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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 34) 11 Oct, 2020

69 - 70

anos de convivência com os empregados, seus pais nunca estavam em casa mesmo. – Gostaria de deixar recado?

 - Caso seja possível, eu gostaria de falar com a Morgana Santos da Cruz, ela se encontra? – Morgana havia se jogado no sofá mais próximo, quando o outro lado da linha falou ela sentiu algo familiar, a voz era grossa, firme, como alguém acostumado a dar ordens e nunca ser contrariado, e ele havia falado como se soubesse exatamente que era ela quem estava no telefone.

 - Sou eu mesma, o que o senhor deseja? – Morgana sempre adotava uma postura controlada entre respeito educado e cortês com uma pontada de ironia quando precisava se dirigir às pessoas da alta sociedade onde seus pais eram membros tradicionais.

 - Gostaria primeiramente de pedir desculpas pelo atraso na publicação de seus resultados, tivemos um contratempo na correção, mas é com satisfação que a Setemptrionalem te oferece uma vaga para estudar em nosso campus! – A voz outrora autoritária se tornou entusiasmada no passar dos segundos, e Morgana notou desconcertada que o homem parecia absolutamente sincero. – As informações necessárias para seu cadastro no SET serão enviadas para o e-mail informado na sua inscrição do ENCC, mas qualquer dúvida acredito que poderemos resolver pessoalmente, em breve.

 - Como eu posso confiar na palavra de um estranho? – Morgana confiava, cem por cento, sem sombra de dúvida, mas era melhor prevenir. A voz na linha riu abafadamente.

 - Eu sou o diretor. – Ele era definitivamente influente, e carismático, Morgana sabia disso apesar da brevidade e seriedade da conversa. – Acredito que o e-mail com as credenciais será suficiente para te persuadir. Tenha uma boa tarde.

 A ligação foi encerrada e Morgana ficou uns minutos aturdida e boquiaberta. Haviam algumas informações flutuando na conversa, todavia ela sabia que ela precisava primeiro fazer o cadastro, e depois avisar para os pais dela que ela estava indo estudar na Setemptrionalem.

 Eles vão me depenar.

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 O aviso foi em cima da hora. Era final de janeiro e pelo cronograma as aulas começariam na próxima semana. Com tão pouco tempo para fazer os devidos arranjos, e na próxima semana o pai dela retornaria para a base do quartel. Morgana poderia desistir, afinal poderia não ser como ela pensava, a Setemptrionalem poderia não ter nenhuma informação sobre o paradeiro dos turras desaparecidos, poderia não ter nenhuma relação com a ‘Víbora’. Mas talvez ela conseguisse descobrir algo. Porém, e se descobrisse? O que ela poderia fazer? Ela tinha apenas dezoito anos e nenhum poder relevante. Entretanto, ela tinha alguma chance, de menos de 2%, mas era uma chance, pequena e irrelevante, mas Morgana não tinha nada a perder.

 Agora é conversar com meus pais.

 Morgana não se moveu do sofá, considerando os pós e contras em todos os cenários possíveis, ela só percebeu que anoiteceu quando seus pais e irmão entraram pela sala.

 Ambos pai e irmão estavam trajados com seus uniformes e insígnias, o mais velho era General, o mais novo tinha uma insígnia nova, Major, promovido novamente. O irmão estava vermelho e sorridente, seu cabelo desarranjado e cada passo ele balançava vacilante escorado em sua mãe. A mãe trajava um sorriso parecido com o do irmão, orgulhosa, os olhos cheios de amor, algo que nunca foi direcionado para Morgana, e a garota sentiu seu coração se apertar um pouco.

 Rodrigo tinha o mesmo tom avermelhado dos cabelos que sua mãe Eliza, os mesmos olhos, a mesma covinha na bochecha quando sorria. Rodrigo não era um irmão ruim, mas ele passava tempo demais se dedicando à sua carreira que o pouco do amor fraterno que Morgana nutria por ele quando criança tinha se esvaído aos poucos.

 Enquanto eles subiam as escadas entre meio a risadinhas bobas, o olhar de Morgana se desviou para o homem parado ao pé da escada. Com o quepe em mãos, o General Rodolfo Afonso Santos da Cruz parecia menos estoico, a pose menos resoluta, apesar de estar perto dos sessenta anos, ele tinha poucos grisalhos se destacando no volume

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