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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 19) 11 Feb, 2021

Capítulo 17: Um monstro diferenciado

 Imediatamente os três sacam suas armas e se preparam para a batalha, menos Synth, que ainda surpreso por levar um golpe, continua olhando admirando o arranhão em seu peito.

- Não fique parado aí como um imbecil! – Gritou Leopoldo – Pegue logo a sua espada.

As palavras carinhosas de Leopoldo tiraram Synth do seu transe, o aventureiro desembainhou a Darkwave e assumiu uma postura mais adequada para a ocasião.

- Synth, você está ferido? – Disse Joelsun.

- Eu estou bem, joel, só levei um arranhão – Synth passa a mão no seu peitoral. – Tsc! Eu não esperava arranhar essa armadura tão cedo, mas já que aconteceu agora só me resta retribuir o favor, com bastante ódio.

- E o culpado por isso tudo é você mesmo – Disse Leopoldo. – Eu te avisei, mas não adianta, avisar você é o mesmo que pedir para uma bomba não explodir depois de acender o pavio.

- Tenha calma vocês dois, o mais importante agora é encontrarmos o monstro e derrota-lo. Você viu de qual direção ele atacou, Synth?

- Ele atacou de longe – Disse Taelin, tomando a frente. – Olhem para o chão – Todos olharam e não viram nada além das suas próprias pegadas.

- Até mesmo o animal mais rápido deixa pegadas por onde passa, esse monstro, se for mesmo um, atacou de longe usando um chicote ou alguma outra arma de longo alcance, então prestem bastante atenção ao redor, não há arbusto por aqui, então ele só pode está atrás de um desses coqueiros.

Como Taelin já falou, a floresta não possui arbustos ou qualquer outro tipo de vegetação, há apenas troncos e mais troncos de coqueiro, isso deveria facilitar a busca dos aventureiros, contudo, a floresta compensa a falta de verde com o preto. Os aventureiros forçam os seus olhos a enxergarem o mais longe possível dentro daquela escuridão, não demorou muito para que eles começassem a ver sombras estranhas espreitando atrás dos coqueiros, sombras monstruosas do tipo que só uma mente com medo pode criar.

O ar envolta dos aventureiros era tão tenso, que poderia ser cortado facilmente com uma faca.

 Nenhum dos aventureiros conseguia se mover, seus pés haviam sido engolidos pela areia fofa e pelo medo de serem atacados, caso fossem descuidados em seus movimentos. Graças a clareia onde o grupo se encontrava, eles podiam se dá ao luxo de ficar parado olhando para o horizonte, sem ter de se preocupar com a possibilidade de um coco cair na sua cabeça.

Synth sentia mais ódio do que medo pelo monstro e por isso seus pés estavam livres, para leva-lo até os seus companheiros, porém, ao se aproximar dá sua filha o seu sentido aranha apitou. Synth rapidamente se virou dando um golpe na horizontal, mas não havia nenhum monstro ali, apenas um coco verde no chão, confuso com o que tinha acontecido, Synth pega o coco e fica o admirando.

‘’- Para um coco ter caído tão longe do coqueiro isso só pode significar duas coisas, o monstro arremessou isso em mim ou, os mortos que eu zombei antes estão tentando me matar... No pior dos casos, pode ser até mesmo as duas coisas juntas.’’

Synth balança o coco e fica feliz ao ver que ele está cheio, então ele pega a sua Darkwave e começa a fazer um furo nele. O ato surreal de beber água de coco totalmente despreocupado, enquanto um monstro está à espreita esperando apenas um vacilo para retalhar todo mundo. Deixou os aventureiros abismados, Synth só foi perceber os olhares incrédulos de seus companheiros, após beber tudo.

- Eu tava com cede – Disse Synth, desconfiado.

Após beber tudo, Synth simplesmente jogou o coco por cima dos ombros e logo em seguida ele sentiu algo, uma sensação tão estranha e incomum, que mesmo sem ajuda do Sentido Aranha, ele conseguiria senti-la. Quando Synth jogou o coco por cima dos ombros, um vento forte passou por trás da sua cabeça, porém, ele sentiu como se uma lâmina tivesse passado por trás da sua cabeça.

- Synth – Disse Leopoldo – Que porra tinha nesse coco?

Synth franziu as sobrancelhas e virou-se pra trás, confuso e assustado, ele ficou ainda mais confuso e assustado com o que viu. Por algum motivo, que sua mente trabalhava loucamente para encontrar, o coco que ele havia jogado por cima dos ombros estava voando, rápido como um beija-flor.

- Seria isso um... Poltergeist cocal? – Disse Synth, ignorando o quão ridículo ele podia parecer.

- Não – Disse Taelin, com os olhos semicerrados. – Não são os espíritos dos mortos querendo se vingar de você, papai. Olhe com mais atenção, há algo movendo o coco.

E de fato havia algo ali, porém antes que o aventureiro pudesse ver o que era, o coco começou a ziguezaguear no ar como uma abelha assassina. Imediatamente os aventureiros buscaram refúgio atrás dos coqueiros, pois caso aquele coco acerta-se alguém naquela velocidade seria morte na certa. Após ziguezaguear no ar uma última vez, o coco subiu e depois desceu com tudo no chão, afundando completamente na areia fofa. E foi nesse momento que os aventureiros encontraram, o terrível monstro da floresta de coqueiros.

O silêncio reinava entre os aventureiros, eles ficaram completamente sem reação, ninguém jamais pensou que o monstro que causou uma cena de carnificina como a que eles viram, poderia ter uma forma tão incomum. Synth ficou em choque como os demais, porém, passado alguns segundos ele começou a rir loucamente.

- Haha! Hahahahahaha! O monstro sanguinário é a porra de um coqueiro!!!

Synth continuava rindo, enquanto o coqueiro branco balançava as suas folhas, de igual cor, tranquilamente como se ser descoberto não fosse um problema para ele. Aos poucos os outros aventureiros se recuperaram do choque.

- Não – Disse Joelsun, exalando descrença a cada palavra. – Um coqueiro matando pessoas? Isso... Isso é ridículo!

- Só de pensar nessa possibilidade já é algo ridículo – Disse Taelin, incrédula.

- Então como vocês explicam o que acabamos de ver? – Disse Leopoldo, em um tom de voz calmo. – O que tava balançado o coco no ar era a folha do coqueiro, não há como negar isso.

- Bem... – Taelin tentou desesperadamente pensar em algo, para não ter de acreditar no que Leopoldo dizia, porém sem sucesso.

- Deve ter sido uma ilusão! – Disse Joel, com bastante confiança para convencer Leopoldo e a ele próprio. - Uma ilusão provocada pelo monstro de verdade, que ainda está a espreita.

Rindo daquela situação, Synth pega um crânio humano, que estava enterrado na areia e diz

– Bom, vamos ver se isso real ou não. – Após dizer isso, Synth joga o crânio na direção do coqueiro e em um piscar de olhos, o objeto é dividido em quatro partes ainda no ar.

A descrença de Joel e Taelin caíram no chão junto com os pedaços do crânio, não havia como justificar o que acabaram de ver, só restava a eles agora aceitar. Leopoldo foi o que mais sofreu vendo o teste de Synth, pois por algum motivo que ele não sabe explicar, ver aquele crânio sendo cortado lhe causou calafrios.

- Pela expressão em seus rostos – Disse Synth - Acredito que consegui convence-los de que o coqueiro é o verdadeiro monstro. Respirem um pouco e tentem se acalmar, pois agora precisamos descobrir qual é o limite do alcance dessa coisa já que com certeza há um, ou estaríamos mortos a essa altura.

- E como pretende descobrir isso, papai? – Taelin possuía um olhar preocupado em seu rosto.

Synth não disse nada, apenas se virou de frente para o coqueiro, estendeu seu braço pra frente, a mão estava aberta com a palma virada para baixo, e começou a caminha na direção do monstro. Seus passos são lentos e cuidados, o aventureiro não que levar outro arranhão na armadura, ou não cara. Após dar cinco passos para frente, a mão de Synth foi atingida violentamente pela folha, porém ele não foi ferido, pois as manoplas de Kozure Itto são indestrutíveis. Ele se arrependeu por não ter avisado sua filha sobre as manoplas antes, se tivesse avisado, teria evitado de vê-la chorando por pensar que ele perdeu a mão.

- Está tudo bem, filhinha – Synth acena para ela. – Vê, minha mão continua aqui haha!

Eu não perdi a minha mão, mas doeu pra cacete essa pancada, droga! Além de rápido esse bicho também é muito forte, ou talvez tenha doido muito porque minha mão estava relaxada na hora... Resolvi tirar a dúvida, endureci minha mão e a coloquei dentro da zona do coqueiro, o monstro rapidamente revidou, o ataque doeu bem menos do que o primeiro e por isso decide colocar minha mão mais uma vez lá dentro, porém dessa vez tentei pegar a folha antes que ela fugisse.

Sem sucesso, tentei pegar as folhas nove vezes e em todas as tentativas elas conseguiram escapar, além disso a minha mão estava começando a ficar dormente por causa das pancadas. Contudo, mesmo no fracasso eu descobri algo interessante, quando o coqueiro ataca uma pequena mancha redonda, semelhante a uma pupila dilatada, surge no centro dos cocos azuis. Não sei se isso vai servir para algo, mas pelo menos agora sei que essa criatura ‘’tem olhos’’.

Tentar um combate direto estava fora de questão e minha filha, assim como eu, percebeu isso.

- Pare com isso papai, mesmo que sua mão não possa ser cortada, não há motivos para continuar se flagelando por algo inútil – Taelin põem a mão dentro da sua mochila e retirar um pequeno frasco de poção, em seguida ela o abre e molha a ponta das suas flechas, com o liquido viscoso e transparente dele.

A poção tem um cheiro tão forte, que os pelos do nariz de Synth pegaram fogo após inalar. Naquele momento, tudo que Synth queria é quem alguém roubasse o seu nariz e lhe desse um novo.

- Argh! Isso aí é baba de salamandra? – Disse Synth com a voz fanha, pois seu nariz estava tampado com um dedo em cada buraco.

- Sim – Disse a arqueira, carregando sua besta de pulso com uma flecha exalando fumaça, por causa da poção.

- Essa coisa pode ser um monstro, mas também é uma árvore e toda árvore é inflamável.

- Ei! Ei! Ei! Pode parar por aí – Disse Sytnh, ainda com os dedos no nariz. – Filhinha que eu tanto amo, se você transformar esse coqueiro em uma pilha de cinzas, como eu iriei provar para o pessoal do formigueiro, que derrotei o monstro?

- Ou pior – Disse Leopoldo. - Você pode acabar colocando fogo na floresta sem querer.

- Não se preocupem, minha mira é perfeita – Disse ela, sorrindo para tranquilizar seu pai e Leopoldo.

- Eu jamais errei um alvo parado, acerta as folhas desse coqueiro será moleza, confie em mim papai.

Synth não queria pegar pesado com sua filha, ainda mais depois pelo que ela passou, porém ele também não queria correr o risco de perder aquela anteninha, ou tocar fogo na floresta. Após pensar um pouco, Synth encontrou em um ótimo argumento para impedir sua filha de atirar, sem ser muito duro com ela.

- Filhinha, você não acha que seria ótimo para o seu bestiário ter um monstro como esse, que ninguém jamais viu antes?

Com um olhar sério no rosto, a arqueirinha diz - Eu sei aonde o senhor quer chegar, mas não precisa se preocupe, desenhar um coqueiro é muito fácil e rápido, por tanto farei isso mais tarde, agora por favor saia da minha frente.

Se eu não consegui convence-la com o desenho, nada mais adiantaria. Dei três passos para o lado e assenti com a cabeça, dando-lhe a minha permissão. Ela esticou seu braço e fechou um olho para melhorar a pontaria, houve uma pequena pausa seguida pelo disparo. Em pleno ar a flecha pegou fogo, contudo, as suas chamas não alcançaram o coqueiro branco.

Com extrema facilidade e sem se queimar, o coqueiro branco defletiu a flecha que saiu girando até acerta o tronco de outro coqueiro, esse por sua vez começou a pegar fogo. Voei rapidamente na direção do coqueiro e, usando o poder das manoplas, o derrubei no chão, em seguida apaguei o fogo com areia.

Synth lança um olhar de repreensão para Taelin – Me desculpe... – Disse ela, envergonhada.

Eu tinha quase certeza de que isso iria acontecer, mas permite mesmo assim que Taelin atira-se pois caso desse certo, isso levantaria a sua autoestima. Todavia, sua tentativa não foi completamente inútil, pois agora sabemos que essas folhas além de rápidas e afiadas, elas também são resistentes.

O aventureiro respira fundo para dizer algo e acaba inalando um cheiro forte, mas dessa vez não era a baba de salamandra e sim fumo vindo diretamente do cachimbo de Joelsun. O sapinho puxa o máximo de fumaça possível para dentro dos seus pulmões e em seguida solta tudo pra fora. A fumaça exalada pouco a pouco assume a forma de um lobo.

- Peço desculpas por não ter usado isso antes – Disse Joel. – Estava tão nervoso que acabei esquecendo dessa habilidade.

- Acha que ela vai funcionar? – Disse Synth.

- Espero que sim. Vá! Mostre-nos a fraqueza deste monstro estupido!

Dada a ordem, o lobo uivo e saiu correndo na direção do coqueiro, talvez por ser feito inteiramente de fumaça as folhas não atacaram o lobo e graças a isso ele conseguiu chegar rapidamente ao seu objetivo. Ouve uma explosão de fumaça quando o lobo colidiu com o coqueiro. Com exceção de Taelin, que não entendia nada do que estava acontecendo, todos os outros esperavam ansiosamente a fumaça se dissipar e quando isso finalmente aconteceu, veio o choque.

- Não...Não é possível – Disse Joel, agora mais branco do que verde.

Não havia nenhuma marca no coqueiro.

- Como um monstro desses não possui fraquezas?! Isso, isso é loucura!!! – Joel colocou o cachimbo na boca e começou a fumar loucamente, não para usar a habilidade novamente, mas sim para se acalmar.

- Hum! Isso complica um pouco as coisas – Disse Synth, cruzando os braços.

- Ehhh! Papai, o senhor poderia me explicar o que acabou de acontecer?

- Aquele lobo era ‘’A Marca’’ Uma habilidade do Joel, o lobo corre na direção do alvo e o morde deixando uma marca no seu ponto fraco. Contudo, como você pode ver, aparentemente o coqueiro não possui fraquezas.

- Sem fraquezas? – Disse ela, assustada. Synth confirma assentido com a cabeça. - Mas então como iremos derrota-lo?

- Eu não sei, preciso pensar um pouco.

- Então pense Synth – Disse Leopoldo, puxando a adaga da cabeça. – Enquanto isso, eu me encarregarei de dar um fim a esse monstro.

- E como você pretende fazer isso? – Disse Taelin.

Leopoldo gira a adaga na palma da mão e diz - Sendo mais rápido que ele.

O esqueleto para na frente da marcação no chão feita por Synth, gira a adaga mais uma vez e parte em disparada. O plano de Leopoldo era correr o mais rápido possível até o tronco do coqueiro, pois ele acreditava que como os galhos da árvore não possuem articulações, ele não será atacado lá. O seu plano estava indo bem, Leopoldo conseguia afastar as folhas usando a sua adaga e os golpes que acabavam o acertando não causavam dano algum, vez ou outra ele precisa pular o se abaixar de um ataque mais poderoso, que certamente o jogaria para longe.

Tudo corria bem, Leopoldo estava a poucos metros do tronco, as folhas já não conseguiam acerta-lo com tanta facilidade. Um sorriso de felicidade se formava no rosto de Synth, Taelin e Joel, a cada passo dado pelo esqueleto, entretanto, infelizmente esse sorriso foi destruído antes mesmo de ser finalizado.

Quando faltava menos de um metro para que Leopoldo chegasse até o ponto seguro, o coqueiro usou um novo truque. Girando o tronco rapidamente, o coqueiro acertou Leopoldo de surpresa com um de seus galhos, a pancada pegou na cabeça do esqueleto deixando-o desorientando por alguns segundos, tempo suficiente para que ele fosse atingindo outra vez.

Os ataques não pararam, o coqueiro girava igual um redemoinho e Leopoldo também girava pois estava preço ao galho do coqueiro devido a força de rotação, que era tão forte que ele não conseguia pular ou se desvencilhar. A cada volta dada Leopoldo se afastava mais do coqueiro branco, até que por fim ele saiu rodando da zona do monstro. O esqueleto continuou rodando feito uma bailarina até bate de cara com um coqueiro e cair no chão.

Ao levantar do chão a primeira coisa que Leopoldo viu foi o sorriso malicioso de Synth, que praticamente gritava ‘’ Se fodeu né otário’’. Tomado pela fúria de ter sido zoado, o esqueleto agarrou sua adaga e foi em direção ao coqueiro mais uma vez. Leopoldo desferia poderosos golpes no ar, que, a se chocaram com as folhas do coqueiro criavam faíscas. Se Leopoldo fosse capaz de suar, ele estaria completamente coberto de suor, após desferir tantos golpes sem parar. Como Leopoldo não pretendia parar de atacar tão cedo, Synth segurou o crânio do esqueleto e o arrastou para longe.

- Tenha calma Leopoldo - Disse ele. - Você pode continuar batendo e batendo, até virar um esqueleto, que nad- Synth percebe o que acaba de dizer e dá uma risadinha.

- Está bem! - Leopoldo dá um tapa no braço de Synth, que imediatamente larga a sua cabeça.

- Hmm! Coqueiro maldito! Eu vou derruba-lo! De algum jeito, eu vou derruba-lo!

Inconformado, Leopoldo se encosta num coqueiro e cruza os braços.

- E agora, o que vamos fazer, papai?

- Hm! Eu preciso pensar um pouco.

Mais uma vez terei de resolver o conflito usando o cérebro ao invés dos punhos, isso me deixei um pouco triste pois estava esperando uma trocação de soco maravilhosa, mas, malhar o cérebro de vez em quando também não é ruim. Só espero que os próximos inimigos sejam monstros selvagens, com garras e dentes enormes, ou a minha cabeça vai ficar maior que a pirâmide. Enfim, eu tenho que encontrar logo um jeito de derrubar esse coqueiro desgraçado, se possível usando um machado bem enferrujado.

Se ao menos a ‘’Marca’’ de Joelsun tivesse funcionado, nós teríamos alguma pista de aonde atacar, sem ela tudo que sabemos é que o coqueiro é muito rápido, resistente e pode atacar corpo a corpo. Informações úteis, mas que não são suficientes para garantir nossa vitória.

Observando o campo de batalha a procura de algo que talvez pudesse nós ajudar, eu me deparo com o coco que o coqueiro balançou atrás de mim. Uma coisa me chamou atenção nesse coco, ele não foi partido ao meio com um único golpe, pelo contrário o coqueiro teve uma certa dificuldade para se livrar dele...

- É isso! – Gritou o aventureiro. - Nós precisamos prender essas folhas em alguma coisa, só assim conseguirei arranca-las, mas não da pra usar um coco, ele é muito pequeno e difícil de segurar com uma mão, precisamos de alguma coisa maior.

Por um momento todos ficaram em silêncio, pensando, até que Taelin teve uma ideia.

- Que tal aquilo ali ? Disse ela, apontando para o tronco do coqueiro, que Synth havia derrubado. - É grande e com certeza não vai ser cortado com um só golpe.

- É uma boa ideia filhinha, vamos tentar e caso de certo, o mérito dessa batalha será todo seu.

Synth quebra o tronco no meio, usando o poder das manoplas e, bem lentamente, ele introduz o objeto na zona do coqueiro. Ao perceberem a presença de um intruso as folhas o atacam, nesse momento um imenso sorriso surgiu no rosto dos aventureiros, pois as folhas mal não conseguiram cortar metade do tronco e ficaram presas nele.

- Chegou a minha vez de brincar - Disse Synth, soltando uma gargalhada maléfica em seguida.

Com as folhas presas, Synth depenou o coqueiro do mesmo jeito que se depena uma galinha, tirando uma a uma as folhas até que sobrasse apenas o tronco e os cachos de coco-safira. O aventureiro então joga o tronco no chão e segue em direção ao coqueiro branco, para colher os espólios de batalha. Joelsun e Leopoldo juntam-se a Synth e Taelin, todos com um sorriso maléfico e satisfatório no rosto.

- Que merda tá acontecendo agora? - Disse Leopoldo.

Antes que os aventureiros pudessem saborear o coco-safira, algo de estranho aconteceu. O coqueiro branco, que agora não passava de um simples tronco de árvore, começou a tremer loucamente. De início, Synth pensou que a criatura pudesse estar com medo, mas ele logo viu que estava enganado. O coqueiro tremia descontroladamente para levantar suas raízes do chão e, uma vez na superfície, o coqueiro usou as raízes como pernas pequeninhas para fugir.

- Mas nem fudendo! ? Gritou Synth, voando na direção do coqueiro - Deixar você fugir depois de todo trabalho que tivemos! Só por cima do meu cadáver!

- Papai tome cuidado!

- Eu vou atrás dele - Disse Joel, agachando para pegar impulso.

Mesmo voando o mais rápido que podia, Synth não conseguia alcançar o coqueiro, pois além de rápida a criatura também corria em zigue-zague por entre os troncos de árvore. Um metro, essa é a distância que o separava dos cocos-safira, bastava um pequeno impulso para que ele conseguisse toca-los com a ponta dos seus dedos. Por conta da pequena distância que separava os dois, Synth não conseguiu desviar do tronco, que na visão dele, pareceu surgir espontaneamente no momento em que o coqueiro mudou de direção.

A pancada foi tão forte que Synth caiu para trás, com o nariz sangrando, ele tentou se recompor rápido para continuar perseguindo o coqueiro, mas a sua cabeça não parava de girar. Suas pernas falharam no momento em que tentou se levantar. Sua visão estava embasada e o seu equilíbrio, não existia mais. O golpe foi muito poderoso, ele não conseguiria se recuperar rapidamente, contudo, felizmente Joelsun chegou a tempo para ajuda -lo.

- Synth! Você está bem? ? Disse o sapinho, chacoalhando o aventureiro para que ele recobrasse os sentidos.

A resposta demorou para vir pois Synth ainda estava meio zonzo.

- Sim... Onde - Ele olha em volta e não vê o coqueiro branco. - Para onde ele foi?!

- Eu não sei.

- Rapido! Me segure e vamos atrás dele.

- Mas você ainda não está bem, Synth.

- Isso não importa! Nós não podemos deixar que aquela coisa escapar depois de tudo que fizemos. Vamos!

Joel segura Synth pela cintura e salta usando o poder das pantufas.

A perseguição se inicia novamente, Joel, ao contrário de Synth, consegue usar o tronco das árvores para dar saltos longos na direção do coqueiro, com isso não adiantava mais correr em zigue-zague pois o sapinho pode mudar de direção rapidamente usando os saltos extras das pantufas. Por duas vezes Synth quase conseguiu agarrar o tronco, mas, sempre que os seus dedos se aproximavam da madeira branca, o impulso de Joel acabava.

Talvez por instinto ou apenas coincidência, o coqueiro branco seguiu um caminho reto, que o levou diretamente para fora da floresta. Agora, em campo aberto, seria fácil para Synth e Joel capturaram a criatura, bastava apenas que eles se dividissem e atacassem de lados opostos, porém, ao tentar voar Synth se deu conta de que a coroa não estava em sua cabeça. Ela havia caído no momento em que ele bateu de cara no tronco e tanto ele quanto Joel não se deram conta da ausência da relíquia.

- O que vamos fazer agora? ? Disse Joel.

- Vamos continuar perseguindo e quando você chegar bem perto dele como das outras vezes, me arremesse.

- Isso é impossível, você é muito grande, eu jamais conseguiria arremessa-lo com tanta força.

Synth sorrir e tira algo da sua cintura ? Não diga essa palavra Joel, nada é impossível se tentarmos um pouco hahaha! Vamos terminar logo com isso, que eu estou começando a ficar com sede.

Ao perceber que os seus perseguidores sumiram, o coqueiro resolve parar de correr. Havia uma mancha roxa, muito semelhante a uma pupila dilatada, em todos os coco-safira, essas manchas servem para mostrar que o coqueiro está observando tudo, pronto para correr ao primeiro sinal dos aventureiros. Entretanto, passado algum tempo o coqueiro achou que não precisaria mais fugir, então decidiu voltar para a floresta.

Miau! Miau!

E foi nesse momento que Joelsun surgiu no horizonte, usando todos os seus pulos para chegar o mais rápido possível até o coqueiro parado. O coqueiro saiu do estado de inércia quase que automaticamente, porém antes Joel conseguiu diminuir a distância entre eles drasticamente, o sapinho teria até encostando a mão no tronco se a criatura não tivesse mudado de direção bruscamente, mas não tem problema, pois o plano dele era chegar o mais perto possível do coqueiro.

Assim que o coqueiro mudou de direção, Joel arremessou o Saco sem fundo da Antiquaria nele e no momento que o saco bateu no tronco, o sapinho gritou com todas as suas forças.

- AGORA SYNTH!

No mesmo instante, uma mão saiu de dentro do saco e agarrou o tronco com fúria. Os dedos de Synth não seguraram simplesmente o tronco, eles entraram dentro da madeira tamanha foi a força de aperto aplicada por ele. No escuro abissal da boca do saco, um enorme sorriso malicioso se abre.

- Finalmente te peguei seu merdinha.

A outra mão do aventureiro saiu pra fora e segurou na borda do saco. Com certa dificuldade, por só poder usar uma mão, Synth puxa o saco para baixo e após muito esforço, ele consegue desce-lo até os joelhos. Contudo, para livrar suas pernas ele iria precisar usar as duas mãos e como isso é impossível no momento, Synth optou por apoiar a sua outra mão no tronco e chacoalhar as pernas para soltar o saco.

Depois de balançar e se espernear muito, Synth consegue se livrar do saco, que é pego por Joel pouco tempo depois, o sapinho estava tentando alcança-lo para ajuda -ló com o coqueiro, porém como não havia árvores por perto, ele não podia se catapultar na direção da criatura, o que o obrigava a acompanhar Synth agindo, de longe.

Synth afunda os dois calcanhares na areia numa tentativa de parar o coqueiro, porém não funciona e o aventureiro acaba sendo arrastando, ao ver que sua força normal não seria suficiente Synth ativa o poder das manoplas e, em um único puxão ele tira o coqueiro do chão. Uma pequena nuvem de areia sobe quando o coqueiro é arrancado do chão, Synth fecha os olhos, mas os abre bem a tempo de ver a mancha roxa dos coco-safira sumir, simbolizando a morte da criatura.

- Synth! ? Gritou Joel. ? Você está bem?

- Sim, mas... Acho que não vou receber a recompensa.

- O que! Não me diga que você matou essa coisa?

- Não tinha outro jeito, era isso ou ele iria fugir, mas ainda há esperança! Se houver algum sobrevivente das batalhas anteriores, ele poderá confirmar que esse maldito coqueiro é o verdadeiro monstro sanguinário.

- E se não tiver ninguém?

Um semblante de profunda tristeza e melancolia surge no rosto de Synth.

- Bem... nesse caso teremos trabalhado de graça...

- Não - Joel coloca a mão no ombro de Synth - O que nós fizemos foi uma boa ação e boas ações não exigem nada em troca.

Synth vira o sapinho de costas e começa a chorar, pouco tempo depois, Leopoldo e Taelin juntam-se a eles, porém o aventureiro estava tão abalado que nem se virou para vê-los. Ao ouvir seu pai chorando Taelin entrou em desespero, ela temia que Synth havia se ferido gravemente, entretanto, essa preocupação sumiu logo após Joel ter contanto a ela e a Leopoldo tudo que havia acontecido.

- Ahhh! Então é por isso que o senhor está chorando - Disse ela, com um olhar severo.

- Que vergonha em Synth - Disse Leopoldo. - Chorando porque não vai ganhar uma anteninha de formiga. Patético!

Furioso por ter seus sentimentos menosprezados, Synth bate o pé do coqueiro com tudo no chão, fazendo a árvore ficar de pé mesmo estando morto.

- CALEM-SE! VOCÊS NÃO CONHECEM A MINHA DOR! - Disse ele, com a mão direita sobre o peito. - NENHUM DE VOCÊS SABEM A DOR QUE É PERDER UMA ANTENINHA DAQUELAS!

- Nem você sabe.

- CALE A BOCA LEOPOLDO OU EU IREI COLOCAR ÁGUA NO SEU LEITE!

- Você não ousaria.

Após soltar toda a sua cólera, Synth se apoia no coqueiro para descansar, contudo, ele quase acaba caindo no chão pois o coqueiro de alguma forma estava mais longe do que ele esperava. Sem saber o que havia acontecido, Synth olha para os coco-safira e tem uma grata surpresa, as manchas roxas estavam reacendendo lentamente.

Um imenso sorriso se abriu no rosto de Synth, entretanto, antes de comemorar qualquer coisa, ele removeu o coqueiro do chão para que a criatura não pudesse se recuperar e fugir. E para ter certeza de que o que havia acontecido não passava de uma alucinação, ele repetiu o processo e novamente as manchas voltaram e sumiram.

- HAHAHA! ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO! HAHAHAHA!

- Argh! Não sei se acho isso legal ou assustador ? Disse Taelin.

- Tanto faz, quem vai lidar com essa coisa será o povo do formigueiro mesmo ? Disse Leopoldo.

- Sim, mas antes de voltarmos precisamos experimentar essa coisa - Synth retira um coco-safira do cacho e dá para Joel.

- Pegue, você é o estomago da equipe, então será o primeiro a provar.

- Se o Joel é o estomago - Disse Leopoldo. - Eu sou o que?

- O Joel é o estomago, eu sou os músculos, Taelin a cara e você a bunda.

- A bunda? Mas ela nem é importante.

- Por isso mesmo.

- AH! Vai te ferrar Synth!

- Hahaha! Não fique irritado Leopoldo, o meu pai disse isso brincando, mas a bunda realmente é uma parte muito importante do guerreiro.

- Sério?

? Sim, escute eu tenho um amigo que foi salvo de um dragão por causa da sua bunda lindíssima.

- E o que aconteceu com ele depois?

- Se casou com um orc.

- Ei! Vocês dois parem de tagarelar. Eai Joel o coco é docinho?

O sapinho come mais um pedaço do coco-safira, que de coco só possui o nome mesmo pois de resto é tudo diferente, sua casca não é dura, mas sim molinha e comestível. Na parte de dentro a água foi substituída completamente por carne azul-claro.

- É delicioso! - Gritou o sapinho, com baba escorrendo pelos cantos da boca.

- Por mais que eu tente não consigo encontrar palavras ou frutas parecidas para descrever o quão delicioso é esse coco, o sabor dessa fruta é único, Synth. Prove, você vai amar, todos vocês vão.

- Se você não morreu depois de comer, já é um bom sinal ? Disse Leopoldo. ? Mas eu passo, minha última experiencia com cocos não foi muito boa.

- Hahaha! Não se preocupe, Leopoldo - Disse Synth. – Eu provarei por você.

No momento em que mordi a fruta eu entrei êxtase, Joel não havia exagerado nem um pouco, a fruta era tudo aquilo que ele havia tido e mais um pouco. Doce, mas não de mais, a fruta tem uma doçura no ponto certo, talvez ela seja até melhor que o açúcar comum, menos enjoativo isso ela é com certeza. A carne do coco é macia e suculenta, muito semelhante a um caju ou uva. A única coisa que não consigo descrever é o gosto, esse coco realmente possui um sabor único, uma doçura única e viciante. Contudo, para a minha surpresa e infelicidade, minha filha já havia provado algo com um gosto muito semelhante antes.

- Isso é Morlella! - Disse Taelin, com os olhos brilhando feito estrelas. No mesmo momento, Synth cuspiu a comida em sua boca.

- Morlella? Aquela merda de verme branco? EU COMI MERDA DE VERME?

- Sim! Não é gostoso?

Por um momento o aventureiro ficou sem palavras, pois por mais nojento que seja a Morlella ele queria comer mais. Sem saber o que responder pra sua filha, Synth apela para Joelsun que continua comendo o coco tranquilo mesmo sabendo do que ele é feito.

- Como você consegue continuar comendo isso de boa, Joel? Você não escutou o que eu disse? Esse coco é feito de Morlella e Morlella é merda!

O sapinho devora mais um pedaço do coco, engole e responde calmamente.

- Eu já comi e gostei, não vai ser agora que vou reclamar - Joel empurra mais um pedaço pra dentro. - Você deveria fazer o mesmo.

Synth encara o coco e cogita a possibilidade de comer mais um pouco, porém o fato dele saber que aquela coisa azul saiu da bunda de um verme gigante o deixa enojado. No fim, após muito relutar Synth acaba conseguindo superar o nojo e manda o coco para dentro.

- Agora eu entendi porque esse coqueiro é diferente - Disse Taelin. - Eu já tinha achado estranho aquelas folhas e a cor do coqueiro também, mas agora tudo faz sentido.

- O que faz sentido? - Disse Leopoldo, bebendo leite.

- Bem, não há como comprovar isso, mas eu acho que um verme branco deve ter cagado na floresta e adubado o solo com morlella, e por isso o coqueiro não só fundiu a morlella ao coco como também herdou a carapaça do verme.

- E isso é possível?

- Eu não faço a mínima ideia - Disse ela com um sorriso azul de morlella. - Estou apenas teorizando como esse monstro nasceu.

- Se a sua teoria estiver certa - Disse Leopoldo. - Então deve haver mais coqueiros como esse por aí.

- Bem, esses as formiguinhas terão de dar conta, Leopoldo - Disse Synth, apoiando o tronco no ombro. - Nós precisamos seguir viagem, mas antes vamos voltar e pegar a anteninha que é minha por direito!

- Você fala de um jeito que parece que vai morrer se não pegar essa maldita antena.

- Ora! Mas eu quase não morri mesmo, Leopoldo.

Fomos recebidos por humanos e formigas surpresos, pois não imaginavam que voltaríamos vivos e ainda mais trazendo o monstro sanguinário que lhes causou tantos problemas. Como já era esperado a população não acreditou na nossa história de que o monstro é o coqueiro, mas bastou apenas eu colocar o tronco no chão para faze-los mudar de opinião rapidinho e até correrem de medo, mas isso é bom para as pernas.

- Pelos deuses - Gritou um homem na multidão. - Que criatura é essa?

- Isso é um Cocolella - Disse Leopoldo.

- E o que diacho é um Cocolella? - Gritou outra pessoa na multidão.

Nesse momento Leopoldo olhou para Taelin, a arqueirinha percebeu o que o esqueleto queria fazer e logo balançou a cabeça em sinal de negação, porém ao ver todos aqueles olhos humanos e inumanos fixados em seu rosto, a arqueirinha ficou vermelha e começou a falar, gaguejando um pouco no início. Todos escutaram em silêncio a sua teoria de como o Cocolella surgiu e a aceitaram sem fazer perguntas, a mesma coisa com o nome que Leopoldo deu a criatura, Cocolella é um nome curto, fácil de lembrar e o principal, sonoro.

Depois da pequena palestra dada pela minha filha, a multidão foi embora levando o Cocolella com eles, não sei o que planejam fazer com essa coisa, mas agradeço por não ter mais de carrega-lo nos ombros. Felizmente no meio da multidão estava o formigão, o que me poupou de ter de procura-lo.

- Eai! Já se despediu da sua anteninha? - Disse Synth, com um sorriso malicioso no rosto.

A formiga não responde nada, apenas arranca a anteninha e a entrega a Synth, entretanto, ao virar-se de costas a formiga diz algo no idioma dos Tanajiuros.

- Ei! Eu posso não entender o seu idioma, mas tenho certeza que bela sua cara feia isso não foi um elogio, seu maldito-

 O idioma dos Tanajiuros é baseado em estalos na garganta e sabendo disso, Synth tentou replicar os estalos usando a sua boca. Surpreendentemente, os estalos que Synth fez com a boca foram idênticos aos do formigão, mas não só isso, os estalos reproduzidos por ele são de alguma forma ofensivos, pois depois de escuta-los a formiga voou na sua direção.

Synth estava pronto para começar uma briga ali mesmo, ele nunca enfrentou um Tanajiuro antes e está seria a oportunidade perfeita para testar o poder das formigas humanoides do deserto, porém seu desejo não seria realizado dessa vez pois um dos guardas do formigueiro estava de olho na conversa dos dois e assim que a briga iria começar, o guarda interviu e derrubou a formiga, usando o seu mangual com cocos no lugar de bolas de ferro.

- Senhor, agradeço por ter livrado nossa cidade do monstro - Disse o guarda. - Contudo, não queremos confusão por aqui, tudo bem?

- S-sim... - Nesse momento Synth estava perplexo, ele nunca imaginou que aquele armamento rudimentar fosse capaz de derrotar alguma criatura.

- A aparência não é tudo, Synth - Disse Joel, rindo da cara de espanto do aventureiro. 

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