.

– Você já faz parte da família! Se nós aguentamos o Turo, você não será problema!

– Verdade. – Concordou Miria.

Todos riram, até mesmo Turo deu uma puxada de boca para o lado, segurando o riso. Com o clima mais leve, seguimos conversando enquanto comíamos. Até mesmo Roku se divertiu. Ele se deu bem com Aquamarin. No final, todos se despediram, voltando para a mansão Muray, mas Lisirka queria passear mais um pouco, então a acompanhei até a praça próxima da pizzaria.

23:20 h.

– Foi divertido. Sempre ficamos alegres quando um novo membro se junta a nós. – Estávamos escorados na grade em frente ao chafariz da praça.

Olhei para o céu noturno que estava bem estrelado, haviam poucas nuvens.

– Eu não me divertia assim há anos. Quando mais novo, eu sempre fui cercado de amigos, mesmo tímido, mas quando meus pais morreram, eu me isolei do mundo. Não queria dividir minha dor com os outros. Até mesmo porque, eu não tinha mais ninguém. Acabei afastando todos que um dia chamei de amigos e com o passar dos anos, não lembram mais nem meu nome. – olhei para ela, que me olhava de canto – Mas tudo mudou quando encontrei esse cabeça de vento aqui. – Apontei para Roku.

– Quem você está chamando de cabeça de vento?! – Gritou ele, sentado na beirada do chafariz, passando os dedos na água.

– Vocês parecem bons amigos, isso é estranho. Geralmente os invocadores enxergam seus guardiões apenas como armas ou meros servos. Não é sempre que encontramos alguém que o vê como amigo. – ela olhou para o lado, provavelmente onde Aquamarin deveria estar – Os demais sempre riem de mim quando digo que Aquamarin não é uma arma, mas uma amiga querida para mim.

– Como você a conheceu?

Lisirka se escorou de lado na grade, ficando de frente para mim.

– Marin me salvou a dez anos atrás, no naufrágio em que meus pais e irmão morreram. Você deve lembrar, saiu em todos os jornais. Mais de 200 pessoas morreram nesse acidente com o cruzeiro que saía de Petroria e ia até Duran, a nação ao oeste de Petroria. Marin me levou a terra firme, uma ilha deserta, onde fiquei por duas semanas até ser encontrada pelo esquadrão de busca de Duran. Eles viram Marin na água e... Eles a mataram por achar que era um monstro marinho, já que ninguém sabe o que as profundezas do Triângulo dos Calções esconde. O espírito dela quis continuar comigo, então estamos juntas desde então.

– Que triste.

– Tudo bem, já passou. Estamos juntas agora, é o que importa. – Ela sorriu de forma inocente olhando para o lado, provavelmente para seu espírito guardião invisível.

Meu celular vibrou, então o peguei.

– Mensagem? – abri a mensagem – Yuen está perguntando onde estamos. – olhei a hora no canto superior da tela– Já está tarde, melhor voltarmos.

Lisirka concordou com a cabeça e me pegou pela mão, me puxando. Seguimos de mãos dadas.

No fim eu sai de casa com uma roupa básica e o cabelo desarrumado achando que seria uma saída rápida, e acabei passeando na praça de mãos dadas com uma bela garota. É como se minha dor e medo do mundo tivessem desaparecido e agora estou voltando a viver. Sem medo de falar com as pessoas, sem medo de sair de casa e com disposição para isso. Roku fez isso para mim. Um morto me trouxe a vida, o mínimo que eu posso fazer e permitir que ele descanse em paz. Darei o meu melhor para ficar forte e me tornar o Rei de Eternia, fazendo Roku voltar a descansar em paz e reencarnar. Quem sabe não nos encontramos no futuro, ambos vivos.

23:50 h.

Andando tranquilamente pela rua, um homem todo de preto apareceu em nossa frente, fechando nosso caminho.

– Finalmente te achei, seu maldito! – Ele puxou duas katanas, desferindo um ataque contra mim, mas desviei dando um pulo para trás, colocando Lisirka atrás de mim.

– Quem é você?!

– Eu sou... Não, eu era um invocador talentoso, até que você destruiu meu guardião!! – Ele investiu contra mim novamente.

– Roku!

– Sim! – Ele se materializou e parou a primeira katana com as duas mãos, mas recebeu um corte no braço da segunda, tendo que dar um pulo evasivo para não ser perfurado.

– Aquamarin!

– Não se meta!! – O invocador pulou contra Aquamarin, que defendeu o golpe das katanas com o tridente, mas recebeu um chute no estômago, fraquejando e dando a chance do estranho atingir uma cotovelada na nuca, deixando-a desacordada.

– Marin, levante!

– Ela está desmaiada criança, não irá se levantar. Espíritos quando se materializam, não ficam tão diferentes de nós humanos. – Disse o homem, virando em minha direção.

Lisirka se desesperou.

– Ela é um espírito, não tem como ficar desacordada!

– Parece que não sabe nada sobre espíritos que se ligam a um invocador. Eles se tornam, digamos, especiais, tendo certas condições diferentes dos espíritos comuns. – ele colocou as katanas à frente – Mas não estou aqui para lhe ensinar isso. Estou aqui para me vingar desse pirralho!! Morra!! – Ele avançou contra mim com sede de sangue. Meu sangue.

– Cuidado Ty! – Roku se botou na frente, mas o estranhou pulou por cima dele, causando um corte nas costas de Roku ao fazê-lo, continuando vindo em minha direção.

– Ty! – Gritou Lisirka vendo que o golpe era inevitável.

– Merda! – Esse deveria ser o invocador que controlava o espírito que atacou Kiria na escola.

00:00 h. 

_________***___________

Esse é o fim da versão de amostra. Para ler além, procure Rei de Eternia no aplicativo Agakê.

Tyson e sua turma esperam por você! Não fique de fora dessa jornada!

Compartilhar: