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Capítulos (1 de 3) 31 May, 2018

Capítulo 2: Mortiferum Liberum

Momentos antes ...

Ao mesmo tempo em que Atlanta dava à luz ao seu filho Athos no Grande Palácio, sua irmã, Tábata também dava à luz ao seu filho, no Palácio Tenebris, no Mundo Inferior.

Um menino forte e sadio nasce. Tábata, com algumas lágrimas vertendo a face sorri ao segurar seu filho que era iluminado pela luz da lua de sangue. A criança, ainda em prantos, é enrolada em alguns panos velhos que estavam jogados no fundo da masmorra por sua mãe, que se encontrava junto de Hulda, a feiticeira que realizara o parto. Usando o resto de poder que ainda conseguia se dispor, Tábata conjurou um pequeno cordão e o colocou em seu filho com o nome “Pétrus”.

- Por favor, não mate o meu filho. Mate-me, mas não o tire a vida. – Tábata implorava à Hulda com o resto de forças que ainda dispunha olhando emocionada ao jovem Pétrus com as lágrimas fundindo-se ao suor.

- Já nasceu? – Hymngtis pergunta descendo as escadas das masmorras.

- Por favor Hymngtis, não o mate. Ele não merece esse destino.

- Calada, mulher. É menino ou menina, Hulda?

- Menino, senhor.

- Livre-se dele. Vou dormir, só me acorde quando Raven voltar da campanha. E quanto a Tábata... – O deus diz olhando por trás dos ombros com a mão direita na parede da escada prestes a subir. – A mantenha viva.

Hymngtis volta aos seus aposentos deixando Hulda com Tábata nas masmorras. A serva pega a criança dos braços de Tábata com o coração afligido ouvindo-a dizer “Eu te amo, meu pequeno anjo. Cuide-se.” e, em seguida, sai das masmorras.

Hulda vai até a cozinha do palácio e pega uma cesta de pão e coloca o pequeno Pétrus dentro dela e, em seguida, caminha direção ao rio que percorre tanto no Mundo Inferior quanto no da Luz, o Rio Utrimque. A mesma abaixa-se às margens do rio e diz à criança: “Espero que tenha sorte, pequenino” e coloca a cesta no rio observando-a desaparecer no horizonte.

[ ... ]

A madrugada no Mundo Inferior tornara-se lutuosa. E, no Palácio Tenebris, o silêncio era predominante. Raven acabara de chegar da batalha cruenta, e, em seu castelo, a mesma abre as portas com tamanha força e exasperação que fez os vidros da Sala da Aquisição estremecerem.

A Sala da Aquisição nada mais é que um lugar construído dentro de Palácio Tenebris onde Raven e Hymngtis guardam todas suas conquistas, como: inimigos petrificados, objetos que simbolizam vilarejos por eles destruídos, armas de destruição em massa adquiridas em batalhas, dentre outros.

Raven caminha em direção à Sala da Aquisição que fica bem em frente à porta do palácio e coloca o coração de Atlanta dentro de receptáculo transparente o exibindo como seu maior troféu já adquirido em todas as batalhas.

- Lady Raven, quais são suas ordens? – Uma feiticeira, serva de Raven a pergunta fazendo reverência enquanto a mesma prestigiava seu troféu com ira nos olhos.

- Busque o Libre Mortiferum e leve mande levarem Magnatus para as masmorras. Essas são minhas ordens. Estarei em meus aposentos. – Raven diz saindo da Sala da Aquisição ordenando ao remover sua adaga de sua pintura.

O Mortiferum Liberum (livro mortal) é um dos objetos mais sagrados de toda a Tramondã, sendo assim uma arma contra todos os seres mágicos existentes. Nele contém todos os encantamentos, feitiços, fórmulas de poções, maldições e técnicas de destruição proibidas de serem executadas.

Em seus aposentos, Raven encontra-se andando inquieta de um lado para o outro pensando em suas futuras escolhas até que é interrompida por Hulda batendo na porta semiaberta pedindo permissão para que pudesse entrar e, com o consentimento da deusa, adentra o quarto.

- Aqui está o Mortiferum Liberum, milady! – Hulda diz entregando o livro à Raven enquanto se reverenciava.

- Ótimo, criada. Agora venha comigo e traga aquela caixa que está sobre a minha cama. – Raven diz saindo andando e logo após pegar a caixa, Hulda sai atrás de sua senhoria em absoluto silêncio.

Raven caminha em passos lentos pelos corredores do castelo indo em direção aos aposentos de Hymngtis. Chegando no mesmo, ela abre a porta do quarto com o máximo de cautela possível para não acordar seu pai. Ao parar perante ao mesmo, Raven diz em voz baixa lançando o seguinte encantamento em seu pai:

- Stone somnum. – Uma luz amarela envolve todo o corpo de Hymngtis fazendo-o parecer que estava morto. – Eu não venci porque não tive poderes o suficiente para chegar a tempo de impedir o nascimento da praga da luz. Meus poderes não serão o suficiente para acabar com todo o Mundo da Luz e destruir meu rival, por isso eu lhe ordenei que pegasse o Libre Mortiferum, porque agora irei fazer uma transfusão mágica passando parte dos poderes de meu pai para mim. E você, por ser uma feiticeira, irá me ajudar nessa transfusão. E no fim, não contará nada a ninguém, nem mesmo ao meu pai, caso contrário, eu a matarei da forma mais dolorosa possível.

- Mas milady, transfusão mágica é um feitiço praticamente letal, a ambos. Tem certeza de sua escolha? – Hulda pergunta com os olhos arregalados segurando a caixa com as mãos trêmulas.

- Eu conheço os riscos e estou disposta a fazer o que for para aumentar meus poderes! Vamos acabar logo com isso.

Raven abre o Mortiferum Liberum e vários gritos agonizantes de pessoas morrendo são emitidos por alguns segundos. A deusa começa a ler o feitiço e tudo o que deveria ser feito antes de começar o processo de transfusão. Ao terminar, ela se direciona ao seu pai e dá um pequeno corte no pulso esquerdo do mesmo fazendo com que o sangue derramado caísse em um frasco retirado de dentro da caixa que Hulda segurava. Logo em seguida, ela bebe um pouco do sangue de Hymngtis e derrama um pouco do sangue que estava no frasco nas páginas do livro que falavam da transfusão. E depois, fecha o frasco e o guarda novamente. Em seguida, a mesma faz um corte em seu braço e derrama algumas gotas no livro.

- Hulda, para evitar que eu e meus pais morramos ou que percamos nossos poderes durante a transfusão, você irá atuar como a minha ponte para o caso de algo dar errado. Você só precisará lançar um feitiço de proteção em nós dois antes que eu comece o procedimento e interromper a conexão caso algo não saia como previsto, mas só faça isso com as minhas ordens. – Raven diz caminhando em direção a Hulda olhando dentre dos olhos da criada enquanto alisava seu anel de diamante vermelho à medida em que se afastava do Mortiferum Liberum. – Pronta?

- Pronta!

Hulda lança seu mais forte feitiço de proteção em Raven e Hymngtis o que fez com que ela sentisse um arranco em seu corpo e Hymngtis desse uma pequena contraída em seu corpo adormecido e, logo em seguida, fez um sinal com sua cabeça para que Raven desse início ao procedimento.

- Mutuo viribus foedera. - As primeiras palavras do feitiço são pronunciadas e uma enorme bruma esverdeada envolve Raven e Hymngtis. - Auget viribus meis, magis confortavi manus meas, nunc. - Uma luz laranja começa a sair do corpo de Hymngtis, passando pelo Libre Mortiferum e indo em direção ao corpo de Raven.

Os poderes de Hymngtis estavam sendo transferidos à Raven cada vez mais rápido até que o encantamento de sono que Raven fez em seu pai é quebrado fazendo com que ele acordasse instantaneamente.

- Raven, o que está acontecendo? – Hymngtis pergunta sem conseguir se mover preso à cama ao mesmo tempo em que o Mortiferum Liberum começa a se mexer compulsivamente, como se possuísse vida.

- Estou me tornando mais forte, meu pai. – Raven responde gritando sorrindo ao sentir todo o poder de seu pai adentrando seu corpo.

Raven era capaz de sentir cada átomo de magia que penetrava em seu corpo e, a forma com que eles se moviam veias adentro. Os olhos da deusa estavam vermelho candy brilhando ao refletirem a luz da bruma esverdeada misturada ao amarelo canário do feitiço realizado por Hulda.

- Está louca? Esse feitiço é letal. – Hymngtis grita e a proteção criada por Hulda é quebrada fazendo com que ela fosse jogada contra a parede.

- O que está havendo? – Raven pergunta confusa gritando de dor começando a sangrar constantemente pelo pequeno corte feito em seu braço.

- Você enganou o livro, não pode haver nenhum tipo de feitiço envolvido durante a transfusão. Ele irá matar nós dois. – Hymngtis grita se levantando da cama indo em direção ao livro para fechá-lo, mas é impedido pelo mesmo que estava usando o sangue do deus derramado em suas páginas para controlá-lo.

Raven e Hymngtis começam a ser torturados pelo livro ainda mais com a transfusão de poderes acontecendo. O deus das trevas estava tendo toda sua magia drenada e sendo transferida para a descendente da morte. Hymngtis começou a envelhecer dez anos por segundos e a perder forças enquanto morria aos poucos e Raven também. Hulda, ao se levantar do chão e ver a cena desprezível, correu até o livro e o fechou no mesmo no instante fazendo com que a conexão estabelecida fosse quebrada.

Ao tocar o livro que expelia magia negra por todo o cômodo, Hulda é infestada por parte da magia como se estivesse sendo possuída pelo pior e mais forte demônio existente em toda a Tramondã ficando com os olhos da cor vermelha escarlate e sentindo cada gota de sangue que corria por seu corpo. Raven e Hymngtis voltam as suas aparências normais. Todos caem no chão desmaiados.

[ ... ]

Horas após a transfusão, Hulda se levanta do chão sentindo seu corpo diferente, como se fosse capaz de acabar com um exército de dez mil soldados com um simples movimento ímpeto de mãos. Ficando de pé, a mesma dirige-se à Raven que, com um pouco de dificuldade, tentava se levantar. Hulda a ajuda. Ao conseguirem se equilibrar, olham para Hymngtis que ainda continuava caído no chão tão claro quanto a neve e com os olhos tão fundos quanto o poço de Kola.

- O que houve com meu pai? – Raven pergunta se direcionando até o mesmo com aversão nos olhos apoiando-se em seu báculo. – Chame os curandeiros, Hulda. Temo que ele esteja morto.  

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