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Esqueceu a Senha?

Capítulos (1 de 19) 29 Sep, 2020

Capítulo 13: Leite de coco

 Leopoldo corria pelas rua, desesperado para ver se Synth e os outros estão bem, porém o esqueleto não fazia a menor ideia de onde eles estavam, Leopoldo corria e corria chamando por seus amigos, mas eles não respondiam de volta até que um relincho de agonia chegou até os ouvidos inexistentes do esqueleto.

Confiante de que iria encontrar seus amigos, Leopoldo seguiu o som agoniante e ao chegar no ponto de origem do som ele reencontrou todo mundo, mas não da forma como esperava. Synth carregava Steve em seus braços, enquanto que Joel e Taelin ajudavam Pablo a andar, Chico por sua vez carregava as patas amputadas do camelo nos braços.

- Pelos deuses – Disse o esqueleto espantando. - Vocês levaram uma puta surra hein!

- Agora não é hora Leopoldo – Disse Synth, nervoso. – Precisamos tratar dos ferimentos desses dois, rápido!

- Ah! Desculpe, deixe me ajuda-lo a carregar essas patas, Chico.

- Coloque elas dentro do seu peixe – Disse Taelin. – Assim elas ficaram conservadas no frio.

Fomos o mais rápido possível para a casa do curandeiro da cidade, devido aos seus ferimentos mais leve em comparação aos de Steve, Taelin conseguiu curar o jovem vaqueiro sem o auxílio do curandeiro, porém apenas o seu corpo foi curado. O coração de Pablo ainda estava imerso em desespero, o rapaz não conseguia parar de chorar e rezar pedindo para que os deuses curassem o seu fiel companheiro.

Minha filha tentava consolar Pablo, mas nem mesmo o abraço da mulher amada era capaz de amenizar a dor do pobre rapaz. Ao anoitecer o curandeiro veio até nós, para contar o atual estado em que se encontra Steve.

- E então – Disse Taelin. – Como ele está?

- Hum! Podem relaxar, ele está bem.

Pablo cai de joelhos no chão, com as mãos juntas e erguidas para agradecer aos céus por terem atendido as suas preces.

- Ter conservado as patas do camelo facilitou o meu trabalho, fique tranquilo Pablo seu camelo poderá voltar a correr e pular novamente, mas pra isso ele precisará ficar um bom tempo em repouso.

- Não tem problema, desde que ele possa andar de novo isso já me deixa muito feliz.

- Eu posso ir ver ele agora? – O curandeiro assentiu com a cabeça e o vaqueiro rapidamente entrou dentro do curral.

- Bem, já que sabemos que o Steve tá bem e vai poder voltar à andar. O que faremos agora? Vamos atrás do faraó ou agora já era?

- Que pergunta é essa Leopoldo – Disse Synth. – É claro que vamos atrás do faraó, já estamos aqui mesmo por que não iriamos?

- Nós não fomos totalmente derrotados – Disse Taelin. – O medalhão concede poder total sobre o sol ao faraó, mas o corpo dele ainda é o de um mortal.

- Então ele um autêntico canhão de vidro – Indagou Joel.

- Exatamente, ele é muito poderoso e pode nós matar facilmente, mas, se eu acertar uma flechada bem no meio da testa dele, fim. Adeus Sand’Uicchi. Contudo, as nossas chances são bem baixas agora que ele recuperou o medalhão.

Synth abre um largo sorriso – Hum! Quanto mais baixa for a chance de vitória, mais divertida será à aventura, vamos lá galera!

De repente, Steve começou a relinchar bem alto chamando à atenção de todos, talvez inspirado pelas palavras de Synth ou simplesmente relinchando de dor. O camelo estava descansando num curral, com um pano preto sobe suas patas dianteiras, quando Synth e os outros entraram no local, o animal começou a relinchar ainda mais alto.

- O que foi Steve? – Disse Taelin, aflita.

O camelo continuou a relincha ferozmente, ninguém o interrompeu, mas também ninguém o entendeu ao não ser é claro Pablo, que ficou impressionado com o discurso acalorado do seu companheiro.

- Steve...

- O que foi que ele disse Pablo? – Perguntou Leopoldo.

- Ele... Ele disse para vocês não tocarem em Belladona.

- Hã! Mas por que? – Disse Synth. – Eu to louco pra sentar a porrada nela pelo que fez com você, por qual motivo pede isso?

- Hum! Talvez ele tenha gostado de apanhar? – Indagou Leopoldo.

- Não, não é isso, Steve não quer que vocês toquem nela, pois ele mesmo quer ter o prazer de matá-la.

- Caraio, camelo brabo – Disse o esqueleto.

- Hahaha! Gostei da atitude – Disse Synth. – Entretanto não posso prometer nada, se quer se vingar trate de se recuperar antes de chegarmos à pirâmide.

O camelo sorrir e relinchou uma última frase, que rapidamente é traduzida por Pablo.

- Quem deve se apressar é você, Synth, pois eu sou o camelo mais rápido do deserto e posso chegar na pirâmide num piscar de olhos!

- Hahaha! Seu camelo é incrível Pablo, cuide bem dele.

- Pode deixar comigo e... Mais uma vez eu peço desculpas por ter falhado com vocês, eu sinto muito.

- Ora! Rapaz não diga isso – Disse Joel. - Você deu o seu melhor, estava disposto até mesmo a morrer para não revelar a localização de Taelin, você é um verdadeiro guerreiro. Orgulhe-se!

Taelin aproxima-se do vaqueiro e o beija na bochecha – Descanse Pablo e quando Steve estiver recuperado venha até nós, sua ajuda será muito valiosa pra mim.

- Eu... Irei ganhar outro beijo como esse? – Disse o vaqueiro, empolgado.

- Humhum! Talvez.

- Ohhh! Será que o shippe é real? – Disse Synth com um olhar malicioso, Steve e os outros olhavam o casal da mesma maneira.

- Claro que não! – Retrucou a arqueira, envergonhada. – Não, não confundam as coisas!!!

- Hahaha! Bem então até mais Pablo, Steve e Chico vejo vocês na pirâmide.

- Falou galera – Disse Leopoldo.

- Até breve meus nobres companheiros – Disse Joel.

Após essa calorosa despedida, os aventureiros passaram o resto da noite se preparando para a jornada que estava prestes a começar. Quando o primeiro raio de sol surgiu pela manhã, Synth sacou o feitiço que ganhou de sua esposa, pronto para usá-lo.

- Espera aí, vocês vieram para cá num ‘’Caravan Palace’’? – Indagou Taelin, assustada.

- Sim, a sua mãe estava muito preocupada com você e por isso me deu esse feitiço do grimório dela. Por que?

- Vocês não foram assaltados nenhuma vez?

- Claro que não, quem seria louco de tentar me roubar, filhinha?

- Por que toda essa surpresa? – Indagou Leopoldo. – O que esse feitiço tem de tão especial?

- Hahaha! Meu deus, a mamãe estava tão preocupada comigo, que se esqueceu de contar um detalhe muito importante sobre esse feitiço.

- E o que seria?

- Pois bem papai, como o senhor bem sabe atravessar o deserto não é uma tarefa muito fácil, por conta das criaturas gigantescas, ladrões, o calor e falta de recursos naturais.

- E a pessoa que mais odiava viajar pelo deserto era o antigo faraó Tar-lo, esse faraó odiava tanto viajava que ordenou aos seus servos a acharem uma forma mais rápida e confortável de viajar ou eles seriam decapitados. Após anos de pesquisas eles conseguiram achar o meio mais rápido de se viajar pelo deserto.

- O ‘’ Caravan Palace’’ – Disse Synth.

- Sim, de início esse feitiço era utilizado apenas pela realeza, mas, com o passar do tempo a formula para cria-lo caiu nas graças dos comerciantes e pessoas bem abastados e é por esse motivo que quem usa esse feitiço fica na mira de todos os patifes do deserto, pois eles sabem que só os ricaços podem comprar um desses.

- Pela santa lagoinha, então tivemos muita sorte de não cruza com nenhum bandido pelo caminho.

- Coloque sorte nisso, devemos tomar o dobro de cuidado para não cair em nenhuma emboscada. As vezes os bandidos formam alianças para poder parar o túnel de vento.

- Ohhh! Então esse é um feitiço lendário? Ehhhh! – Disse Synth, olhando para o feitiço de uma forma estranha.

- Nem pense nisso Synth, precisamos dele para chegar na pirâmide.

- Calma Leopoldo, eu não disse cara hahaha!

- Hm! Eu sei muito bem o que passou pela sua cabeça, eu te conheço cara.

- Relaxa, eu não pretendo fazer nada com esse feitiço... por agora. Obrigado pelo conselho filhinha, tomarei cuidado a partir de agora.

- Só uma última coisa, já que vamos viajar no ‘’Caravan Palace’’ Eu quero ser a última da fila, tudo bem?

- Ehh! Pra mim tudo bem, eu gosto de ser o segundo mesmo. - Disse Leopoldo.

- Também não vejo problema algum nisso – Disse o sapinho.

- Filhinha, você não prefere viajar do lado do seu paizão não?

Synth faz uma posse atlética.

- Não, ficar no final da fila é perfeito para uma arqueira como eu, não sofro com frio e ainda posso pegar qualquer inimigo de surpresa pois estou escondida atrás de vocês.

Rapidamente eu invejei a posição da minha filha, pois o vento frio da manhã misturado com o ‘’Caravan Palace’’ me fez correr com o queixo tremendo amanhã inteira, minha situação só melhorou lá para o meio dia quando o sol, com um semblante triste, estava no seu pico de calor. Fico só imaginando como ele ficará quando o faraó pô as mãos no medalhão.

Durante a primeira parte do dia nada de relevante aconteceu, não fomos pegos em nenhuma armadilha e tão poucos fomos surpreendidos por bandidos, eu corria despreocupado prestando atenção na paisagem do deserto, que se resumia em dunas e mais dunas de areia.

De vez em quando, bem, bem lá no horizonte avistávamos uma casa ou outra em meio ao mar de areia, isso me fazia pensar em como o espirito do povo do deserto é forte e persistente do tipo que é constantemente testado pelos infortúnios da vida e sai vitorioso, pois só mesmo possuindo um espirito como esse é possível sobreviver em um ambiente tão hostil, fadado a escassez de chuva, tempestades de areia e ataques de sacis safados.

Lá para o final do dia, quando o sol já se preparava para tirar uma sonequinha, resolvermos parar num pequeno vilarejo para passar à noite, não havia ninguém nas ruas e o único lugar aperto era um bar, com um estranho objeto de frente para a entrada. Um pote de barro, virado para baixo, com uma ankh desenhada nele, além disso em volta do pote havia várias flores e velas acessas. Essa estranha oferenda atiçou minha curiosidade.

- O que você acha que tem embaixo desse pote? – Perguntou Synth a Leopoldo.

- Não faço ideia e também não quero saber – Respondeu Leopoldo.

Após olhar para a cara de Synth, o esqueleto percebeu rapidamente as intenções do aventureiro.

- Não faço isso, definitivamente não há moedas de ouro aí embaixo.

- Eu sei e isso só me deixa mais curioso.

Afim de sanar minha curiosidade resolvi erguer o pote, porém quando encostei as mãos nele, um velho furioso saiu de dentro do bar.

- Tire já suas mãos daí – Gritou o velho. – Não há nada do interesse de vocêis aí.

O grito do velho assustou todos os quatro, que ficaram sem reação, Synth encarava o velho igual a uma criança que estava fazendo algo de errado e foi pego pelos pais no ato.

- Anda tira suas mãos daí, rapaz.

- Acho melhor obedece-lo paizinho, ele parece bem nervoso.

As palavras de sua filha fizeram o aventureiro finalmente larga o pote.

- Me desculpe – Disse Synth, levantando do chão. - Deixei que minha curiosidade tomasse conta de mim.

- Pois cuide de controla-la e não tente fazer isso de novo.

- Não farei, tem a minha palavra... Aí! O senhor saberia nós informar onde fica a hospedaria?

Para nossa surpresa o velho era o dono do bar, que também servia como hospedaria. Após pedir desculpas mais uma vez por tentar ver o que tinha debaixo do pote, entramos no bar. Um estabelecimento simples com mesas e cadeiras de madeira, um largo balcão e vários barris de cachaça. As poucas pessoas dentro bar bebiam em silêncio sem conversar entre si, eles pareciam preocupados com algo, contudo, resolvi não perguntar nada para não acabar piorando nossa situação com o velho.

Sentamos em uma das mesas perto do balcão, após um certo tempinho o velho trouxe algo para comermos, o prato da vez foi teiú assado acompanhado de farofa e suco de mangaba. Minha filha preferiu comer carne seca no lugar do teiú assado e nós recomendou a fazer o mesmo, pois esse lagarto é famoso por comer qualquer porcaria que encontrar, até mesmo defuntos ele bota para dentro sem dó. Isso me levou a pensar, será que esse lagarto conseguiria comer as múmias de Belladona?

Joel rapidamente caiu de boca no teiú, sem se importar com o que minha filha disse, como não queria fazer desfeita peguei um pedaço do lagarto e empurrei para dentro com uma colherada de farofa, surpreendentemente o lagarto tinha gosto de galinha e uma galinha bem gostosa por sinal.

Enquanto Synth e Joel saboreavam o lagarto assado, o velho trazia num copo o jantar de Leopoldo, ao colocar o copo de leite sobre a mesa o esqueleto rapidamente estranhou algo nele, a textura e a cor eram iguais a de leite, porém o cheiro, o cheiro não parecia nem um pouco com leite.

- Ei, o que é isso? – Disse Leopoldo ao velho.

- Você não pediu leite? Então, tai o leite – Respondeu o velho.

- Não, não, não isso aqui não é leite, o cheiro é muito diferente.

- Ah! É que esse não é leite de vaca.

- Então... É leite de que?

- De coco, leite de coco.

- Perai, como assim leite de coco? Coco não tem teta pra tirar leite, tá tentando me enganar velho?

Leopoldo empurra o copo na direção do velho - Anda traga o bom e velho leite de vaca, eu não vou tomar isso daí.

- Infelizmente esse é o único leite que tenho no momento, o leite de vaca tá em falta e só vai chegar na próxima semana, então ou você bebe esse ou não bebe nada. Você que escolhe.

- Nunca se recusa comida – Disse Joel de boca cheia. – Mesmo que ela seja ruim alguém se esforçou muito para faze-la e por isso devemos comer.

- Belas palavras, Joel – Disse Synth. – Mas bem que você poderia deixar pra falar depois de engolir tudo, pó voou faraó na minha cara, mano.

Enquanto pedia desculpas por sua atitude deselegante, o sapinho cuspia ainda mais farofa.

Sem outra escolha, Leopoldo resolveu beber o leite de coco e após tomar um golinho seus olhos ficaram vermelhos e ele travou por um momento, ao destravar ele virou o copo de uma só vez e antes mesmo de colocá-lo sobre a mesa, o esqueleto estendeu a mão para que o velho trouxe-se mais.

A sede de Leopoldo não foi saciada apenas com dois copos, cada vez que o seu copo chegava na metade o esqueleto rapidamente levantava a mão para que o velho trouxe-se mais, depois de fazer isso algumas vezes o velho começou a ficar cansado e achou melhor dar todo o leite de coco que ele tinha logo de uma vez pra o esqueleto. Então, quando Leopoldo terminou mais um copo e se preparava para pedir mais, o velho já vinha em sua direção, segurando um balde muito pesado.

- Argh! Isso é tudo que eu tenho, aguenta beber todinho?

Leopoldo limpo o bigodinho de leite, estende as mãos e diz – Passa pra cá.

Sem dificuldade alguma o esqueleto esvaziou o baldo numa só virada, após saciar sua sede, Leopoldo se escora na cadeira e da alguns tapas de leve na barriga, o que acaba fazendo ele arrotar.

- Foi mal.

- Mas e então, Leopoldo – Disse Synth. – Qual é o melhor leite, o de vaca ou de coco?

- Ahhh! Eu não sei, o de vaca é bom e nutritivo, mas esse daqui dá uma vibe muito boa tá ligado hehe!

- Vibe? – Disse Joel.

- Aí! Olha só, eu estive pensando aqui e acho que a gente devia abandonar essa aventura e ir pra praia, sabe.

- Como assim? – Disse Taelin, rindo da fala de Leopoldo, mas um pouco confusa a respeito dela.

- Ehhh! Deixa o sanduiche come o sol não dá nada não, bora pra praia, beber mais leite de coco, fazer castelinhos de areia e pegar umas ondinhas hehe!

- O que é que tá acontecendo com você, Leopoldo? – Disse Synth, assustado.

- Nada, eu to tranquilão hehehe!

De repente, uma mulher desesperada entrou no bar, aterrorizando todos ali presente.

- Por favor me ajudem! – Gritou a mulher. - O meu filho, o meu filho foi enterrado por aquele MONSTRO! Rápido! Vocês precisam salva-lo, por favor, eu imploro.

Após dizer isso, a mulher caiu de joelhos no chão, com as mãos cobrindo o rosto enquanto soluçava de tanto chorar. O velho e os bebuns ficaram visivelmente revoltados com a notícia, porém nada disseram ou fizeram para ajudar a pobre mulher, parecia até que todos ali já estavam acostumados com notícias desse tipo e por isso permaneceram em seus lugares, com a cabeça baixa.

Synth ficou aflito, sem sabia o que fazer nessa situação, Joel tentou falar algo, porém não conseguiu, pois à sua boca estava cheia, Leopoldo nem se quer tinha notado a presença da mulher, o esqueleto estava com a cabeça virada pra cima, completamente alheio do mundo a sua volta.

Enquanto ninguém sabia o que fazer, Taelin tomou uma atitude, ela ajudou a pobre mulher a levantar do chão, em seguida a levou até sua mesa, onde pediu para que o velho trouxesse um copo d’água com açúcar, para que a mulher tomasse e se acalma-se um pouco.

Rapidamente o velho trouxe o copo com água e açúcar, a mulher tomou a bebida e chorou mais um pouco, enquanto ela chorava Taelin tentava acalma -lá alisando sua cabeça e dizendo que tudo ficaria bem. Após um tempo, a mulher parou de tremer e chorar e só então aí Taelin resolveu fazer suas perguntas.

- Agora que a senhora se acalmou mais, por favor nos conte, o que aconteceu com o seu filho?

- Eu tava estendendo roupa no varal e o meu filho pediu pra ir brincar com os amiguinhos dele num campinho de futebol, como esse campinho ficava bem longe daquele lago maldito eu deixei ele ir, mas aí...

- Mas aí? – Disse Synth.

- Eu ouvir ele gritando e quando fui acudir o meu filho... Ele estava enterrado, aquela esfinge maldita enterrou o meu filho.

- Bela história – Disse Leopoldo, chapado.

Após dizer essas palavras indelicadas, Synth repreendeu o esqueleto dando-lhe um tapão no crânio.

- Aiiii! Isso doí Synth.

- E é pra dor mesmo, tenha mais respeito seu esqueleto drogado.

- Por favor – Disse a mãe desesperada, chamando à atenção de todos novamente.

- Por favor desenterrem o meu filho, eu tenho certeza que ele ainda está vivo e pode ser salvo, por favor Sniff! Sniff!

- Nós o salvaremos – Disse Joel em um tom inspirador, enquanto levantava da cadeira. – Diga, onde ele está enterrado? É longe daqui?

- Desistam ele já morreu – Disse o Velho. – Todos que são enterrados pela esfinge morrem sem exceção.

- Mas eu ouvir ele chamando o meu nome, ele deve estar vivo tenho certeza!

- Devem ter sido gemidos de dor, as pessoas que são enterradas começam a fazer sons estranhos conforme os seus órgãos são esmagados pela areia... Eu sinto muito.

- NÃO! Não pode ser! – A mulher cai aos prantos novamente.

- Perai cara – Disse Synth, levantando da mesa. – Não precisa ser tão pessimista, vamos pensar positivo o filho dela pode estar vivo ainda, quem garante que a esfinge não resolveu poupa-lo?

O velho aponta para o pote – Eu sei do que estou falando, senhor, esse monstro não possui compaixão.

Synth meio confuso vai em direção ao pote para finalmente ver o que há embaixo dele, enquanto isso o velho conta a história da esfinge.

- No caminho há frente vocês encontraram um lago de água cristalina, todos que passam por esse lago sentem um desejo incontrolável de se banharem nele e ao fazerem isso a esfinge aparece. Quando a criatura surgi as vítimas são obrigadas a responderem os seus enigmas, caso eles errem ou tentem fugir o seu destino será apenas um...

O que havia embaixo do pote assustou Synth e os seus amigos, em especial a sua filha que não está acostumada a ver coisas tão horripilantes assim. O pote escondia um crânio coberto de carne podre e sangue seco.

- Que horrível – Disse Taelin, virando o rosto.

- Esse é o meu filho, ou melhor, o que restou dele depois de tentar fugir da esfinge. Me desculpe senhora, mas é dessa forma que as pessoas terminam depois de se encontrar com aquele monstro.

- Não! Não! Não, ele não pode... – A mulher começa a chorar. – Ele não pode ter morrido, meu filho não.

A melancolia da pobre mãe cai sobre todo ali presente, contudo, quando a pequena arqueirinha e a tentar consola-la novamente, a mulher agarrou suas mãos com força e disse, com lagrimas escorrendo no rosto.

- VINGUEM O MEU FILHO! Vocês são guerreiros certo? Então eu suplico a vocês que matem esse monstro e vinguem o meu filho.

Taelin tomou um susto ao ouvir o pedido repentino da senhora, ela ficou sem razão, sem saber o que falar nesse momento.

- Parece que acabamos de ganhar uma side quest – Disse Synth, após cobrir o crânio com o pote novamente.

- O que me diz minha filha, devemos aceitar o pedido dessa senhora ou vamos seguir em frente?

- Aceitaremos é claro! – Respondeu Joel, tomando a iniciativa. – Não podemos deixar uma criatura vil como essa sair em pune de seus crimes.

- Hm! Você leu minha mente Joel – Disse Taelin, sorrindo. – Senhora nós iremos acabar com essa maldita esfinge pode certeza disso, e não se preocupe com a recompensa faremos esse trabalho de graça.

- De graça? – Disse Synth, com um pesar na voz.

- Sim papai de graça, ou o senhor pretendia cobrar dinheiro dessa pobre mãe desesperada?

- Não! Não! Não! Isso jamais passou pela minha cabeça, meu anjo... Tsc!

- Synth! – Disse Joel, revoltado.

- Hahaha! Estou brincando é claro que irei arriscar minha vida de graça... Tsc!

- Acho bom – Disse o sapinho, com os olhos semicerrados.

- Hehehe! Se ferrou hein! Synth – Disse o esqueleto, meio sonolento.

- Já estava ficando tarde – Disse Taelin. – Acho melhor irmos dormir logo, venha senhora irei acompanha-la até sua casa.

- Tem razão, nada melhor que uma boa noite de sono antes de uma boa ação.

Eu tive de levar Leopoldo para o quarto já que ele havia pegado no sono depois de beber tanto, uma coisa interessante que eu descobri ao levar Leopoldo pra cama é que ele dorme com os olhos abertos e por esse motivo tive de amarrar um travesseiro na sua cara, pois do contrário não conseguiria dormir com toda aquela luz vermelha saindo dos seus olhos.

Joel ficou com a outra cama disponível e eu dormir na rede, o calmo balanço da rede me fez pegar no sono rapidamente e quando acordei de manhã me senti totalmente revigorado quase como se tivesse tomado um gole da água revigorante.

Acho que talvez pelo conforto da rede eu acordei antes de Joel e Leopoldo pela primeira vez, porém não demorou muito para que o sapinho acordasse também.

- Bom dia Joel, tá com fome?

- Uaaaaah! Sempre... Acordou cedo hoje, Hein! Isso é quase um milagre.

- Hahaha! É que eu estou ansioso para fazer uma boa ação totalmente de graça hoje.

- Brincadeiras à parte, confesso que estou um pouco curioso para conhecer a esfinge, eu nunca derrotei um monstro dessa espécie antes, como será que elas lutam?

- Acredito que seja utilizando isso – Joel aponta pra própria cabeça.

- Dando cabeçada?

- Não, as esfinges lutam através dos seus enigmas e não nós atacando diretamente como os monstros das masmorras fazem.

Ao ver que Synth não entendeu nada, Joel complementa dizendo – É uma batalha psicológica.

- Ahhhh! Bem... Me parece ser bem entediante então.

- Hahaha! Fique tranquilo Synth, se a batalha exige mais inteligência do que músculos, eu sou o cara certo para o serviço.

A barriga de Joel faz um barulho estranho – Bem, mas para isso precisarei de um bom café da manhã antes.

- Eu também tô com fome, só deixa eu acordar esse belo esqueleto adormecido pra gente ir tomar o café da manhã.

Synth descobre o esqueleto e desamarra o travesseiro preso na sua cara, pra sua surpresa os olhos de Leopoldo continuavam vermelhos, mas em uma intensidade bem menor dando até para encara-lo sem problemas.

Synth chacoalha o pé do esqueleto – Bora! Acorda Leopoldo o galo já cantou tá na hora de sair da cama.

O esqueleto não desperta com o chamado de Synth e ainda por cima se virá para o outro lado como se quisesse fugir dele.

- Vamos Synth, deixa o Leopoldo dormir mais um pouquinho, depois ele vem.

- Não, o café da manhã é a refeição mais importante do dia, por isso – Synth chacoalha o esqueleto novamente. – Bora, acorda Leopoldo que quem ganha dinheiro na cama é puta.

- Duvido que ele queira comer alguma coisa depois de tomar tanto leite ontem à noite, vamos. Se ele não acordar até a hora de irmos embora, eu mesmo o acordo.

Segui o conselho de joel e fui tomar café da manhã, o velho havia preparado um café da manhã reforçado pra gente, macaxeira com carne torrada e um ovinho frito, Ah! E como não poderia faltar, tinha também um bule com café forte. Passado um tempinho minha filha se juntou a mesa, mas nada daquele esqueleto se levantar da cama.

Quando terminamos de comer e vimos que Leopoldo não havia levantando ainda, joel e eu fomos em direção ao quarto para acorda-lo na base do tapa, mas infelizmente isso não foi necessário, pois ao chegarmos nas escadas vimos Leopoldo descendo calmamente, ainda com os olhos vermelhos.

- Bommm dia Synth, Bommm dia Joel – Disse Leopoldo, com uma voz muito calma e arrastada.

- Vejo que ainda não se recuperou da noite passada – Disse Joel.

- Eu estou bem, muito bem mesmo... Ahhh! Synth tem uma coisa que eu quero te falar.

- Então diga.

- Olha, eu pensei à noite toda sobre isso e sei que você e Joel podem acabar ficando chateados, mas essa é uma decisão minha.

- Eu decidi largar a vida de aventureiro pra ir vender minha arte na praia.

Synth olha para joel e ambos caem na risada simultaneamente.

- Hahahaha! Que porra é essa agora Leopoldo? – Disse Synth.

- Não adianta insistir, eu não vou voltar atrás nessa decisão, a partir de agora eu quero viver apenas da minha arte e de tudo que a natureza pode me oferecer.

- Hahahaha! Agora eu tenho certeza – Disse Joel. – Aquele leite estava estragado.

- Ei! O que vocês dois estão fazendo aí parados? – Disse Taelin. – Acordem logo o Leopoldo e vamos embora, temos de matar uma esfinge ainda hoje.

- Ele já está acordado filhinha linda Hahaha! E está de muito bom humor hoje. Vamos lá Leopoldo, arrume-se pra gente ir.

- Não Synth, eu não vou com vocês.

- Hã?

- Eu cansei dessa vida de aventuras, tudo que eu quero agora é abrir uma lojinha de produtos naturais na beira da praia.

- Haha! Você não pode tá falando sério?

- Mas eu estou, o leite de coco abriu minha mente, ele me fez percebe que a vida que estava levando era muito consumista e violenta, nada good vibes.

Synth para de rir ao percebe que Leopoldo estava falando tudo aquilo com seriedade, mesmo que os seus olhos vermelhos alegassem o contrário.

o aventureiro respira fundo e diz - Tudo bem, você ainda tá bem loucão de leite de coco então não adiante discutir agora, eu vou lá em cima pegar suas coisas pra gente ir embora.

- Não – O esqueleto se senta no degrau da escada, de braços cruzados. - Eu não vou sair aqui.

- Bem eu tentei ser gentil, Bora! Deixa de palhaçada seu esqueleto maldito!

Synth estava prestes a levantar Leopoldo a força, quando Joel o impediu.

- Calma Synth, deixa comigo. Leopoldo se você for com a gente agora, eu e o Synth prometemos acompanha-lo até praia.

- Hmmm! Prometem mesmo? – Disse Leopoldo olhando para Synth.

- Nós iremos né Synth?

- Sim – Respondeu a contra gosto.

- Ótimo – Disse Taelin. – Se já resolveram tudo, vamos lá 

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