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Esqueceu a Senha?

Capítulos (2 de 50) 14 Feb, 2021

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 - Você não tem ideia de quem você é! – Pedro gritou e Davi se calou no mesmo momento que Morgana falou.

 - Pedro! Não! – Morgana quase gritou apavorada com a possibilidade de  Pedro jogar tudo em cima de Davi de uma vez só.

 - Mor? – Davi falou, e Morgana deu um passo na direção dele, Pedro segurou-a pelo braço.

 - Nem ouse chegar perto dele sua víbora!

 Víbora.


 Víbora.


 - O projétil Víbora! - O radialista anunciou no aparelho do ônibus que levava Davi para a cidade de Carapiúna, que era a única cidade próxima com acesso à internet. Ele precisava acessar o resultado do seu ENCC, ele não tinha opção senão viajar por quase cinquenta e três horas num sistema de transporte clandestino.

 - O nome assusta, mas o projétil tem na verdade um sensor sensível à radiação infravermelha que vai auxiliar a detectar os fugitivos de que se espalharam por Igaratí. – O radialista prosseguiu com sua reportagem, explicando o dia, localização e demais especificidades.

 O projétil chegou ao seu destino no mesmo dia que Davi chegou em Carapiúna.

 Davi havia ficado exultante com sua nota, havia tanto tempo que ele não se sentia feliz de verdade – um ano, nove meses, e vinte e um dias, para ser preciso, desde que Pedro fora embora. O pop-up que surgiu nem era chamativo, “Víbora espalha terror em Igaratí”, pensou duas vezes antes de clicar na notícia. As imagens eram de destruição total, e como Davi havia apenas passado o olho pela manchete, ele não leu que “Víbora” era uma bomba. A realização só o atingiu quando ele reconheceu sua escola em chamas, então ele procurou, e encontrou, uma lista de lugares atingidos, dentre eles eram seis cidades pequenas, incluindo comunidades locais, o número de mortos ainda estava sendo contabilizado, mas o nome de Rio das Dores estava lá.

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 Na televisão local, um homem fardado com três estrelas no peito explicando como a equipe havia errado algo no cálculo da trajetória, que uma equipe de resgate já havia sido para os locais atingidos, mas devido à dificuldade de acesso, eles esperavam pelo pior. Ao lado dele um outro militar que agora Davi tinha um vago senso de familiaridade.

 Então tudo ficou preto.


 Morgana e Pedro olhavam para Davi assustados, sem acreditar no que viam. Os olhos do rapaz estavam brancos e seu corpo emanava uma energia poderosíssima enquanto emitia ruídos em frequências diversas, provocando abalos sísmicos enquanto ele andava e emitindo uma dissonância de ruídos estridentes capaz de gerar uma baita dor de cabeça ou fazer os tímpanos sangrarem.

 - Davi! Davi me ouça! Se acalma, por favor! – Morgana ainda gritou enquanto Pedro parecia petrificado, ele não achou que isso aconteceria tão cedo, ele queria apenas ter conversado com Davi antes.

Mas Davi não estava mais ali, e Morgana sentiu uma onda de terror percorrer sua espinha, não foi assim que ela planejou, e agora com suas memórias de volta, seria provável que Davi não a perdoasse.

 - Não... por favor!

 Mesmo no meio do caos, a garota ainda tentava se aproximar, com uma esperança insana de que talvez contato físico pudesse fazer com que Davi recobrasse os sentidos. No entanto, não era possível passar pela barreira de energia formada ao redor de Davi.

 - Por favor, Davi, sou eu, Morgana... por favor... – Desolada e em lágrimas, a garota caiu de joelhos.

 Como eu sou fraco! Como eu sou inútil! Meu melhor amigo sofrendo tanto na minha frente e eu sem fazer nada, como sempre. Não fuja seu covarde! Reaja! – Pedro pensava, enquanto suas pernas insistiam em dar passos para trás. Ele viu Morgana tentar se aproximar, e ficou com ainda mais raiva de si mesmo, porque ela não se importava com o Davi, não de verdade, e não do jeito que Pedro se importava, e mesmo assim, ela

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estava mais disposta a se arriscar, a arriscar a própria vida para chegar até o amigo deles.

 Eu não consigo... – Morgana pensava desesperada. – Como eu vou ajudar o Davi? Eu quero, mas eu... se pelo menos eu tivesse um poder...

 Com esse pensamento ainda em mente, Morgana sentiu como se sua cabeça estivesse prestes a explodir, talvez por causa das ondas emitidas por seu amigo. Morgana fechou os olhos com força, e enquanto chorava uma sensação quente escorria pelo seu rosto, mas era mais espessa que simples lágrimas. Abriu os olhos tentando ver através do embaço, mas uma névoa vermelha cobria sua visão, ela estava chorando sangue.

 Agora mesmo que Pedro não iria se mover, não bastava os olhos brancos de Davi, agora tinha os olhos vermelhos de Morgana!

 Enquanto os olhos de Morgana sangravam, começaram a ocorrer uma série de reações, partículas de água ao seu redor evaporavam e condensavam muito rápido, e então, com uma explosão de poder, um escudo radiante em forma de cúpula se formou ao redor de Davi, a luz do sol refletida pela superfície deu-lhe um aspecto dourado etéreo.

 Tudo o que Pedro viu foi um clarão, mas na fronte do escudo estava um símbolo, um crucifixo em relevo. Morgana havia feito uma conjuração perfeita, mas o poder demandava muita energia, então ela desmaiou e o escudo se desfez. Davi e Morgana jaziam no chão sem sentidos. E Pedro queria estar na mesma situação para não precisar pensar em tudo o que havia acontecido.

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