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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 5) 12 Jan, 2023

SIMPLE - O MISTÉRIO DE SOMMERVILLE

     A chuva forte e o estrondo dos trovões fizeram um jovem despertar mais cedo. Ao abrir os seus belos olhos verdes, ela vê as horas no relógio e, muito sonolenta, se cobre e tenta voltar a dormir.

- 04:30h da manhã... – ela pensou consigo mesma – ainda tá muito cedo.

     Infelizmente, o barulho da chuva a assustava e aquele som que sempre a fazia lembrar das últimas notícias que saíram no jornal. Estampado na capa estava o título: “Assassino à solta coloca mais uma vítima em sua lista”. Com esse pensamento na cabeça, ela fechava os olhos e tentava não imaginar nada, mas era inevitável. A imagem da mulher morta, sem olhos e com o pescoço cortado, a fazia suar frio, e ela se encolhia nas cobertas, e cada abrupto trovão, se levantava e olhava ofegante para a porta e para as janelas, até desistir de dormir e levantar .

     Ela coloca uma panela com água para ferver. Abra uma geladeira que tem apenas um pedaço de manteiga e uma jarra de água. Após tomar uma xícara de café bem quente, e comer um pedaço de pão, ela se arruma e caminha para o trabalho.

- Bom dia, Murtz – ela cumprimenta seu chefe. Um homem alto, acima do peso, com dois dedos cortados, e que é o dono de uma pequena boate chamada “Maravilhas de Sommerville”.

- Bom dia, Maggie. Tenho um trabalho pra você.

- O que?

- Você vai fazer uma visitinha particular no hotel Noites Douradas.

- Ficou maluco, quer que eu vá pra um hotel com um estranho. Tem um assassino na cidade, Murtz! Nós não estamos atendendo em casa, os clientes têm que vir aqui!

- Olha, por causa desse idiota solto, a guarda real proibiu a abertura de boates. Se não atendermos em casa, não vamos ter dinheiro e você não vai ter salário. Eu já conversei com as outras meninas, e elas aceitaram.

- Então manda uma delas ir!

- O cliente pediu especificamente por você. Aqui está o horário, e a chave do quarto do hotel. Se você não for, não precisa voltar aqui.

     De volta a sua casa, o nervosismo e os calafrios tomavam conta de Marggareth, que andava inquieta de um lado para outro. Sem dinheiro para pagar o aluguel, e nem mesmo para comer, a indecisão de ir ou não corroia seu coração. As horas passavam cada vez mais rápido, e quando chegava a hora, sem comida, dinheiro e nenhuma outra opção, ela vai ao encontro do desconhecido.

     O ponto de encontro era em um pequeno hotel chamado "Noites Douradas". Ela caminha até a recepção tentando sossegar o coração que parecia pular do peito.

M: - Por favor, preciso da chave do quarto 303. Tenho uma reserva pras 19hrs.

R: - Qual seu nome?

M: - Marggareth S. Jackson.

R: - Aqui está. Tenha uma noite ótima!

M: - Obrigado.

     Ela vai rumo ao quarto, e cada passo a fazia se sentir como na pior cena de um filme de terror, onde a "mocinha" inevitavelmente caminha rumo ao pior destino, não importa que escola ela tome. O balançar do elevador e a velocidade assustadoramente alta com que ele se move como nunca, atrapalhavam totalmente a sua tentativa de não pensar que entraria em um quarto e poderia estar esperando uma morte lenta e dolorosa.

     Com todo o resto de coragem que poderia haver em seu coração, se é que sobrou alguma coisa, Maggie vai até o quarto para esperar seu possível assassino violento. Ao abrir a porta, sua boca seca, as mãos tremulam como nunca antes com o choque de encontrar dentro do quarto o homem que esperava antes da hora marcada.

     Lá está ele, um homem de 1,65 de altura, com um grande cabelo cacheado, parado em frente a janela.

G: - Entre, por favor - ele lhe diz sem desviar o olhar da janela - Maggie não é?

M: - Isso...

G: - Fique à vontade, tem biscoitos na mesinha.

M: - Não, obrigado. Que tal começarmos? - nunca foi tão importante para ela terminar o "Trabalho" rapidamente como foi nesse dia.

G: - Já comecei. Talvez seja bom ou ruim pra você, mas eu não a chamei aqui pelo seu "serviço íntimo".

     Ouvir isso arrepiou sua espinha da maneira mais terrível possível.

M: - E por que me chamou?

G: - Pode vir aqui?

Ela vai até uma janela onde ele está parado com os olhos fixos.

G: - Conhece aquele lugar? - Ele aponta para um pequeno estabelecimento.

M: - Sim, é o Jazz Coffe. A pior cafeteria da cidade. A comida é horrível e o café é uma droga. Acho que nem os pombos tiveram coragem de comer a comida daí.

G: - Você já comeu lá?

M: - Sim, algumas vezes.

G: - Por que comeu lá se a comida é tão ruim?

M: - É o que eu posso pagar.

G: - Eu sinto muito.

M: - Olha, se você não quer nada de mim então eu tô indo embora!

G: - O dinheiro está no saco na cabeceira, pode pegar. Leve os biscoitos também, eu não sou o melhor cozinheiro do mundo, mas garanto que são os melhores do que aquele café.

     Ela pega o dinheiro com os biscoitos e sai do apartamento, e todo o medo e ansiedade que ela sentiu antes de entrar no quarto, se transformou numa notável e singela curiosidade por não ter obtido resposta para sua pergunta. Afinal, o que aquele homem queria com ela?

     De volta à boate, ela entrega o dinheiro para Murtz que lhe dá uma pequena parte de volta, e vai embora.

      Ao chegar em casa, ela senta no seu velho sofá com os biscoitos nas mãos, enquanto houve aquela forte chuva e os estrondosos trovões ecoaram, mas dessa vez não a assustavam. A única coisa em que consegui pensar era em como esta noite foi diferente de tudo que havia passado em sua cabeça. Com fome ela vem alguns biscoitos.

M: -Nooossaa! Esses devem ser os melhores biscoitos que eu comi na vida - ela pensou consigo enquanto devorava freneticamente todos os biscoitos que ganhavam.

NO OUTRO DIA...

     Na manhã seguinte, Maggie concordou cedo e partiu rumo ao seu triste trabalho, no entanto uma ponta de curiosidade aquecia seu coração por motivos que ela própria não entendia, mas sem dúvida aquele garoto a intrigou. 

M: -E aí, Murtz.

Sr: -Bom dia, Maggie. Tenho mais um trabalho pra você. O rapaz que te contratou ontem quer mais um pouco de diversão hoje. Pelo visto el e se divertiu muito ontem. Pediu pra você ir assim que puder.

M: -Tudo bem.

Sr: - hum!? - ele a encarou com uma expressão de muita surpresa - achei que daria outro chilique igual ao de ontem.

     Ela apenas acenou com a cabeça e seguiu seu caminho até o hotel. Como foi estranho voltar, o medo e os calafrios haviam se transformado repentinamente numa curiosidade contínua que, aos poucos, era tão forte que Maggie não conseguia reprimir.

     De volta ao quarto, lá está ele. Mais uma vez olhando para a janela.

G: - Como estavam os biscoitos?

M: - Maravilhosos.

G: - Fico feliz! - Ele abre um enorme sorriso enquanto finalmente tira os olhos daquela janela.

M: - Então… o que você quer hoje?

G: - O mesmo que ontem, só uma companhia. Mas talvez possa me ajudar…

M: - Com o que?

G: - Eu fui contratado para pegar o assassino da cidade. Como eu não sou daqui, me ajudaria muito a ter alguém que conheça esse lugar.

M: - Acho que tudo bem... - Ela se surpreende bastante com aquilo, pois a última coisa que passou em sua cabeça era que ele estava atrás do assassino.

G: - Você sabe onde fica a rota 77?

M: - Sei, é a via de carregamento da cidade - Por essa estrada, a capital, Aquila, manda suprimentos para Sommerville.

G: - Uma via de carregamento…

M: - Por que a pergunta?

G: - Você sabe quem foi a última vítima encontrada pela polícia?

M: - Sei, foi o Administrador do hospital Regional de Sommerville, Fielder Oslo.

G: - Exatamente. Ele tinha alguns comandos de pedidos sempre de capuccino com chantilly e drugeados, e todos tinham um logo do Jazz Coffe.

M: - Cara, ele ganha muita grana, por que ele viria comer nesse lugar? Nunca vi ninguém que tenha condições de ficar longe daqui, vir visitar essa parte da cidade.

G: - Essa foi a mesma pergunta que eu me fiz quando vim conhecer esse lugar. Pelo status social que ele tinha, achei que seria um dos lugares mais chiques dessa cidade, e que eu poderia falar com alguns conhecidos pra descobrir mais sobre ele. Mas quando vi isso, bom… foi a melhor pista que eu poderia ter. Ontem eu fui "conversar" com as pessoas do café, depois que você saiu.

M: - Quando eu saí daqui ontem, o café já tinha fechado a umas duas horas.

G: - Pois é, mas às três da manhã, um homem chegou e entrou pela porta dos fundos, eu me esgueirei por uma janela e descobri que tinha um outro homem lá dentro o esperando. Eu os confrontei sobre o Oslo, mas eles disseram que não o conheciam. Então eu encontrei um mapa da rota 77, com marcações de posições específicas, e um horário. Provavelmente a hora em que o carregamento vai chegar.

M: - Que droga, quase não tem suprimentos aqui, imagina se roubarem o que mandam.

G: - Não se preocupe, eu mesmo vou lá garantir que vai chegar tudo bem. Vou chamar uns amigos e vamos cuidar de tudo. A gente se vê depois, Maggie.

M: - Espera, eu não sei seu nome...

G: - É verdade - ele responde com um enorme sorriso e batendo a mão na testa - Me perdoe, eu sou muito distraído. Meu nome é Gustaf, mas pode me chamar de Gus.

     Que sentimento estranho tomou conta de Marggareth. Por mais estranho que fosse, foi difícil ver ir embora um homem que ela conhecia tão pouco. Sem saber quando, e se ele voltaria.

     De volta ao barco, Maggie leva para Murtz o dinheiro da noite.

M: - Aqui está o dinheiro de hoje.

Mr: - Hmmm, parece que você deixou um homem nas nuvens, mas você já tá acostumada - Ele diz com um grande tom de ironia e com uma cara de quem se agrada em imaginar a cena dela na cama com vários homens diferentes.

M: - Seu babaca nojento!

     Ele apenas sorriu da reação, e entregou o dinheiro de Maggie.

Sr: - Ei!

M: - O que você quer?

Mr: - Melhor tomar cuidado, quando se encontrar com seu novo namorado. Atacaram o Café que fica na frente do hotel que vocês se encontram.

M: - O que?

Sr: - Saiu no jornal de manhã, encontrei um funcionário do Jazz Coffe e um homem que ainda não foi identificado desmaiado na dispensa. Eu nem consegui ver as fotos, os braços dos dois estavam quebrados, sem falar de como ficaram os rostos .

M: - Tu… tudo bem, eu vou me cuidar - ela mal podia acreditar. Aquele homem, que tinha no máximo 1,65 de altura, com os cabelos cacheados e um belo sorriso, tão gentil e fofo. Como aquele garoto que parecia inofensivo poderia ter feito aquilo?

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