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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 8) 05 Aug, 2018

Capítulo 1

Essa é uma versão de amostra. Para acompanhar a novel e ficar por dentro de capítulos novos, acesse o aplicativo para celular: Agakê!

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Capítulo 1: Espírito azarado

Você acredita em fantasmas? Não? Deveria. Sim? Bem-vindo ao clube. Nem tudo que morre, some, se seus sentimentos neste mundo forem fortes ou tiverem contas a acertar, mantendo sua mais pura essência presa entre os dois planos, incapaz de encontrar seu descanso eterno.

Me chamo Tyson, tenho 19 anos, morador de uma cidade do interior de Grande Sandal, o estado mais tranquilo a meu ver, dessa pequena nação chamada Petroria. Tenho como hobby jogar games online com meus amigos de outros estados e até mesmo países, chegando a ficar um mês inteiro sem sair de casa nas férias da escola, empilhando montanhas de caixas de pizza e fazendo coleção de garrafas de energético. Tenho poucos amigos na vida real, sendo eles apenas minha cadela Sindy e minha coruja a qual não sei o sexo, Pow-Pow. Meus amigos humanos são todos virtuais e moram longe, o que me faz questionar a ordem correta das coisas. Por que as pessoas mais legais que você conhece, estão longe de você? Isso não é justo.

Deve estar se perguntando onde o papo sobre fantasmas entra nisso tudo, não é mesmo? Bem, deixe eu falar então. Uma semana atrás, quando levei uma surra da gangue da escola e bateram muito forte em minha cabeça, comecei a ver coisas que as pessoas não deveriam serem capazes de ver. Sim, fantasmas. Não sei se enlouqueci ou se morri e não percebi, mas as coisas estão diferentes. Hoje vou conversar com a psicóloga que a escola marcou para mim. A diretora diz estar preocupada comigo, já que moro sozinho desde os 16 anos, quando meus pais morreram em um acidente de carro. Com muito esforço consegui me emancipar, posso viver tranquilamente até os 40 com a herança de meus pais.

Bem, prazer em lhe conhecer, espero que possamos ser amigos, mesmo a distância.

Segunda-feira, 11 de outubro de 2023, 6:37 h.

Logo ao acordar pela manhã, os raios de sol que passavam pelas frestas da janela tocavam meu rosto como um despertador natural. Me espreguicei na cama antes de levantar, esfregando os olhos e bocejando, indo até o banheiro para lavar o rosto. Juntei as mãos em formato de concha e enchi de água, jogando-a em meu rosto, o deixando um tempo submerso enquanto despertava.

– Saco... – me olhei no espelho, meu cabelo estava enorme, caindo sobre o rosto. Quem liga, não tenho ninguém para quem me arrumar.

Escovei os dentes, voltei para o quarto, tirei o pijama e coloquei o uniforme da escola, fui até a cozinha e abri a geladeira, sacudi a caixa de leite, estava estragado. Joguei a caixa em direção ao lixo, mas errei. Dane-se, moro sozinho, quando voltar eu limpo. Peguei minha mochila em cima da mesa e sai de meu apartamento no segundo andar, chaveando a porta antes de ir até o elevador. Queria evitar a fadiga, mesmo tendo que descer apenas um lance de escada. A porta do elevador abriu, dentro estava a garota que toda manhã nos últimos 3 anos pegava elevador comigo, mas nunca trocamos nada além de olhares.

7:20 h.

Já na sala, sentado em minha mesa ao lado da janela, me peguei perdido em pensamentos sobre qual masmorra faria essa noite com meus amigos no jogo.

– Ty-son!

Dei um pulo quando uma colega largou uma pilha de livros em cima da minha classe.

– Não me assusta assim, caralho! – Aquela garota baixinha, raivosa, de cabelos loiros e olhos verdes, estudava comigo desde o jardim, ainda assim eu não soube seu nome. Nunca me interessei em saber.

– Mandei um e-mail para o professor no final de semana perguntando se o trabalho em grupo poderia ser de três pessoas, mas ele disse que não. Como você é o único que não tem grupo, entrará no meu. – ela apontou com o dedão para trás, rumo duas garotas sentadas de frente uma para a outra. Eram as CDF's da turma.

– Não, obrigado. – Voltei a admirar o dia através da janela.

– NÃO TO PEDINDO!! – ela bateu com a mão na classe, fazendo eu levar outro susto – Eu sei que você está com nota baixa e pode reprovar esse ano. Tem certeza que deseja perder a nota desse trabalho? Ele vale muitos pontos, sabe disso não é? Gostaria de ter que repetir o ano? – Ela me olhava com um olhar maligno e ameaçador, fazendo um calafrio subir por minha espinha.

Mais um ano preso na escola? Nem pensar!

– Beleza, me junto ao grupo de vocês. – Me levantei para me juntar aos outros integrantes, mas a garota me segurou sentado, pelo ombro.

– Você pode ficar sentado no seu lugar, precisamos de você apenas para fechar o grupo em número, nada mais. Considere isso um presente. – Ela pegou os livros e saiu.

– Tsc. Tanto faz. – Voltei a debruçar o cotovelo na mesa e apoiar o queixo em minha mão, admirando o belo dia de primavera, o qual passaria trancado em casa jogando quando saísse da escola.

O professor entrou na sala.

– Bom dia turma. – ele olhou diretamente para mim – Senhor Lavinier, a diretora pediu para dirigir-se a direção. – ele estendeu o braço em direção a porta aberta – Por gentileza.

– Tsc. Saco. – Levantei e fiz como instruído, indo até a sala da diretora, onde dei duas batidas na porta ao chegar.

– Entre. – ao entrar, a diretora estava acompanhada de uma senhora velha, de cabelo branco preso em coque para cima, usava óculos de armação preta, com o símbolo de um pentagrama roxo dentro de um círculo de espinhos, no canto da armação.

– Algum problema, jovenzinho? – Indagou a velha. Fiquei encarando-a sem perceber.

– De-desculpe.

– Senhor Lavinier, sente-se por favor. – A diretora apontou para a cadeira em frente a velha.

– Tyson Lavinier, correto? – A velha arrumou os óculos antes de começar a anotar algo em sua agenda.

– Isso vai demorar muito? É que eu... – Fui interrompido no meio da frase.

– Desculpe o atraso. – Minha cabeça virou automaticamente em direção a porta, onde uma garota de longos cabelos negros, entrou. Ela usava uma roupa folgada e ouvia música em fones de ouvido.

– Senhorita Kiria Muray, a senhorita não aprendeu nada com nossa última sessão? – Indagou a velha, encarando a jovem que sentou na cadeira ao meu lado.

A garota ficou sacudindo a cabeça, curtindo a música e ignorando a mulher, que ficou com um olhar furioso, mas quem levantou foi a diretora.

– Senhorita Muray, retire este fone agora!! – Gritou ela.

– Hum? – a garota afastou o fone e ficou olhando para a diretora por um momento, como se não soubesse de nada, mas logo colocou os fones no pescoço – Desculpe, desculpe.

Ficamos horas respondendo às perguntas da velha, voltando para a sala apenas no último período.

12:03 h.

Voltando para casa, passei em frente a um beco onde vi a garota que sempre pega elevador comigo, rodeada pela gangue da escola. Ela estava acuada contra uma cerca de madeira, com expressão de pavor. Quando o líder da gangue, Valdez, tentou beijá-la, ela deu um tapa no rosto dele, que em seguida a socou no estômago, fazendo-a cair de joelhos.

– Acabem com ela! – Os sete meliantes começaram a chutar a garota no chão.

– Parem!! – Corri por impulso, fazendo desviarem sua atenção para mim, parado em frente a eles, ofegante.

O que eu poderia fazer? Eu sempre sou surrado quando me meto com eles. O que eu poderia fazer contra sete deles? Mas não podia deixar a garota ser espancada tão covardemente.

– Disse alguma coisa, pivete? – Disse de forma ameaçadora Valdez, um cara alto de cabelo ruivo arrepiado, com diversas tatuagens nos braços.

Olhei para a garota no chão, com seu nariz e boca sangrando.

– Deixem ela em paz... – Falei mais como um sussurro.

– Hã? Disse alguma coisa? – Valdez debochou, fazendo seus capangas rirem.

– Deixe ela em paz!! – Gritei, já me desesperando.

– Ela? – ele pisou na garota no chão – Ha! É sua namoradinha?

A jovem de cabelos castanhos, segurava as lágrimas em seus olhos fechados. Era forte por não deixá-las cair.

– Deixe-a ir, e lhe darei uma lição que nunca mais esquecerá, Valdez!! – Gritei, reunindo toda minha coragem.

Ele sorriu como um psicopata, tirando o pé de cima da garota.

– Vá. Me entenderei com você depois, vadia. – A garota levantou com dificuldade e saiu correndo.

– Vamos acabar com ele Valdez! – Disse um dos capangas.

– Vamos nos divertir um pouco com esse moleque. – Valdez veio em minha direção, estralando os dedos.

12:37 h.

Cheguei ao meu prédio, em meu rosto apenas um pequeno corte em meu lábio inferior, mas por meu corpo, uma dor tremenda percorria a cada passo. Por coincidência, a garota chegou junto comigo, estava melhor, provavelmente voltando do hospital. Limpei o sangue de minha boca na manga da camisa ao ficarmos lado a lado esperando o elevador. Ela estava com o olhar baixo.

Entramos juntos no elevador, mas algo diferente aconteceu dessa vez.

– Obrigada... – Disse ela, baixinho, desviando o olhar.

– Você está bem?

– Estou... estou... estou com medo!! – Ela correu e se abraçou em mim, chorando. Eu apenas a abracei de volta, ficando em silêncio, a deixando por toda sua tristeza para fora.

Fomos até o último andar, onde ela saiu do elevador correndo. Minha camisa ficou molhada no peito pelas lágrimas da garota. Desci com o elevador e fui para casa, onde fiquei até tarde jogando com meus amigos, dando muitas risadas com nosso papo por microfone no jogo.

23:49 h.

Me deu fome, mas não tinha muito dinheiro em casa e nem comida, então tive que ir até um posto 24 horas para usar o caixa eletrônico pra sacar dinheiro.

Terça-feira, 12 de outubro de 2023, 00:15 h.

Voltando para casa, dei de cara com Valdez e outros dois capangas ao virar a rua do posto.

– Olha só o que temos aqui! Que bela surpresa! – Disse ele com um sorriso arrogante.

– Isso não é hora de criança estar na rua. – disse um capanga de touca preta – Vamos dar uma lição nele, chefe!

– Vão a merda! – Sai correndo.

– Pega ele! – Eles saíram atrás de mim.

00:27 h.

Corri até o cemitério, pulei o muro e corri até o fundo do lugar, na parte esquecida onde havia apenas diversas cruzes de madeira, sem nenhum nome. Mas logo me encontraram.

– Está sem saída, Tyson. Pronto para aprender bons modos a força? – Disse Valdez, dando soquinhos na palma da mão.

Puxei uma cruz da terra, usando-a como arma.

– Não vou facilitar pra vocês! – avancei contra eles – Gwaa!!

Valdez apenas deu um passo para o lado e tirou facilmente a cruz de minha mão. Ele a quebrou no meio, então me acertou quatro socos no estômago e peito, me dando um chute no final que me fez cair para trás. Me arrastei no chão me afastando deles, então vi um fantasma de cabelos brancos e olhos vermelhos surgir ao meu lado. Fazia tempo que eu não via um fantasma.

– Foi você quem roubou minha cruz, maldito?! – Ele parecia furioso.

– Dro-droga... Agora não.

– Ei, o que está resmungando ai, verme?! – Gritou Valdez.

O fantasma olhou para o valentão e viu sua cruz quebrada nos pés dele.

– Minha cruz... – ele me olhou furioso – Me empreste seu karma e lhe perdoo por ter roubado minha cruz. – Ele estendeu a mão em minha direção.

– Meu... Karma?

– Rápido!

– Não sei o que fazer, mas... – Toquei na mão do fantasma, que sorriu de forma assustadora.

– Isso...

– Ei, verme, quem é você?! De onde você veio?! – Estranhou Valdez.

– Eles podem lhe ver?.. – Indaguei incrédulo.

– Vocês quebraram minha cruz... – O fantasma foi até Valdez, mas foi atingido por um soco no nariz ao se aproximar demais do valentão.

– Não fale besteira, seu merda! Você vai apanhar junto com aquele bosta!

Sangue começou a escorrer do nariz do estranho de cabelos brancos, mas ele sorriu e lambeu o sangue que caiu por cima de sua boca.

– Fazia tempo que não sentia este sabor. – ele olhou para Valdez e colocou sua mão dentro do corpo do valentão, e quando a retirou, tinha o coração de Valdez sobre ela. O valentão caiu morto – Vocês são os próximos. – O fantasma olhou para o dois capangas.

– WAAA!!! – Tiveram o mesmo destino de seu chefe.

Ao terminar com eles, o estranho veio em minha direção, com mão e boca ensanguentados.

– Você tem um karma confortável e familiar. Será que... Hum. Você, levante!

Levantei rapidamente.

– Si-sim!

– Leve-me a taverna, preciso beber!

– Taverna?..

O estranho voltou a ficar em forma fantasmagórica, gargalhando.

– És apenas um jovem garoto, não deves saber nem beber ainda! – ele parou de gargalhar – Mas... – olhou para a cruz quebrada – Não posso voltar a repousar em paz, minha cruz foi destruída.

– E-eu posso concertá-la!

– Não adiantaria, o encanto se foi. Que problema. – ele me olhou com um sorriso de quem teve uma ideia – Você foi o culpado disso, então você deve recuperar o encantamento!

– Sim!

Ele me olhou curioso.

– Sabe como fazê-lo?

– Não. – Respondi quase chorando.

– Então aprenda logo! Suma daqui!

– Sim! – Sai correndo.

– Wooo!! – Olhei para trás, era como se o fantasma fosse arrastado ao ficar em certa distância de mim, como se não pudesse se distanciar além do limite.

– De-desculpe!

– NÃAAAO!!! – Gritou ele para a lua com as mãos na cabeça.

– Waaaa!!! – Gritei junto, mas de medo.

Ele veio até mim rapidamente e ficou me analisando com os olhos.

– Não pode ser. Estou preso a um fracote desses. Sou muito azarado.

– Preso a mim?

– Por azar do destino, ao tocar seu karma, me tornei seu espírito guardião. Maldição!

– Espirito... Guardião?

– Você é um invocador, não é? Se consegue ver espíritos, deve ser.

– Invocador?

– Você não sabe nada sobre invocadores e templários?

– Não...

– Estou condenado. – Ele ficou cabisbaixo.

– Be-bem... Tenho que ir para casa. Tchau! – Sai correndo tentando fugir dele.

– Não adianta correr, estamos presos um ao outro.

– Waa! – Tomei um susto quando ele surgiu ao meu lado.

1:17 h.

Cheguei em casa e fui direto me deitar para tentar dormir, mas não consegui pregar os olhos, aquele fantasma não parava de falar tentando me explicar coisas sobre invocadores, templários e uma tal batalha por sei lá o quê. Como fui acabar assim?!! 

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