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Esqueceu a Senha?

Capítulos (3 de 23) 02 May, 2020

Red: 000

Yuna Nate não era minha mestra, para início de conversa. Quando a conheci, ela tinha seus treze anos de idade, se não me falha a memória. Foi durante a Golden Week, um pouco depois de meu mestre me invocar e me levar até a AAA, a Associação de Assassinos Anônimos. Na época, a guria ainda estava em treinamento, mas já peregrinava em algumas ordens de assassinato pela organização e se saia muito bem. Assustadoramente bem, na verdade. E, latido isso, como entrei para a Elite por recomendação, logo ao botar minhas quatro patas na Associação, não posso negar que a atual Assassina de Youkais despertou minha curiosidade canina.

Ela era fria como uma nevasca nórdica, ao mesmo tempo, adorável como as manhãs de primavera.

Era como se seu carisma e beleza encobrissem sua voracidade e força, e sua força e voracidade encobrissem seu carisma e beleza.

Era um belo exemplo de yin e yang.

Ou talvez um belo exemplo de tsundere.

De todo modo, meu primeiro contato com Yuna, além do visual, aconteceu somente dois anos depois, também durante uma Golden Week. Meu mestre me mandou fazer a ronda em um armazém em Kanagawa, e disse para que eu levasse a guria, como um recurso de emergência. Eu tentei negociar sobre isso. Não pensava ser necessário que uma pirralha abaixo da Elite me acompanhasse em uma simples vistoria, ainda mais como “recuso de emergência”. Era inaceitável para um líder de alcateia como eu.

E então meu mestre respondeu:

— Isso não é um pedido, Ulim, faz parte de sua missão, a chefe já decidiu isso e eu não vejo problema algum. Aliás, sua querida kouhai tem algo mais valioso que o seu aguçado instinto primitivo.

— Tsc, aqueles poderes de gelo...

— Não, Ulim. Os poderes de gelo podem ser absurdos, mas são só uma função daquela máquina. O que faz Yuna tão especial, é sua inteligência. Ela é uma estrategista natural.

— Também posso bolar um bom plano, mestre.

— E eu sei disso. — Ele sorriu. — Mas, Yuna não somente cria um plano. Ela flui como a água e antecipa o plano do adversário. Pode-se dizer que o plano dela é não deixar ninguém planejar nada. Só que assim, soa um tanto confuso, não acha?

No final, a guria foi comigo.

E a missão que era uma mera ronda, se tornou uma operação de assalto.

Graças a minha velocidade do som e ao meu super olfato, localizar e se aproximar do armazém foi simples. De perto, tive ciência de que algo errado se passava lá dentro, com uma rápida farejada. Ao dizer a Yuna sobre a forte presença de magia no local, ela fez um comentário descontraído sobre a situação e depois se manteve quieta. Enquanto eu planejava como adentrar aquele lugar, o pensamento dela estava além. Era como se ela tivesse antecipado meu plano de invasão e calculado o que aconteceria em seguida.

— Pode ir na frente, — ela disse.

Dando-me total liberdade ofensiva, eu arrombei as portas do armazém e no momento seguinte meu corpo foi revestido por uma armadura de gelo. Aquilo me distraiu, desfazendo a vantagem de meu fator surpresa, e a dupla de magos ocultos na escuridão se revelou, apontando suas armas para mim e disparando, sem gentileza. No entanto, isso fazia parte da jogada da guria. Ela imaginou, provavelmente pelo o que disse sobre a quantidade de magia, que os magos não tentariam bater de frente conosco, e sim, se ocultariam misticamente para nos pegarem de surpresa. Sendo assim, quando me deixou ir na frente, ela me usou como cobaia de seu experimento. Revestiu meu corpo com gelo, não só para me proteger dos projéteis, mas também para me surpreender e atrasar meu movimento, o que fez os magos pensarem que seria o momento certo para acabarem comigo. Dessa forma, eles caíram na ardilosa armadilha da que viria a ser a Assassina de Youkais.

Ao revelarem suas posições e me focarem como alvo principal, um par de varas de gelo atravessou os crânios do par de magos.

— Que saco. Eram só dois pamonhas. — Comentou Yuna, agachada em um perfeito equilíbrio na janela redonda mais acima das portas do armazém. — Pelo menos você ficou um neném com essa armadura, Império das Pulgas.

Embora ela dissesse aquilo de maneira carinhosa, eu realmente não me sentia confortável com aquele apelido fofo.

É... enfim...

Não é sobre uma missão pequena como essa que vim uivar.

O caso que contarei a vocês é algo bem maior e que foi realmente perigoso. Uma missão que não era dela. Uma situação em que ela não devia ter se metido e que acabou lhe trazendo um carma em forma de arma. Uma arma absurdamente poderosa, mas um carma, mesmo assim.

No início, era simplesmente sobre encontrar um colega desaparecido, sequestrado pelo próprio pai. Porém, aquilo que era uma procura se tornou uma investigação mais profunda, então um conflito e, por fim...

Um youkai dragão. 

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